terça-feira, 24 de agosto de 2010

Tese da Oposição Classista e Combativa ao VI Congresso de estudantes da UFC


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1- Nada escapa da luta de classes, nem a universidade nem o movimento estudantil


Como vemos, as condições econômico-sociais do estudante universitário somente se tornam um problema porque a sociedade é um sistema de classes, isto é, uma sociedade em que os homens se apropriam diferencialmente do produto do trabalho social. (...) Em suma, excluídas a burguesia, cujos filhos podem frequentar estabelecimentos privados, e uma parte da classe média, cujos os membros não podem matricular-se senão nas escolas públicas, porque gratuitas, ficam fora da escola os jovens de grande parte da classe média e de todo o proletariado, que não possuem as condições mínimas para cursar sequer a escola pública.” Octavio Ianni, 1963


A tese da Oposição Classista e Combativa ao DCE-UFC aqui apresentada é produto da militância classista no movimento estudantil e tem como objetivo fomentar o debate acerca dos problemas da universidade, analisando concretamente suas mazelas, bem como propondo alternativas concretas de modificação do seu atual quadro, que passa necessariamente pelo fomento das lutas reivindicativas dos estudantes, técnicos e professores da Universidade. Entendemos que o ME deve ser produto da luta de classes no local de estudo e como fração da classe trabalhadora, ligar estrategicamente sua luta com a dos demais setores da classe.


A Universidade não é um espaço neutro na sociedade capitalista. Inserida no contexto histórico de uma sociedade de classes, ela também representa interesses de classe. Sua estrutura burocrático-autoritária é voltada para as demandas econômicas, políticas e ideológicas da burguesia e de sua dominação de classe. O papel de seus gestores (como a Reitoria) é manter o aparato burocrático a serviço do capital. Nesse sentido, a concepção da educação como mercadoria é o resultado da materialidade da dominação burguesa sobre a Universidade.


Os consecutivos governos liberais, de matizes política conservadora ou social-democrata, dão continuidade a essa linha político-ideológica de subordinação da Educação aos interesses do capital (e de sua liquidação enquanto coisa “pública”). Os governos de turno não são capazes de romper com essa política de subordinação, pois são eles mesmos os gestores dessa subordinação e os agentes dessa liquidação, que se manifesta nas mais variados conjunturas, através de reformas, leis, decretos e medidas provisórias. Assim, a Educação de hoje tende a ser cada vez mais uma educação para o capital, que visa o desenvolvimento da acumulação de capital através do aprimoramento da exploração da força de trabalho. Entendendo que a UFC não está situada em uma ilha separada de toda a sociedade, ao contrário, ela faz parte da sociedade e possui uma função social, que se modifica a cada gestão de governo. Faremos então aqui uma análise materialista da realidade, tentaremos apreender resumidamente nesta tese a relação entre a totalidade da sociedade capitalista com a realidade dos cursos da UFC, bem como seu movimento contrário.


Entendemos a realidade como continuas ações e reações do todo sobre cada parte e de cada parte sobre o todo, por excelência contraditória. A principal contradição da sociedade da qual vivemos é a batalha entre o capital e o trabalho. Desta batalha é que surge a luta de classes, pois desde seu nascedouro a burguesia se apropria dos frutos do trabalho bem como da força de trabalho de todo proletariado mundial. Entendemos os estudantes como uma fração da classe trabalhadora, defendemos o estudante pobre e/ou trabalhador assim como defendemos a libertação proletária. Na sociedade de classes do sistema capitalista nada escapa da luta de classes, nem a universidade nem o Movimento Estudantil.



2. A atual fase do capitalismo e o modelo de super-exploração ultra-monopolista: neoliberalismo e toyotismo


Podemos dizer que o capitalismo contemporâneo é fruto da evolução e transformação do capitalismo monopolista de Estado1. O Estado seria o grande engenheiro social responsável por viabilizar e tutelar a acumulação de capital.


Nesse campo, a burguesia internacional percebeu que era preciso, para desenvolver o capitalismo, mudar sua estratégia, era preciso fazer concessões à classe trabalhadora e integrar materialmente os trabalhadores aos interesses da burguesia. O Estado criou as negociações coletivas para regular a oferta de trabalho e a massa salarial, de modo a diminuir as crises de superprodução. Criou também os sistemas previdenciários e formas de salários indiretos (benefícios educacionais, de saúde, incorporados sob a forma dinheiro ou não).


Depois da Segunda Guerra Mundial, o capitalismo se expandiu aceleradamente. Os trabalhadores europeus foram integrados ao mercado consumidor e ao Estado, através dos grandes partidos e sindicatos de massa. O capitalismo, com sua reestruturação, procurou afastar ao mesmo tempo as ameaças da crise e da revolução socialista nos países capitalistas centrais.


A questão é que o financiamento desse modelo, baseado em grandes gastos públicos e produção crescente, era um problema. Nesse sentido, o capitalismo encontrou uma primeira solução: transferir os custos para e acentuar a exploração na periferia. Assim, as grandes empresas e o capital estrangeiro buscaram países como Brasil e demais países da América Latina para a implantação de suas plantas industriais.


Deste modo, começa a se desenvolver também na periferia a industrialização. E com ela o próprio capitalismo monopolista de Estado. Mas, ao contrário do que acontecera no centro, na periferia não deveria existir espaço para concessões aos trabalhadores. O lucro era máximo, o salário deveria ser colocado na média mínima possível e os direitos reduzidos2.


O capitalismo de Estado na América Latina foi desenvolvimentista e o desenvolvimentismo foi ou incapaz de levar adiante as reformas sociais ou contra-revolucionário e militarista. As experiências no Brasil com João Gulart e no Chile com Salvador Allende comprovam isso. As ditaduras com programas desenvolvimentistas, de expansão industrial, associadas à repressão e desigualdade social também.


Mas na década de 1970 o capitalismo entrou em crise, apesar de tentar transferir os custos do seu modelo de desenvolvimento para a periferia. As revoluções anti-coloniais quebraram alguns elos da reprodução imperialista na Ásia, fazendo com que a transferência da desigualdade não fosse mais realizada da maneira que era necessário. A crise do petróleo em 1973 precipitou uma nova reestruturação global do capitalismo.


Os custos com os gastos sociais passaram a ser inaceitáveis para a burguesia. Nesse sentido foram desenvolvidas duas grandes estratégias, uma macro e outra microeconômica. A macro foi o neoliberalismo. Era preciso reformar o Estado, transferindo os setores estratégicos de produção para a iniciativa privada. Eliminando ou diminuindo o peso dos seus setores “sociais” (especialmente, a previdência). A microeconômica foi o toyotismo. Surgido no Japão, era uma nova forma de administrar a empresa3.


Essa nova reestruturação teve um profundo impacto no mundo. Aumentou o número de pobres, destruiu vários sindicatos e mesmo categorias profissionais. No mundo e no Brasil, esse modelo se espalhou especial-mente a partir dos anos 1980 e 19904.


Fazendo um balanço histórico, podemos ver que o capitalismo monopolista de Estado deu lugar um capitalismo ultra-mopolista e neoliberal. Essa era a situação até 2008, com a eclosão da crise mundial. E a crise só vai mostrar como o Estado, mais uma vez, é acionado para salvar o capital e como ele faz isso atacando os trabalhadores. E a crise do capital vai sobrepor-se a uma crise da organização dos próprios trabalhadores. Cri-se esta que é fruto da história do capitalismo e da relação dos trabalhadores com tal processo. Nos dois modelos de desenvolvimento e acumulação capitalista, houve movimentos de cooptação dos sindicatos e trabalha-dores. O estatismo se desenvolveu como força de repressão e cooptação dos sindicatos, e assim ainda permanece. E o toytismo veio para completar a tarefa por outras vias, dando uma feição “participativa” e “democrática” no local de trabalho a essa dominação. Assim, o capital não somente se reestruturou, mas dirigiu a reestruturação da organização dos trabalhadores. E isso continua acontecendo.



3. A Era Lula/PT: transição pacífica dos movimentos sociais para a esfera do governo


“Contra a intolerância dos ricos, a intransigência dos pobres. Não se deixar esmagar, não se

deixar cooptar. Lutar Sempre!” Florestan Fernandes


No Governo Lula/PT ocorrerá uma transição pacífica dos movimentos sociais para a esfera governista (CUT, UNE, MST). Várias das lideranças e das entidades hegemônicas do movimento sindical-popular são cooptadas para a gerência petista do Estado brasileiro.


As táticas de cooptação variam nos diversos setores, seja assumindo ministérios, recebendo grandes verbas ou atenuando as lutas. Um dos exemplos mais descaradamente visíveis é o do presidente da CUT, Marinho, que se tornou Ministro do Trabalho. A UNE foi vendida e recebe mais de 12,9 milhões desde 20035 para implementar sua linha governista de desmobilização no movimento dos estudantes, e o MST reorientou seu eixo da luta pela terra e pela reforma agrária para uma luta “contra o agronegócio”. O exemplo do MST merece atenção por ser talvez a tática mais sofisticada de cooptação. A luta pela terra, por sua vez, passou a ser uma “disputa interna” entre ministérios e pastas de governo e não mais dada através da ação direta. Isto se verifica na redução das ocupações de terra, que acontece desde 2003, e nas lutas espetaculares contra as empresas e propriedades do “agronegócio”, em torno de argumentos pró-ecologia, direitos humanos, anti-transgênicos, etc.


É bem verdade que a CUT e a UNE abandonaram a estratégia da greve geral nos anos 1980 e adotaram uma estratégia parlamentar e propositiva nos anos 1990, selando assim o modelo de sindicalismo de Estado e de colaboração de classes. Mas é somente no atual governo Lula/PT que elas se tornaram um verdadeiro braço e sucursal do governismo no movimento sindical e popular, amortecendo a luta de diversas categorias e desorganizando setores estudantis secundaristas e universitários para melhor aplicação das reformas pelo governo e o capital. A prova para tanto é que o governo Lula/PT conseguiu aplicar melhor as reformas neoliberais do que seus antecessores como a Reforma da Previdência (2003) que Collor e FHC tentaram aplicar e Lula conseguiu com apoio da maioria na Câmara dos Deputados e no Senado ao final do primeiro ano do primeiro mandato. E a Reforma Universitária, que analisaremos melhor adiante, na qual a UNE exerce apoio incondicional.


O PT de Lula assim aliou-se a sindicalistas e industriais, sem-terras e latifundiários, estudantes e banqueiros, tendo como estratégia o pacto social para manter a sua hegemonia e atenuar a luta de classes. No Ceará aliou-se a oligarquia Ferreira Gomes, através do governo Cid/PSB, que implantou a Polícia do Terror por Quarteirão que extermina e oprime a juventude mestiça e pobre da periferia de Fortaleza e do interior do Estado, encoberta pelo véu de “polícia comunitária” com a alcunha de Ronda do Quarteirão.



4. Governo Cid/PSB: tratando as questões sociais como caso de polícia


“No passado remoto e presente, a norma era: o escravo é o inimigo público da ordem; nos tempos modernos a norma tornou-se: o colono, o camponês e o operário são o inimigo público da ordem.” Florestan Fernandes, 1981


No plano político, podemos dizer que integrantes de uma mesma oligarquia (oriunda do Centro Industrial do Ceará – CIC) vêm se alternando no controle do Governo do Estado desde o fim do regime militar. Tasso Jereissati (PSDB) foi eleito em 1986, Ciro Gomes (PSDB) em 1990, Tasso Jereissati novamente em 1994 e 1998, Lúcio Alcântara (PSDB) em 2002 e Cid Gomes (PSB, irmão de Ciro Gomes e apoiado por Tasso Jereissati) em 2006.


Atualmente, Cid Gomes/PSB governa o estado do Ceará com uma ampla aliança burguesa, contando com o apoio oficial dos partidos governistas (PSB, PT, PC do B). Em 2010, sua reeleição é dada como certa. O governo estadual, ao mesmo tempo em que reprimiu violentamente os servidores estaduais que entraram em luta em 2009, e não concedeu sequer o Piso Salarial Nacional para os professores estaduais, por outro lado, gasta milhões com a compra de carros de luxo Hilux para seu programa de repressão Ronda do Quarteirão, e outros milhões na construção de projetos faraônicos como o novo Centro de Convenções e a Copa do Mundo de 2014 para incentivo do turismo especulativo.


Segundo o secretário de segurança Roberto Monteiro, desde a implantação do programa Ronda do Quarteirão (novembro de 2007) até junho de 2008 se tinha gastado R$ 57 milhões exclusivamente com o programa. O secretário ainda afirmou que “Se for preciso gastar R$ 100 ou R$ 200 milhões, que se gaste para dar uma segurança efetiva, até porque o governador Cid Gomes elegeu essa área como prioridade”6. Enquanto que cada HiluxSW4-extermínio custa R$ 165 mil cada, o oligarca Cid/PSB nega-se a conceder o piso salarial dos professores. E o prestígio de seu programa de polícia comunitária vai caindo em descrédito devido a ação desastrosa dos ditos “policiais comunitários” do Ronda que figuram em infantis acidentes de automóvel, abordagens preconceituosas e no recente assassinato do inocente e jovem trabalhador Bruce Cristian. Prioridade com “segurança pública” no regime capitalista significa repressão e massacre do povo, política de extermínio e de guetização que encontra na polícia do Rio de Janeiro e nas recentes Unidade Policiais Pacificadoras (UPPs) seus exemplos mais desenvolvidos.


O plano de governo Cid/PSB é perpassado pela estratégia de transformar as questões sociais em questões de “segurança pública”, isso quer dizer, em caso de polícia. As medidas contra todas as mazelas sociais que vivemos são perpassadas pelo eixo administrativo da “segurança pública”, resolvendo questões trabalhistas, estudantis, de moradia e saúde com o incremento do aparelho repressor de Estado. Com a milionária Copa de 2014, o cenário que se abre para os próximos anos é de mais ofensiva sobre o povo, juventude pobre e trabalhadores em geral. O planejamento urbano que acompanha a chegada do evento internacional beneficiará somente a especulação turística e imobiliária, as empreiteiras, unindo a burguesia e a burocracia estatal no desalojamento de famílias pobres de Fortaleza, numa política de limpeza social, reforçada pelo aparato repressivo (guardas, polícias e exército) através de “questões de segurança pública”, representando a venda de nossa cidade aos conglomerados transnacionais e ao imperialismo. A luta popular por moradia em Fortaleza deve estar preparada para esse cenário onde somente a ação direta das massas pode dar uma verdadeira resposta popular à situação de deterioração social e as coações do aparato repressor.



5. Governo Luiziane/PT: a realidade da luta de classes e a farsa da Fortaleza Bela


A prefeitura municipal é comandada pela petista Luizianne Lins, eleita em 2004 e reeleita em 2008. Luizianne (assim como Lula, mas diferentemente de Cid) veio da militância dos movimentos sociais. Logo, consegue cooptar parte significativa dos sindicatos e organizações populares e de classe para o seu governo, entre outras formas, pelo orçamento participativo. Assim, os governos federal, estadual e municipal seguem uma mesma orientação política e apesar de se intitularem dos "trabalhadores", exploraram e oprimiram ainda mais o proletariado que depositou confiança neles mais do que em seus antecessores. Logo, a luta de classes em Fortaleza assume uma característica peculiar: o alinhamento claro dos Governos Municipal, Estadual e Federal. Isto, somado à cooptação de parte significativa dos movimentos sociais para a política governista, gerou desdobramentos funestos na vida dos trabalhadores, com ataques coordenados vindo das três esferas administrativas.


Nos últimos anos a prefeita/PT demonstrou ser aliada da máfia do Sindiônibus (sindicato dos patrões do transporte), dando isenção de impostos aos empresários, aumento de passagem para o povo e arrocho salarial para os trabalhadores rodoviários, mostrando que a Fortaleza Bela só existe para os patrões. A atual luta por reajuste salarial dos trabalhadores rodoviários vem sofrendo ataques do bloco Sindiônibus/Justiça burguesa/Etufor-Prefeitura-PT. Junto com a mídia burguesa (O Povo/Diário do Nordeste e sucursais televisivas e radiofônicas) a prefeitura petista vem tentando isolar a greve e facilitar a ofensiva patronal sobre os rodoviá-rios. A Justiça do Trabalho e a Mídia se comportam como retaguarda dos patrões nos ataques aos trabalhadores.


Essa ofensiva passa por tratar a luta dos rodoviários como caso de polícia, reforçando o policiamento municipal em dias de mobilização da categoria e, como Cid/PSB, tratando as questões sociais como caso policial. Assim ficou evidente no dia 16 de junho quando da revolta popular no Terminal da Parangaba. O pro-testo do povo foi recebido com cassetetes, tiros, spray de pimenta, espancamentos, algemas e detenções. Os cerca de 40 guardas regulares e do Pelotão de Operações Especiais presentes no terminal (O Estado 17/06), tiveram reforço na parte externa pelos tiros do Batalhão de Choque e atacaram indiscriminadamente o povo, num saldo de 5 detidos e 2 feridos gravemente na cabeça, com dois policiais atingidos por pedras e socos. Os fatos ocorridos no terminal da Parangaba devem ser entendidos como o produto da situação material em que vive a classe trabalhadora em geral e particularmente em relação à realidade do transporte público da capital. A resposta popular a essa situação se materializou no bloqueio das entradas do terminal, na depredação de ônibus e de confronto com a Guarda Municipal e o Batalhão de Choque da PM.


A atual luta dos rodoviários em 2010 é uma das mais importantes de Fortaleza e sua vitória ou derrota exercerá grande influência nas próximas batalhas do proletariado da cidade. A classe trabalhadora deve articular sua própria defesa e ofensiva de classe. Nessa conjuntura essa ofensiva deve ganhar caráter material através de organização unitária de rodoviários, estudantes e povo pobre. O desenvolvimento da luta de classes demonstrou a necessidade concreta de construir uma real unidade proletária, onde no contexto da aliança operário-estudantil os estudantes não poderiam apenas se limitar a executar tarefas e prestar um apoio secundário aos rodoviários, mas sim apontar para uma luta comum de rodoviários e estudantes com bandeiras que dialogassem com as necessidades materiais do povo, como passe livre para estudantes e desempregados e reajuste salarial digno para a categoria, somadas a pautas populares como redução da passagem e melhoria física dos ônibus e terminais.


Assim, o ME que poderia ter se tornado uma importante e efetiva retaguarda combativa para os rodoviários, através de uma estratégia de unidade de classe, que levasse para as universidades e os locais de estudo em geral as bandeiras dos rodoviários interligadas com as bandeiras históricas dos estudantes (através de debates e agitação e propaganda), se limitou a um sincero, mas fraco apoio de prestar ajudas pontuais.


Essa ajuda pontual e os limites da ação do ME no contexto da greve dos rodoviários são um efeito do seu nível atual de organização e da concepção policlassista de ME. A recente luta dos rodoviários e a pouca mobilização do ME no sentido de reforçar essa luta e desenvolver suas próprias pautas conjuntamente com a luta dos rodoviários mostra o quanto o nosso movimento se encontra distanciado da luta dos trabalhadores. Para superar este atual estágio de desorganização e confusão ideológica devemos combater a concepção policlassista na prática com bandeiras reivindicativas em geral e do próprio ME que dialoguem com bandeiras da classe trabalhadora na construção de lutas comuns através de organismos de base que reúnam estudantes e trabalha-dores através de uma linha anti-governista e de ação direta, fazendo o combate ao corporativismo e o economicismo, tendo a greve geral como norte estratégico.


Resta aos estudantes e seus setores combativos transformarem a palavra de ordem de aliança operária-estudandil em realidade através de comitês de luta que defendam pautas intersindicais e populares como passe-livre para estudantes e desempregados, redução da passagem, contra as lotações e precarização dos ônibus e terminais, junto as pautas de reajuste dos rodoviários, criando assim uma retaguarda combativa para trabalhadores do transporte coletivo, não deixando a greve se isolar e definhar. A aliança operária-estudantil não deve ser um mero discurso, ela deve ter um caráter de pacto de luta, gerador de unidade proletária contra o corporativismo, potencializando a ação coletiva da classe contra os patrões e o Estado.



6. Campanha Não vote! Lute!


Os cenários nacional, estadual e municipal servem de indicativo para as eleições que se avizinham, pois já está provado que PT/PCdoB e PSDB possuem o mesmo programa político para o Brasil, configurando-se ambos como a esquerda e a direita do capital. E nem mesmo os programas nacionais-desenvolvimentistas do PCB e das correntes externas do PT (PSOL, PSTU, PCO) poderão modificar algo, pois as eleições são uma ilusão promovida pelo Estado burguês, onde muda a gerência da exploração, mas esta permanece enquanto elemento inerente ao capitalismo. Somente a luta pelo socialismo e as melhorias imediatas econômicas nos trarão verdadeiras vitórias, as eleições só deseducam o povo, fazendo acreditar que esse espaço burguês está em disputa e que se podem alcançar melhorias através deste artifício.


Os trabalhadores já pagaram o preço por acreditar que votar no PT melhoraria algo, a situação só piorou em nosso país, por isso convocamos a todos para a campanha Não Vote! Lute! Defendemos que a "Emancipação da classe trabalhadora será obra da própria classe trabalhadora". Somente a organização do povo e a ação direta das massas trarão vitórias. Lutar para organizar e organizar para lutar se tornam indispensáveis para armar a classe, desenvolvendo a defensiva proletária rumo à ofensiva de classe contra o Estado e o capi-talismo.



7. Os limites da oposição para-governista: a Anel e seu parlamentarismo estudantil


Diante do quadro de cooptação de grande parte dos movimentos sociais para a esfera do governo e da degenerescência pelega crônica da UNE se faz necessário analisar também as propostas que se colocaram como alternativa a ela, como a finada Conlute e a recém criada ANEL - Assembléia Nacional de Estudantes Livre, que surge como resultado do recuo na linha do PSTU de rompimento com a UNE e com governismo.


A dissolução da Conlute e da Conlutas (via fusão com a Intersindical), e a fundação da ANEL e da Nova Central, é uma declarada adequação a linha para-governista do PSOL. Basta notar que este último ainda possui todas as suas correntes estudantis dentro da UNE e que suas correntes sindicais induziram a adequação completa da Conlutas nas últimas lutas para a fundação da nova central, em três pontos: 1) Participação ativa na política de unidade com os governistas, já que Intersindical nunca se separou definitivamente da burocracia da CUT; 2) Corte na participação estudantil e de setores do movimento popular na nova entidade, e; 3) Adequação a Reforma Sindical do Governo Lula/PT, para angariar o aparato do imposto sindical.


Este desvio político também conduziu ao oportunismo e a debilidades práticas. Na plenária nacional realizada no dia 30 de janeiro de 2010, em Salvador, a ANEL não apresentou nenhuma política concreta para as reformulações e ataques da burguesia brasileira na educação, não debatendo nada sobre a luta contra o novo ENEM e as reformulações feitas pelo Ensino Médio Inovador (EMI), deixando um vácuo para a luta dos estudantes. Ao mesmo tempo, a ANEL já expressava em suas resoluções do CNE (Congresso Nacional de Estudantes) sua estratégia legalista para este período, que consistiu em apoiar PL’s (Projetos de Lei), plebiscitos, abaixo assinados e candidaturas parlamentares para implementá-los, pois, na prática, a ação direta e as ocupações ficam relegadas a segundo plano; esta resolução fica clara na passagem: “somente (sic) com um projeto como o PL podemos alcançar a universidade que queremos.”



8. Diante do governismo da CUT/UNE e da liquidação da Conlutas: Construir um movimento nacional de oposição sindical, popular e estudantil


Paralelamente ao CNE foi convocada uma Plenária dos Estudantes Classistas e Combativos. A idéia desta plenária era articular através de entidades e oposições de base, como CA’s e grêmios, um movimento estudantil combativo que realmente polarizasse com o governo, sempre ressaltando os métodos de ação direta em detrimento da via burocrática e legalista. Buscando a articulação das lutas em âmbito nacional pela base, fazendo as críticas aos setores carreiristas que utilizam os organismos de base dos estudantes como palanque eleitoral.


Por isso a Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC) entende que se faz urgente e necessária para os estudantes e trabalhadores do Brasil a reorganização de um verdadeiro pólo anti-governista para as lutas contra os ataques do governo e da burguesia, sejam pelo imperialismo ou pela burguesia nacional. Dessa forma, a Nova Central e sua linha para-governista representarão um retrocesso para a luta dos trabalhadores. Então, é imprescindível que se avance nesse momento pós-CONCLAT na construção de plenárias de oposições e entidades de base pró-Movimento Nacional de Oposição Sindical, Popular e Estudantil, espaço que possa discutir a construção de uma verdadeira Central de Classe, capaz de conduzir a luta do proletariado através da ação direta de massas e independência do sindicalismo de Estado e das burocracias governistas.


Esse espaço hoje se materializa, diante da liquidação da Conlutas, nos Fóruns de Oposição pela Base que estão ocorrendo no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, iniciativa essa dos setores combativos de base que diante do fracasso do CONCLAT apontam uma via organizativa e de luta para a classe trabalhadora e os demais setores explorados e oprimidos.



9. Bandeiras de luta


“A primeira questão que hoje temos de considerar é esta: a emancipação das massas operárias poderá ser completa enquanto receberem instrução inferior à dos burguesses (...) que por nascença têm os privilégios de uma educação superior e mais completa? Colocar esta questão não é começar a resolvê-la?” Mikhail Bakunin, Instrução Integral, 1869



a) Reuni: precarizando o trabalho e o ensino superior


Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), instituído pelo Decreto nº 6.096/2007(Lula), flexibiliza o ensino, quebra a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, oferece um bacharelado que se assemelha a uma graduação minimalista de três anos, cujo diploma será apenas um certificado generalista, e propõe um novo processo seletivo no fim do terceiro ano do bacharelado para os cursos profissionais. Ele estabelece, como meta, um índice de 90% de conclusão dos cursos e determina a duplicação da relação professor–aluno dos atuais 1/9 para 1/18. Para pôr tudo isso em prática, o governo editou a Portaria Interministerial nº 22/07, que cria o Banco de Professores Equivalentes, o que, segundo avaliação dos professores, vai flexibilizar as relações de trabalho na universidade pública diminuir o número de concursos, diminuir o regime de dedicação exclusiva, e, conseqüentemente, reduzir as atividades de pesquisa.7



b) Fundações Privadas

As Fundações de Direito Privado (FDP), são regidas pela lei 8.958/94 (Itamar Franco) e foram regulamentadas pelo decreto 5.204/04(Lula) , sendo o modelo de “financiamento apoiado” ou privatização consentida, que garantiu as fundações assumirem compromisso da própria universidade, a ponto de gerirem dinheiro público (em razão disso cobram taxa de gestão) e de assumirem funções do poder público, como contratação de servidores. Dados do Dossiê Nacional sobre as Fundações do ANDES-SN demonstram que as FDP são quem depende da Universidade e não ao contrário, sendo que a principal captação de verbas são públicas ou da própria comunidade através de cursos pagos. Assim as FDP são entidades parasitas e corruptas (vide caso Thimoty/Finatec/ Funsaude e vários outros Brasil a fora) por isso seu fim é desejável e necessário, portanto, é necessário que todas as verbas sejam geridas por fundação pública sob controle dos estudantes, professores e funcionários, e uma luta para o aumento das verbas que não sejam para banqueiros ou parlamentares.



c) Novo ENEM: instrumento de intensificação da exclusão

O modelo proposto pelo governo representa uma intensificação dos pressupostos meritocráticos e da ideologia do Capital Humano e das competências. Agora o aluno terá opção de escolher diversos cursos e universidades de acordo com o ranking feito pelos índices do MEC a partir do SINAES-ENADE, porém a classificação se dará de acordo com as notas do ENEM.Assim, os melhores alunos – as melhores notas - do Exame se concentrarão em algumas poucas universidades e o governo concentrará investimentos em alguns centros de excelências de pesquisa, já beneficiado pela avaliação do SINAES sendo que algumas outras universidades já periféricas se encontrarão ainda mais marginalizadas ainda. O governo federal através do Ministro da Educação, Fernando Haddad, com apoio da União Nacional dos Estudantes, controlada e burocratizada pelos pelegos da UJS/PCdoB, adotaram a máxima dos nazistas e dos capitalistas de que uma mentira repetida várias vezes vira verdade. Assim eles fazem quando afirmam que atual Reforma Universitária está democratizando a universidade. Na verdade o ministro e a UNE anunciaram a substituição do processo seletivo descentralizado nas universidades públicas pelo Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) com algumas mudanças. O modelo é inspirado no processo seletivo americano, o Scholastic Assessment Test (SAT), e não eliminará o processo seletivo excludente que é a marca do vestibular. O modelo proposto pelo governo representa uma intensificação dos pressupostos meritocráticos e da ideologia do Capital Humano e das competências. Agora o aluno terá opção de escolher diversos cursos e universidades de acordo com o ranking feito pelos índices do MEC a par-tir do SINAES-ENADE, porém a classificação se dará de acordo com as notas do ENEM. Assim, os melhores alunos – as melhores notas - do Exame se concentrarão em algumas poucas universidades e o governo concentrará investimentos em alguns centros de excelências de pesquisa, já beneficiado pela avaliação do SINAES. O novo sistema consegue a proeza de ser mais excludente. Novamente os jovens das favelas e periferias e filhos dos trabalhadores estarão fora, a sua entrada no “ensino superior” será através do PROUNI para estudar-consumir em uma Universidade Shopping-Center. Eis a farsa. Para garantir que as universidades aprovem o Novo Vestibular o governo acena com uma prática comum no Senado e na Câmara: suborno, mensalão, jabá, etc. Assim faz Haddad: aprovem o ENEM e terão mais verbas para assistência estudantil. A Secretaria da Juventude do Ministério, a UNE, agradece. Criar comitês de luta em cada cursinho pré-vestibular e curso universitário para mobilizar e lutar pelo acesso livre é uma necessidade atual da luta contra a velha inimiga dos estudantes, a Reforma da Educação.



d) Ensino Médio Inovador: precarizar o ensino e criar mão de obra barata para a burguesia

O Ministro da Educação de Lula/PT, Fernando Haddad, já apresentou o projeto de reforma no Ensino Médio, o qual foi aprovado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). O EMI, entre outras medidas, substituirá as 12 disciplinas tradicionais por quatro grandes eixos temáticos, são eles: trabalho, ciência, tecnologia e cultura; similares aos cobrados no Enembular. Tal agrupamento em grandes blocos de disciplinas é tratado pelo MEC como “interdisciplinaridade”, no entanto representará uma diluição das especificidades de cada disciplina, tornando o aprendizado genérico e abstrato. O eixo trabalho, por exemplo, bastante enfatizado no Documento Orientador do MEC, evidencia a postura neoliberal do governo ao firmar um compromisso com o mercado de trabalho, valorizando o tecnicismo em detrimento da formação humana. Isso representa uma contradição entre os interesses dos capitalistas e dos secundaristas e docentes do ensino médio. Na Portaria Nº 971 do MEC, que institui o EMI, vemos esta evidencia quando é previsto a existência de articulação e parceria das redes de ensino público com o chamado “Sistema S” (como SESC, SENAC, SESI, SENAI etc.) – organizações empresariais cujo objetivo é treinar e qualificar mão-de-obra de acordo com a demanda do comércio e da indústria.



e) Barrar a regulamentação das profissões

Estamos passando agora também por um processo de regulamentação da profissão de diversas categorias. Na Pedagogia, por exemplo, já está tramitando na Câmara Federal sem nenhum debate nas bases da comunidade acadêmica, tratando-se de um processo antidemocrático e excludente. A regulamentação em outros cursos causou diversos problemas, como na Educação Física, com a criação de conselhos fiscais que cobram impostos e não trazem nenhum benefício para os profissionais. No caso de cursos como Pedagogia, essa regulamentação abre a possibilidade de acabar com os educadores populares, exigindo diploma de quem não tem ao invés de se criarem mais cursos de graduação.



f) Pelo Passe-livre/Livre Acesso

A bandeira do Passe-Livre estudantil, assim como a bandeira do Livre-Acesso, foi dita em outros momentos por vários setores reformistas de que não dialogava, por ser uma bandeira de médio-longo prazo, no entanto está bandeira mobilizou milhares de estudantes por todo o Brasil nos anos recentes. Em Fortaleza, em 2004, cerca de 6.000 estudantes destruíram a prefeitura e incendiaram carros da AMC como forma de protesto. Alguns universitários de hoje são dessa geração secundarista combativa que empunhava a bandeira do Passe-Livre. A bandeira do Livre-Acesso a Universidade dialoga principalmente com os estudantes secundaristas de escolas públicas, excluídos em sua maioria de cursarem cursos superiores, devido ao limitadíssimo número de vagas nas universidades públicas brasileiras. Bandeiras de médio-longo prazo como a do Livre-Acesso atreladas a bandeiras de curto prazo como a recusa do ENEM, é a melhor tática para garantir a ligação das lutas de hoje e amanhã e sua ligação estratégica. A estratégia em reivindicar unicamente bandeiras imediatistas como a "revogação do Ad Referendum" desatrelada da bandeira do Livre-Acesso tal, como o atual DCE propôs, está em acordo com a política de parlamentarismo estudantil que esse setor desempenha, que sem perspectiva de continuidade das lutas, participa dessas com o exclusivo propósito de palanque eleitoral.



g) Lutar pelo Voto Universal é lutar por democracia na universidade

O CONSUNI, é o símbolo do autoritarismo da universidade, é lá onde são tomadas todas as decisões da universidade, formada por um punhado de conselheiros onde a maioria são chefes de departamentos da universidade e fazem o jogo do reitor (este por sua vez capacho do governo). Foi lá onde foi aprovado o REUNI em 2007, sem o menor debate, com os estudantes completamente alheios ao processo. Democracia só existirá na UFC quando colocarmos fim ao CONSUNI, somente quando todos os estudantes, professores e servidores poderem votar livremente em todas as instâncias da universidade, poderemos ser realmente democráticos. Defendemos o voto universal, uma pessoa um voto, como modelo decisório para universidade em contraposição ao ultra-burocrático CONSUNI, para que absurdos como o AD Referendum possam ter fim



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Notas:

1 Esse modelo de capitalismo se estruturou a partir da década de 1920, no centro, e depois na periferia, como a América Latina. O capitalismo monopolista de Estado era uma inovação histórica, ele apresentava de forma sistemática ao Estado a tarefa de coordenar e intervir diretamente na economia capitalista.


2 As burguesias que tentaram implementar políticas nacionalistas na América Latina sempre tiveram de oscilar entre o discurso de defesa e proteção dos trabalhadores e sua lealdade ao capital/imperialismo. Isso aconteceu, por exemplo, com Getúlio Vargas no Brasil e o Juan Peron na Argentina. A ilusão de um capitalismo nacional aos moldes europeus se desfez sob as ditaduras.


3 Ele é baseado em três eixos: a) precarizar o trabalho, aumentando a intensidade e o número de funções de um trabalhador; b) criar formas de “colabo-ração” e participação dos trabalhadores na empresa, transformando os sindicatos por exemplo em “escolas” de diretores de empresa; c) repressão, através de demissões e perseguição cotidiana.


4 Ele provocou mudanças na estrutura de classes e políticas: a) aumentou o peso dos trabalhadores precarizados e marginalizados (que nos países periféricos como o Brasil, já era grande anteriormente); atualmente, o número de desempregados e trabalhadores na informalidade supera os na forma-lidade; b) difundiu uma onda de reformas neoliberais em governos pelo mundo, que cortaram os já reduzidos direitos trabalhistas e previdenciários existentes; c) aumentou a exploração e comprimiu os salários em setores que antes eram protegidos (como determinadas categorias do serviço público); d) aumentou a força dos bancos e do capital financeiro que passaram a comandar as políticas econômicas em escala global. e) acentuou a concentração de capitais, formando-se ultra-monopólios em escala global, as grandes corporações.


5 sítio Contas Abertas, 23/04/2010


6 sítio da Assembléia Legislativa – CE, 25/06/2008


7 site do ANDES-SN

Manifesto da RECC ao XXX ENEPe

Construir um ENEPe classista e combativo


Entre os dias 17 a 24 de Julho, ocorrerá em Brasília - UnB, o 30º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEPe). O encontro se dará em uma conjuntura desfavorável e limitada, pois torna-se necessária cada vez mais uma discussão séria e aprofundada sobre os rumos do curso de pedagogia, bem como de toda a educação brasileira.


A Reforma Universitária de Lula/PT, a precarização do Ensino Público e o curso de Pedagogia

Nos últimos anos, a reforma universitária vem se ampliando progressivamente, danificando e pondo em risco uma educação pública de qualidade, e com a entrada do ministro Haddad a precarização intensificou- se nos diversos níveis de ensino.


Podemos constatar os efeitos perversos do projeto privatizante dos petistas para a educação, por exemplo, no intensivo aumento de faculdades privadas, que representam hoje mais de 75% das matrículas feitas no ensino superior (INEP 2008). Vemos as conseqüências nitidamente em nosso curso, onde se abrem diversos cursos de baixa qualidade, com menos de 3 anos em instituições sem estruturas. O plano de governo que consta todos esses ataques à educação é o famigerado PDE (Plano de Desenvolvimento Educacional) , o “PAC” da educação, que em seu primeiro momento lançou o REUNI, PROUNI e ENADE, e agora nos ataca com o elitista Novo Enem, e o projeto que visa transformar o ensino médio em algo tecnicista e voltado para os interesses do capital, o Ensino Médio “Inovador” (EMI).


Pertencentemente a esse processo de precarização crescente, vemos o aumento de cursos de pedagogia a distância. É necessário deixar claro que a utilização de novas tecnologias é salutar para o processo de ensino e aprendizagem. Mas a questão a se colocar é como o governo se utiliza desses projetos. No caso da UAB (Universidade Aberta do Brasil) fica claro que o governo Lula/PT utilizar-se de novas tecnologias apenas para baratear os custos da educação.


Um curso universitário é composto por um tripé, ensino, pesquisa e extensão, e a maioria desses cursos, de rede privada ou semi-presencial, que vem se proliferando nos últimos anos, não compõem este tripé, descaracterizando os cursos universitários, transformando os cursos em verdadeiros “escolões”. E infelizmente, apesar da sua relevância social, o curso campeão em universidades pagas e cursos a distância é o curso de pedagogia.



Regulamentação da profissão de pedagogo

Estamos passando agora também por um processo de regulamentação da profissão do pedagogo, que já está tramitando na câmara federal sem nenhum debate nas bases da comunidade acadêmica. A regulamentação em outros cursos causou diversos problemas, como a criação de conselhos fiscais que cobram impostos e não trazem nenhum beneficio. No caso do nosso curso, com essa regulamentação, abre-se a possibilidade de acabar com os educadores populares, exigindo diploma de quem não tem ao invés de se criarem mais cursos de graduação.


Encontros de área e a luta dos estudantes de pedagogia

O curso de pedagogia é composto em sua maioria por mulheres de origem proletária, que muitas vezes trabalham, estudam e sustentam uma casa, tendo em diversos casos uma jornada diária dupla ou até mesmo tripla. A maioria das faculdades não tem creches, nem berçários que venham a atender as necessidades das estudantes que são também mães. Esse é o perfil do estudante de pedagogia, estudante do povo, que como tal deve primar que o encontro possa discutir as necessidades dos estudantes da classe trabalhadora, o que passa pelas discussões também acerca da assistência estudantil.


Em 2010 ocorrerão por todo o Brasil encontros nacionais de estudantes de diversos cursos, conhecidos como encontro de área, esses encontros são extremamente importantes na perspectiva de organizar os estudantes por suas problemáticas de curso. Muito mais do que discutir questões acadêmicas, o encontro tem como objetivo organizar os estudantes por suas especificidades de curso, mas também debater a importância do seu curso para a sociedade.

Mas infelizmente a grande maioria dos encontros por área, refletindo a triste realidade do movimento estudantil nacional, acabou por se tornar grandes espaços festivos completamente despolitizados. Tudo o que quer uma juventude atrelada ao governo (UNE). Essa entidade já recebeu mais de 10 milhões do governo Lula/PT, e cumpre o vergonhoso papel de defensor das reformas neoliberais do governo dentro do Movimento Estudantil, servindo como uma verdadeira correia de transmissão dos interesses do governo e contra os estudantes.

É necessário que o ENEPe seja um encontro que vise armar os estudantes de pedagogia para todas as problemáticas acima mencionados, combatendo as reformas neoliberais do governo Lula/PT para a educação, bem como a formação de um pedagogo comprometido com a classe trabalhadora e auxiliar em toda a organização da luta de classes. Organizando encontros em caráter de congresso, que possam ser deliberativos a partir da base e que tenham espaços democráticos de discussão como defesa de teses.



Construir uma Plenária de estudantes combativos


Nós da Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC), entendemos que no capitalismo a sociedade é dividida em classes, entre exploradores e explorados, trabalhadores e burgueses. Entendemos que nessa sociedade não há meio termo. E os estudantes que são uma fração da classe trabalhadora, como os estudantes de pedagogia, devem defender os interesses da classe trabalhadora, estando com ela nas lutas e por suas reivindicações históricas. O estudantado de pedagogia tem assim um compromisso com a luta de classes.


Nesse sentido convocamos a todos os estudantes de pedagogia, comprometidos com a causa do povo, a participarem de uma plenária da RECC no ENEPe, para organizamos os estudantes combativos em um pólo que possa lutar contra a influência do governismo da UNE no movimento estudantil, suas reformas neoliberais, bem como a influência do para-governismo (PSOL/PSTU) que destrói a luta da classe com uma política eleitoreira e reformista.



POR UMA EDUCAÇÃO A SERVIÇO DA CLASSE TRABALHADORA! POR UMA PEDAGOGIA QUE SIRVA AO POVO!
CONSTRUIR NA PEDAGOGIA UM MOVIMENTO ESTUDANTIL CLASSISTA E COMBATIVO PELA BASE! ROMPER COM O GOVERNISMO E COM O OPORTUNISMO! ABAIXO A UNE TRAIDORA DOS ESTUDANTES! VIVA A LUTA DOS ESTUDANTES E TRABALHADORES!

sábado, 17 de julho de 2010

Manifesto classista e combativo ao XXV Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Sociais:



Entre os dias 16 a 23 de Julho, estará acontecendo na UFPA-Belém o XXV ENECS, que terá como tema: "Impasses e Contradições na Formação e Atuação do Cientista Social". Este Encontro partiu de uma deliberação da Plenária Final do último XXIV ENECS, mas só “começou” a ser construído no burocrático CONECS (Conselho Nacional de Estudantes de Ciências Sociais) – realizado em Janeiro na cidade em Maceió – o qual foi encaminhado sem as devidas e necessárias discussões e com a ínfima participação do conjunto dos estudantes. Pela própria programação podemos observar o extremo academicismo e momentos festivos.

Breve Análise


O movimento estudantil como um todo e o de ciências sociais em particular se encontram estagnados e burocratizados. Vemos isto na clara ausência de mobilização e lutas concretas. A antiga FEMECS (Federação do Movimento Estudantil de Ciências Sociais), que teve curto período de vida (1997 a 2001), selou o fim da existência de uma estrutura orgânica a nível nacional. Isto se deu pela atuação de partidos eleitoreiros (PT, PCdoB etc) que trouxeram prática burocrática para a Federação, que a isolou paulatinamente dos estudantes, fazendo-a perder sua legitimidade e levando ao seu definhamento prático em 2001.

Atualmente esta tendência burocrática continua viva e se beneficiando da desorganização. Seu maior exemplo são os grupos hegemônicos do M.E, que se utilizam de práticas legalistas e cupulistas, e não levam ao rompimento de fato com o governismo, ou seja, não rompem efetivamente com a UNE (que há muito está vendida ao governo), nem com o reformismo em geral. A pelega UNE através de seus partidos dirigentes (PT/PCdoB/UJS), se mostra como exemplo concreto da transição pacífica do movimento estudantil para o controle do Estado a partir da administração Lula/PT (2002-2010), onde as alianças da sua burocracia com o governo e a burguesia subjugam a força coletiva dos estudantes a partir do desmonte ideológico de nossas reivindicações materiais e do desmantelamento de nossas organizações, degeneradas em corporativismo, burocracia e submissão à orgia das eleições burguesas.

Além disso, temos também o setor para-governista do PSTU e o PSOL, que mantém um posicionamento dúbio/conivente em relação a UNE. Essas organizações partidárias reformistas têm como concepção de movimento a articulação da luta pela cúpula, ou seja, através de partidos e correntes estudantis, mais interessados em conquistar as entidades e os aparatos, impedindo assim o desenvolvimento de um movimento real de massa combativo e o protagonismo (ação direta) dos estudantes pela base. Por outro lado, existe uma atitude crescente no Movimento Estudantil que se diz apartidário e contra os partidos, mas que faz um papel igual ou pior que os partidos eleitorais. Desmobilizam o Movimento Estudantil apostando no individualismo e na “confluência espontânea de idéias”, que podemos identificar como um tipo de liberalismo pequeno-burguês envolto de palavras e símbolos “libertários”.

Este XXV ENECS não deve fugir desta conjuntura política descrita. A estrutura/organização e vontade política destes setores é baseada nas práticas que apenas assolam o Movimento Estudantil num profundo imobilismo, “fanfarronagens” e afastamento das bases para a luta real. Mas devemos nos organizar para modificar esta realidade!

Lutar para Organizar, Organizar para Lutar:

Para romper com esta lógica conjuntural precisamos pensar uma nova prática político-organizativa. Nós da Rede Estudantil Classista e Combativa, que estamos organizados em outras universidades do Brasil e em outros Cursos também, convocamos os estudantes combativos de Ciências Sociais a estarem construindo conosco uma rede nacional de que atue na base através de coletivos de curso (o que já começamos com os coletivos LutaSociais no DF e RJ) e defenda os seguintes princípios: a) Anti-governismo (Contra a UNE, o PT, UJS e as políticas neoliberais do Governo Lula para Educação), b) Combatividade (a qual entende que só através da ação direta dos estudantes e trabalhadores conseguiremos avançar nas conquistas), c) Classismo (Onde devemos ligar o movimento estudantil proletário à construção de um movimento nacional de oposição sindical e popular), d) Democracia de Base (Aonde as deliberações/discussões venham da base, das assembléias de cursos, com a eleição de delegados com mandatos imperativos e revogáveis e a construção de um Congresso de Curso).

Seguindo este pensamento e visando a construção de uma estrutura orgânica nacional combativa e democrática, defendemos para este ENECS de 2010 que seja encaminhada a realização de um congresso estudantil de ciências sociais para 2011, feito pela base, com tiragem de delegados em assembléias por curso, com critérios definidos, que seja o caminho para uma maior mobilização e discussão dos estudantes. Deste modo apontamos que o congresso deve ter como pauta 4 pontos de discussão: 1) organização e concepção do Movimento Estudantil de Área; 2) universidade e conjuntura; 3) formação em ciências sociais, onde estaria em discussão o currículo e o projeto político-pedagógico do curso; 4) sociologia no ensino médio.

Propomos que a própria realização de congressos (anuais ou bianuais) seja um elemento orgânico dessa futura organização, que poderá se estruturar da seguinte forma: 1) Congresso Nacional: delegados eleitos por assembléia geral dos cursos - órgão deliberativo nacional máximo; 2) Plenária Nacional de Delegados de Base - órgão deliberativo regular intermediário composto por membros eleitos nas assembléias geral dos cursos; 3) Executiva Nacional - órgão de direção e encaminhamento político, subordinado a Plenária e Congresso.

Para que isso se concretize a nível nacional precisamos nos organizar a nível local, nos Movimentos de Área. Para que essas lutas estejam mobilizadas, é preciso levá-las para as bases, isto é, para os DA's e CA's, permitindo assim um acúmulo de discussão e apontamentos práticos para o combate ao oportunismo de esquerda e ao sucateamento da Educação. Por isso, chamamos a todos os estudantes, sinceros lutadores, que desejam agir contra os ataques dos empresários, governos e seus lacaios, para construir uma educação que sirva verdadeiramente ao povo e não a burguesia!


Sem organização para a luta nos tornamos reféns do oportunismo de esquerda e da burguesia!

Viva a ação direta de estudantes e trabalhadores!

Por um Congresso de Base!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Movimento de Curso de Sociologia - Lutas Sociais - UFF


Chamado para a construção do
Coletivo Lutas Sociais/UFF!


1) O Movimento Estudantil de Ciências Sociais e seu imobilismo

O movimento estudantil como um todo e o de ciências sociais especificamente se encontram estagnados e burocratizados. Isso fica claro na ausência de mobilização e lutas. Antes de falarmos da importância de DA's, CA's, grêmios e formação de oposições combativas e classistas, se faz necessário falar os motivos que geram o imobilismo e a burocratização que caracterizam o atual movimento estudantil.

O M.E é formado majoritariamente pelas correntes ligadas ao governismo (UNE – PC do B/UJS e PT) e pelas correntes reformistas e para-governistas (OE- UNE / ANEL- PSTU). O primeiro setor legitima e reproduz a política neoliberal do governo Lula. Percebemos essa postura, por exemplo, quando este setor defendeu e ainda defende o REUNI em todas as Universidades Federais e o PROUNI em todas as Universidades Privadas gerando, assim privatizações e sucateamentos .

Já os setores reformistas fazem uma oposição camuflada ao governismo, pois não conseguem (e parecem nem querer) romper com o mesmo. Exemplos disto não faltam: 1) a luta oportunista contra o REUNI, uma vez que não impulsionou uma luta combativa para barrar o projeto, ao passo que depois de aprovada não fizeram mais nenhuma crítica contundente e propositiva; 2) nas diversas ocupações que ocorreram nos anos de 2007 e 2008 (USP, UFF e UNB) as quais no momento ápice fizeram a política de esvaziamento; 3) nos piquetes contra a expansão do ICHF-UFF em 2008, quando apostou fichas na burocracia universitária, ao invés de impulsionar uma luta radicalizada que já havia sido iniciada como Assembléias Comunitárias e piquetes, etc. Dessa forma, esta “oposição” se mostra meramente legalista, tal qual é feita por estes partidos numa esfera macro, isto é, a nível municipal, estadual ou federal. A essa prática burocrática chamamos de parlamentarismo estudantil que, na maioria das vezes, buscam seus cargos políticos nas diferentes esferas.

Tais setores se caracterizam também pela prática do cupulismo, isto é, por fazer acordos de cúpulas, em detrimento da base, tirando desta forma o protagonismo dos estudantes, que é a sua capacidade de luta direta pela transformação social. Isso mostra o apego que tais correntes possuem pelas direções de entidades. Essas características, dentre outras, produz/reproduz um movimento estudantil burocrático e pelego.


2) O DACS-UFF: “autogestão por autogestão” gera imobilismo e individualismo

Desde o final da década de 90 ocorre uma disputa política e ideológica pela organização do DACS. Esta é caracterizada por aqueles estudantes que reivindicam a autogestão ou gestão coletiva (1) e aqueles que defendem a democracia representativa aos moldes eleitoreiros e na maioria das vezes estão dentro das correntes políticas mencionadas anteriormente.

Nesta disputa, os primeiros levaram a melhor e desde 2003/2004 existe um estatuto que orienta e regula o DACS. Este estatuto prioriza a participação e a discussão de idéias, evitando assim as boiadas (pessoas que participam por coleguismos e/ou por não saber exatamente do que se trata exatamente) e as práticas cupulistas. Nestes anos, o DACS participou de muita lutas combativas (greve de 2005, piquetes de 2008, etc.), realizou encontros regionais, nacionais, semana de ciências sociais, debates, cine-raimundã o, além de sempre ter difundido e levado uma política que rompesse com o governismo. O exemplo disso foi o rompimento com a UNE em 2005.

Porém de uns 2 anos para cá o Diretório Acadêmico cada vez fica mais esvaziado: 1) pela política de boicote, personalista e oportunista realizada, principalmente, por alguns militantes do PSOL; 2) e pelo ideário “o DA é de todos e aqui cada um faz o que quiser” presente em estudantes independentes que tocam o DACS sem nenhuma organização e orientação política, criando e reproduzindo a um individualismo liberal.

A gestão coletiva ou autogestão só funciona quando tal entidade é organizada e alinhada a uma orientação específica, onde os estudantes tenham disciplina e responsabilidade coletiva, o que não ocorre há muito tempo.


3) A necessidade de CA's, DA's, grêmios e oposições combativas e classistas

Nesse contexto, é fundamental que os estudantes sinceros e com vontade de mudar a sociedade se aglutinem para disputar as entidades mencionadas (se estas abrirem espaço para participação) ou então formem oposições classistas e combativas para tocar a luta e assim também disputar a entidade.

Dessa forma, o Coletivo Lutas Sociais nasce com o objetivo de aglutinar os estudantes sinceros e que querem lutar, não só pela mudança do quadro em que se encontra o DACS, mas também pelas demandas de nosso curso, bem como as demandas da universidade como um todo. Temos como princípios: 1) ação direta; 2) anti-governismo; 3) democracia de base; 4) solidariedade de classe, pois entendemos que os estudantes são uma fração da classe trabalhadora.

Defendemos para as Ciências Sociais: 1) mais disciplinas a noite, pois o estudante-trabalhad or quer estudar; 2) maior oferta de disciplinas optativas; 3) contratação de professores/ abertura de concursos ; 4) contra a fragmentação do curso

Bandeiras para Universidade: 1) fim do vestibular, acesso livre já; 2) aumento de bolsas; 3) melhoria do bandejão; 4) reforma, aquisição de novos exemplares e ar-condicionado na Biblioteca; 5) moradia estudantil já; 6) contratação de professores e técnicos administrativos/ abertura de concursos; 7) integração dos terceirizados ao quadro do servidor público e o fim destes “servições” terceirizados; 8) fim dos cursos pagos e das fundações privadas; 9) abaixo o CUV; pela realização das assembleias comunitárias; 10) passe-livre universitário irrestrito.




Não a esta universidade elitista!

Por uma universidade à serviço do povo!


Construir o movimento estudantil classista e combativo!!!

Fim do vestibular já!!!

Construindo a Rede Estudantil Classista e Combativa



OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!


(1) Neste grupo há estudantes que estão participando de alguma organização e outros intitulados como independentes.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Movimento de Curso de Geografia - UnB: Território Livre


COLETIVO DE GEOGRAFIA


“TERRITÓRIO LIVRE”

"Saber pensar o espaço, para saber nele se organizar, para saber nele combater... Afinal, nem toda região montanhosa e arborizada é Sierra Maestra."
Yves Lacoste, geógrafo francês.


O quadro atual do ensino superior brasileiro é alarmante. A Reforma Universitária do Governo Lula/PT demonstra que mesmo sendo aplicada de forma fragmentada faz parte de um todo articulado, aprofundando o processo de apropriação capitalista das Instituições de Ensino Superior. Tal afirmação tem sua comprovação no caráter de programas como o Prouni, que transfere as recursos públicos para o empresariado das faculdades privadas; o recente repasse de $ 1 bi do BNDES para as “privadas”; a Lei de Inovação Tecnológica que transforma a universidade em espaço de produção de ciência para empresas; a proliferação das fundações privadas e cursos pagos; o REUNI que visa a precarização da educação e do trabalho nas Universidades Públicas com o aumento de vagas sem infra-estrutura e professores/funcionários suficientes. A Luta em Defesa dos Trabalhos de Campo na geografia se torna fundamental, portanto, dentro de uma luta maior contra precarização da educação e CONTRA O REUNI.


Nosso coletivo e o CAGEA:

O Coletivo “TERRITÓRIO LIVRE” tem como objetivo primeiro estar iniciando um processo de mudança do nosso curso e principalmente do Movimento Estudantil de Geografia (MEGEO). É preciso mudar a concepção de Centro Acadêmico (CA) que atualmente possuem alguns estudantes, principalmente alguns “veteranos”, que acreditam ser o CA um lugar onde as pessoas individualmente (ou com um grupo de amigos) possam se apropriar do CA para realizar atividades particulares acima dos interesses que envolvem o curso e os estudantes de geografia de forma geral. Nós do Coletivo “TERRITÓRIO LIVRE” queremos um CA pra lutar!

Ao contrário de uma visão apolítica que acredita na neutralidade, nós acreditamos que uma entidade como o CA está sempre caminhando em uma direção, porém, essa direção deve ser democraticamente eleita, através do voto com disputa de chapas, onde obviamente, as assembléias gerais de curso tem caráter fundamental para o andamento da luta como órgão de deliberação máximo; para aumentar a participação devem ser criados Grupos de Trabalho (GT’s) abertos a qualquer estudantes interessado em tocar as atividades do CAGEA. É necessário que o CAGEA saia do apoliticismo e da “porra-louquisse”, e isso só se dará combatendo a influência ideológica da burguesia dentro universidade, que paralisa as lutas e a organização coletiva dos estudantes.


Nós do Coletivo “Território Livre” defendemos um CAGEA que:

- Seja aliado da luta da classe trabalhadores do campo e da cidade, defendendo o CLASSISMO no caráter de nossas lutas ou na produção da ciência produzida no curso de Geografia;
- Aposte nos métodos de Ação Direta, tais como ocupações de órgãos públicos, fechamentos de ruas, paralisações unificadas com os trabalhadores (tal como na USP) que caminhem para uma greve geral da educação. Acreditamos que ao invés dos acordos de cúpula e parlamentaristas (privilegiados pelos partidos reformistas), a ação direta combativa é o único método que garantirá nossas pautas reivindicativas imediatas e históricas.
- Seja independente perante o Estado burguês e seus diversos governos, independente da burguesia e dos partidos políticos. Atualmente, com o advento do “petismo” vimos às maiores organizações estudantis e sindicais (UNE, CUT) virarem “correias de transmissão” das políticas neoliberais do Governo Lula, portanto é necessário aprender com a experiência, negando o parlamentarismo eleitoreiro e lutando pela independência das entidades de base.

Convocamos todos os calouros e demais estudantes de geografia a estarem cerrando fileiras conosco nessa batalha pela revitalização de um CAGEA classista e combativo, com democracia e luta. Fazemos esse chamado principalmente aos calouro por acreditar que atualmente no nosso curso existe uma luta do velho contra o novo, onde os calouros querendo participar e lutar são impelidos pelos veteranos reacionários a mesma dinâmica pequeno-burguesa de apatia e apoliticismo. Unam-se ao TERRITÓRIO LIVRE!


O Movimento Estudantil Nacional de Geografia

Atualmente no ME brasileiro existe o que se chama de “movimentos de área”, que agrupam os estudantes de determinado curso, no nosso caso o de Geografia. Mas o que se vê é que, longe de serem espaços para organizar as lutas dos estudantes, tais espaços dos Movimentos de Área como os Encontros Nacionais são verdadeiras colônias de férias pequeno-burguesas, onde desde a base se cria um clima festivo, de esvaziamento dos debates e das disputas políticas, onde os participantes não estão representando as bases organizadas e sim participam aqueles com tempo, dinheiro e vontade de “curtir a viagem”. O ENEG e o ME de Geografia se inserem em tais críticas, e a burocratização e a desorganização vão se aprofundando.

O Coletivo “TERRITÓRIO LIVRE” defende a necessidade também da (re)organização nacional do MEGEO. É necessário que o CAGEA saia do isolamento e se articule com um movimento combativo nacional de estudantes de geografia. Para iniciar tal processo de reorganização, nós defendemos como pontos fundamentais: a) A realização de um congresso de base nacional, com delegados eleitos em assembléia, para reestruturarmos nossa organização; b) A articulação de um movimento de oposição de GEA que tenha um programa classista e combativo e capacidade de organizar e combater a burocracia no movimento.


Geografia e Luta de Classes

Acreditamos que a luta por um Universidade Popular e a serviço da classe trabalhadora, do campo e da cidade, perpassa também pela luta acadêmica por uma ciência também a serviço do trabalhadores, e enquanto Geógrafos, por uma Ciência Geográfica Crítica e Revolucionária, que esteja lado a lado nos enfrentamentos do proletariado, produzindo uma Geografia verdadeiramente comprometida com a CAUSA DO POVO.

Atualmente, existe na universidade uma ideologia burguesa muito forte, que negando a verdade da luta de classes e o método materialista para análise da realidade confunde muitos estudantes com um ultra-relativismo teórico-político, fazendo com que se defenda o “fim das classes sociais“ e supostamente se colocando acima delas, em uma ilha de neutralidade e pluralidade, enquanto nosso povo morre de fome e na luta diária por uma vida melhor e mais digna. Mudar a realidade significa luta e combate, tal neutralidade e pluralismo não é nada mais que um posicionamento reacionário para manter as coisas tal como estão.

Os trabalhos de campo bem orientados teoricamente tem uma importância chave no ensino de Geografia, pois aproxima os estudantes da realidade de seu povo e do cenário da luta de classes, saindo do ambiente academicista e da ideologia burguesa colocados na universidade. São fundamentais para a garantia da qualidade do ensino e do tripé ensino-pesquisa-extensão, que há alguns anos as políticas neoliberais vêm destruindo através da Reforma Universitária, onde são criados curso de geografia sem a mínima estrutura, são cortados os ônibus e materiais dos que tinham anteriormente, etc.



Por uma Ciência Geográfica crítica e a serviço da causa do povo!

VIVA A AÇÃO DIRETA DOS ESTUDANTES E TRABALHADORES!

Junte-se ao Coletivo de Estudantes de Geografia TERRITÓRIO LIVRE!



“(...) a geografia, através da análise dialética do arranjo espacial, serve para desvendar máscaras sociais, vale dizer, para desvendar as relações de classes que produzem esse arranjo. É nossa opinião que por detrás de todo arranjo espacial estão relações sociais, que nas condições históricas do presente são relações de classes.”
Ruy Moreira



Email para contato: estudantes_classistas@yahoo.com.br

oposicaocci.blogspot.com | redeclassista.blogspot.com

sábado, 29 de maio de 2010

Comunicado Nacional da RECC Nº02 - Manifesto aos Congressos da Conlutas e Conclat


Em defesa de uma


CENTRAL DE CLASSE





O exemplo que não deve ser seguido: degeneração da CUT

O inicio do processo de reorganização do movimento sindical no Brasil, no final dos anos 70, contribuiu consideravelmente na transição da ditadura civil-militar para o regime democrático burguês. A expectativa de que o modelo sindical varguista-estatista também iria ser modificado, a propósito mesmo da CUT que em seus primeiros congressos travou luta contra esse modelo, fracassou. O estatismo sindical, com suas bases assentadas na unicidade e no imposto sindical, que garantem a tutela dos sindicatos pela justiça burguesa, entretanto, sobreviveram.

O abandono da luta da CUT contra a estrutura sindical gerou por conseqüência sua acomodação a esse modelo, virando uma sucursal do Estado, em um processo de cooptação progressiva, razão de sua degeneração. A adoção posterior às teses do sindicalismo propositivo, em meados de 1990, reforçam esse processo de submissão estatal, transformando-a nessa central ultra-pelega chapa branca dentro do meio sindical.



O PT na presidência e a transição pacífica dos movimentos sociais aos interesses do governo e da burguesia

A vitória do PT nas eleições presidenciais de 2002 e 2006 evidencia o aprofundamento desta linha, gerando efeitos objetivos e subjetivos na luta de classes no Brasil. Parte do movimento sindical-popular, como CUT, UNE e MST, que historicamente foram hegemonizados pelo reformismo de esquerda do PT/PCdoB, foram cooptado para a esfera dos interesses do governo, se tornando assim o braço do governo no movimento sindical-popular, atuando como correia de transmissão dos interesses governistas nas organizações dos trabalhadores.

As organizações citadas abandonaram a defesa da classe trabalhadora em nome da colaboração de classes, do “pacto social” com o governo Lula/PT e o capitalismo, facilitando a implantação das reformas neoliberais tentadas anteriormente pelo governo FHC, uma vez que neutralizaram a resistência ideológica e organizativa dos trabalhadores. A CUT e UNE são os exemplos concretos da transição pacífica dos movimentos sociais para a esfera do governo a partir da administração Lula/PT, onde a aliança da burocracia sindical-popular com o governo e a burguesia subjugam a força coletiva do proletariado a partir do desmonte ideológico de suas reivindicações materiais e do desmantelamento de suas organizações, degeneradas em corporativismo, reformismo e burocratismo. Essa degeneração é fruto do modelo de sindicalismo propositivo adotado pela CUT, um sindicalismo que foi incapaz de romper com o modelo varguista-estatista de atrelamento institucional das organizações dos trabalhadores ao governo.

O papel histórico desempenhado pelo reformismo do PT/PCdoB/CUT foi garantir a transição pacífica do movimento sindical-popular para os interesses do Estado e do capitalismo, seu papel foi de contenção da luta de classes e de colaboração com o governo e a burguesia.



A Conlutas enquanto instrumento anti-governista

A fundação da CONLUTAS, em 2006, se deu, então, sob o auge do ciclo reformista, ou seja, quando as organizações de classe se subordinam ao poder central do país, obtido via Lula/PT, confiando a este o papel de realizar as mudanças sociais e econômicas. Este governismo paralisou CUT e UNE, que não encaminhavam as principais lutas dos trabalhadores e estudantes.

Assim, a criação da CONLUTAS apontava, acertadamente, para duas rupturas fundamentais no movimento sindical-popular-estudantil: 1)se desligar das organizações governistas colocando a própria CONLUTAS com alternativa à classe trabalhadora, e; 2)apontava, através de sua construção como uma central de classe, para uma possível ruptura de concepção de movimento corporativista e social-reformista, quando aglutinava em seu interior movimentos populares, de trabalhadores desempregados e informais, camponeses, estudantes e de minorias. Ou seja, estavam dadas condições positivas para o desenvolvimento estratégico das lutas de nossa classe.



Os ziguezagues na CONLUTAS: a política de liquidação pelo setor majoritário

No entanto, as orientações dadas pelo setor majoritário na CONLUTAS desviavam inclusive das resoluções do 1º CONAT. Já no segundo semestre de 2006, este setor, no Rio de Janeiro, articulou duas alianças com o PCdoB: na eleição do Sindicato dos Metalúrgicos da Região Sul Fluminense, apoiando a chapa 3, formada pela CSC; e na eleição do Sintergia, com a chapa 2, também contendo a CSC (braço sindical do PCdoB).

Não somente aí, mas a unidade com setores governistas e paragovernistas pode ser vista em várias campanhas e atos articulados conjuntamente, como na Frente de Luta Contra as Reformas Neoliberais, Ato Pela Redução da Taxa de Juros, A Vale é Nossa, Comitê Pela Reestatização da Embraer, Pré-Sal em que ser Nosso etc. Os efeitos dessa unidade para a CONLUTAS foram a estagnação da construção da própria Central, a perda do trabalho de base e consequentemente do protagonismo das lutas.

A adequação da CONLUTAS à Lei 11.648/2008 mostrou que esta dava um mais um passo atrás. Tal lei amplia a estruturação sindical tutelada pelo estado, favorecendo a formação de sindicatos sem base, financiando-a com o imposto sindical etc. O não encaminhamento de uma luta séria contra este processo reforçou a concepção oficialista.

Os principais erros táticos e políticos na CONLUTAS foram então: 1)estabelecer unidade com os governistas; 2)fusão com os paragovernistas da INTERSINDICAL,e; 3)aceitação e enquadramento da CONLUTAS à estrutura do sindicalismo de Estado.



Da liquidação à reorganização

Diante da difícil situação em que se encontra o movimento estudantil, sindical e popular, afundado em práticas legalistas e colaboracionistas, alguns estudantes reunidos durante o Congresso Nacional de Estudantes - CNE, realizado no Rio de Janeiro de 11 a 14 de junho de 2009, organizaram paralelamente a plenária do Movimento Estudantil Classista e Combativo, composta por delegados e observadores. Buscando um eixo comum de atuação, denunciamos a política do campo majoritário naquele encontro, composto pelo PSTU e correntes do PSOL, onde o primeiro defendia a fundação de uma entidade estudantil sem romper efetivamente com a UNE, e o segundo sendo justamente este elo que ainda permanece nesta entidade governista.

A proposta dos estudantes combativos vem se materializando através da RECC - Rede Estudantil Classista e Combativa, que aglutina estudantes de diferentes partes do país, através da atuação nas entidades de base e oposições, tendo por base o CLASSISMO, A AÇÃO DIRETA, DEMOCRACIA DE BASE, A LUTA ANTI-GOVERNISTA E ANTI-REFORMISTA. Opomos-nos ao parlamentarismo estudantil, que se dá na manutenção de cargos burocráticos através de acordos de cúpulas, seja em entidades do movimento estudantil ou nos conselhos universitários, levando o movimento a seguidas derrotas, pois deixa a organização dos estudantes para a luta direta em segundo plano, canalizando as mobilizações para eleições ou negociação com a burocracia acadêmica.

A situação atual de liquidação da CONLUTAS, via fusão com a Intersindical, expressa o abandono da construção de uma Central de Classe. A nova central será, então, uma central estritamente sindical, pois ainda que comporte o movimento estudantil e popular em seu interior, esta participação será simbólica, como já apontou o ocorrido no 1º Congresso da CONLUTAS em 2008 quando reduziu a participação do ME.

A caracterização policlassista relegada ao movimento estudantil nega, por um lado, a importante perspectiva classista para esse setor e permite, por outro, o desenvolvimento de políticas de colaboração com a burguesia no seio do movimento. É óbvio que a condição de estudante não se confunde com a condição de classe. Mas a grande massa dos estudantes brasileiros é de trabalhadores. E se faz necessário construir um movimento estudantil classista e combativo. A reprodução do acumulo de capital também se dá nas escolas e lá devem ser também combatidas.

Entendemos que os estudantes são uma fração da classe e devemos ter uma linha clara de atuação para combater não só o avanço neoliberal, mas as variantes desenvolvimentistas da expansão do capital. O movimento estudantil deve se associar à luta pela defesa dos interesses econômicos e políticos do conjunto da classe trabalhadora, interesses imediatos e históricos. E que compreenda que existem tarefas de organização, de luta contra a burocracia e tutela estatal que são pré-condições para a formação de um verdadeiro poder dos trabalhadores. Isso é possível se nos lançarmos à luta como filhos e membros da classe trabalhadora, fortalecendo uma verdadeira retaguarda para o movimento sindical-popular, para não se perder no discurso abstrato de “união entre estudantes e trabalhadores”. Temos que criar as condições para que isso seja uma realidade. Buscamos este vínculo organizativo e ideológico atravez de uma Central de Classe.



Construir uma Plenária de Movimentos de Oposição

Convocamos os estudantes presentes nesse congresso a participar da Reunião da RECC, discutindo as questões levantadas e apontando intervenções práticas para garantir a construção de um movimento classista estudantil, popular e sindical organizados conjuntamente em uma central de classe.

No mesmo sentido propomos também a participação dos setores combativos do movimento estudantil, sindical e polpular em uma Plenária de Movimentos de Oposição que tenha como eixos: 1) lutar contra o neoliberalismo e as políticas de reestruturação produtiva no setor público e privado e ao caráter desenvolvimentista que sempre acentua o poder dos monopólios e a exploração; 2) articular as lutas reivindicativas sindicais, estudantis e populares, integrando também os setores integrados e marginalizados da classe trabalhadora; 3) marcar uma posição classista e internacionalista, o que significa desenvolver uma pauta de solidariedade ativa as causas dos trabalhadores em todo o mundo; 4) lutar pela autonomia da organização sindical, popular e estudantil, combatendo a burocratização e o centralismo desorganizador.



Pela construção do sindicalismo classista e revolucionário!
Por uma central de classe!

domingo, 9 de maio de 2010

Estudantes combativos organizam ato no DF por um verdadeiro passe-livre!



(Confira mais fotos no sítio dos secundarista do DF: Combate Estudanil)

Atualmente no Distrito Federal os estudantes e toda a classe trabalhadora passam por diversos problemas provenientes do sistema de transportes e mais especificamente da farsa do “passe-livre” e da burocrática empresa “Fácil”. Tal “passe-livre”, cheio de restrições e que enche ainda mais o bolso da rica e mafiosa burguesia dos transportes (através do subsídio completo por parte do GDF), ao contrário de ajudar, nos trousse uma série de problemas, pois muitos não conseguiram recarregar seus cartões de passe, tiveram que pagar o preço integral, ficaram em filas imensas por horas etc.

No dia 30 de abril, os estudantes combativos, organizados no Grêmio Estudantil do CEAN e na Rede Estudantil Classista e Combativa-RECC, fizeram uma manifestação reunindo em seu auge cerca de 200 estudantes, exigindo um verdadeiro passe-livre, contra a burocracia da Fácil, combatendo o GDF e a Máfia dos transportes. A manifestação teve início às 11h quando os estudantes do CEAN abriram a força o portão da escola e juntamente com estudantes da UnB fecharam a L2 Norte inteira, queimando pneus para bloquear a avenida e distribuindo panfletos nos carros, ônibus e para os pedestre. Os estudantes seguiram em marcha para o colégio Paulo Freire, onde foram feitas falas aos estudantes de tal escola que se juntaram na manifestação. O ato terminou cerca de 13:30h com uma assembléia no meio da rua, onde foram trocados contatos entre os estudantes para o avanço da organização e da luta.

Convocamos todos os estudantes do Distrito Federal a se colocarem em pé de luta, organizando Grêmios ou Comitês Estudantis em suas escolas, rompendo com as organizações pelegas do Movimento Estudantil (UNE, UBES, MPL e UMESB) paralisadas pelo seu posicionamento eleitoreiro e governista. É tarefa fundamental re-organizar a luta estudantil secundarista sob uma perspectiva classista (enquanto filhos da classe trabalhadora que somos!) e através dos métodos da ação direta combativa! Entre em contato e construa a Rede Estudantil Classista e Combativa!

“Fora GDF e Máfia do buzão, queremos passe-livre ou vai ter Rebelião!"
Por um verdadeiro Passe-livre!
AVANTE O MOVIMENTO ESTUDANTIL COMBATIVO:
Por uma educação popular!