sábado, 26 de março de 2011

8 DE MARÇO: DIA INTERNACIONAL DA MULHER TRABALHADORA

 
A origem do dia 8 de março está ligada a uma greve geral ocorrida no ano de 1857 em uma indústria têxtil de Nova Iorque, onde a maioria dos operários eram mulheres. Refere-se também ao incêndio ocorrido numa fábrica de tecidos em 1911 na qual mais de 100 trabalhadoras morreram.

No dia 8 de março de 1907 houve uma grande manifestação, conhecida como Marcha da Fome, em apoio à greve de 1857. Na marcha da fome houve uma presença majoritária de trabalhadoras que saíram nas ruas de Nova Iorque reivindicando melhores salários e redução da jornada de trabalho para 10 horas. Desde então foram realizadas anualmente manifestações nesse dia.

Durante o II Congresso Internacional das Mulheres Socialistas (1910), Clara Zetkin, propôs que se criasse um dia internacional da mulher trabalhadora. Segundo ela, era essencial criar uma referência internacional para a luta das mulheres.

No entanto, o capitalismo se apropriou da luta das mulheres no dia 8 de março, que tinha um caráter de classe (trabalhadoras), e a subordinou ou mesmo reduziu a opressão de gênero. As principais conquistas ressaltadas estão relacionadas com o  direito ao voto, a igualdade perante a lei ou a oportunidade de assumir cargos de chefia. Mas isso não muda a realidade de exploração que sofrem a maioria das mulheres.

É ilusão acreditar que a luta pelo sufrágio universal virá atrelada a uma construção de uma sociedade igualitária. A igualdade perante a lei não é ainda uma igualdade efetiva e a garantia assumir cargo de chefia não tem como conseqüência a humanização das instituições, pois as instituições de privilégios serão injustas tanto se forem administradas pelos homens quanto pelas mulheres.

Dessa forma, não podemos nos deslumbrar com a vitória da presidente Dilma Rousseff e pensar que acabará a exploração de gênero e classe. Dilma serve aos interesses capitalistas, que não beneficiam a mulher. A libertação da mulher trabalhadora somente será efetiva quando realizada pela mulher trabalhadora.

Nós do Coletivo Feminista Classista LIBERTÀRIAS acreditamos que a luta contra a opressão de gênero está vinculada à luta contra a opressão de classe, e que lutar contra uma é necessariamente lutar contra a outra.

 
AVANTE A LUTA DA MULHER TRABALHADORA!
VIVA O COLETIVO LIBERTÁRIAS!
VIVA A REDE ESTUDANTIL CLASSISTA E COMBATIVA!

coletivolibertarias@gmail.com




POEMA

Disseram que a mulher se libertou
Não foi o que  a Maria achou
Ela trabalha duro todo o dia
E tem raros momentos de alegria
Ela gera dinheiro para o patrão
Mas no fim do mês, fica sem um tostão
Disseram que a mulher é a rainha do lar
Não é o que acha a Cleomar
Limpa a casa até anoitecer
Enquanto o marido assiste TV
Esse marido também é explorado
Mas trata a mulher pior do que é tratado
Disseram que a mulher é assim naturalmente
Tem que cuidar dos filhos, da casa, e de toda a gente
Ah, mas que gente incompetente!
Não suspeita que a mulher é diferente
Que ela pensa, ama, chora
Que perde suas preciosas horas
Em trabalhos que ninguém reconhece
Em esforços que todos esquecem?
E se a mulher trai o marido
É motivo pra pancada
Mas se o marido trai a mulher
Ah...Ninguém lembra de nada
A mulher é duplamente explorada
Trabalha em casa e não recebe nada
Trabalha fora e é humilhada
Oprimida também pela mulher  patroa
Pois há mulheres que ganham dinheiro e esquecem das outras
Disseram que a mulher é objeto
E ainda acham isso correto
Em cada propaganda odiosa e machista
Que expõe só o seu corpo na revista
Que esquece que a mulher também é pessoa
Essa é a verdade doa a quem doa
A mulher é escritora inteligente, artista
Trabalhadora da fábrica, cientista
Ela é lutadora e defende seus direitos
E aos poucos desfaz os preconceitos
Ela luta com força contra o patrão opressor
E tenta convencer o companheiro trabalhador
De que homens e mulheres do povo são iguais
E aqueles que os oprimem não o farão jamais
E ao invés de se sentirem sozinhas e unitárias
Se unem e gritam forte: Viva as LIBERTÁRIAS!


sexta-feira, 11 de março de 2011

PROBLEMAS TÉCNICOS

Camaradas,
estamos com problemas técnicos no blog da RECC que será resolvido em breve.
No entanto, todo nosso conteúdo continua disponível para acesso através do link abaixo:
Continue acompanhando nossas atualizações.
Agradecemos sua compreensão.
Nem um passo atrás!
Viva a Rede Estudantil Classista e Combativa!

Semana Nacional Classista e Combativa - 2011


sábado, 26 de fevereiro de 2011

Comunicado da RECC-CE nº1

A luta pelo Passe Livre: entre divisionismos e boicotes

Recentemente a máfia do Sindiônibus anunciou que queria aumentar em 22% a passagem de ônibus. Esse seria o maior aumento percentual do país. Alegaram que a elevação do preço da tarifa seria em decorrência do pequeno aumento salarial dos trabalhadores rodoviários, que foi de 7%.

A posição da prefeitura/Etufor foi defender um aumento de R$ 2,00 para fingir não fazer parte do mesmo bloco de poder do Sindiônibus. Sabemos que Prefeitura/ETUFOR/Sindiônibus possuem os mesmos interesses, isso ficou muito claro na última greve dos rodoviários em 2010, onde os ataques aos trabalhadores ocorria de maneira sistemática de todos esses setores juntamente com a mídia burguesa.

A máfia dos transportes e a luta dos estudantes e trabalhadores

Cabe resaltar a importância do Sindiônibus em Fortaleza. Este não representam apenas uma empresa que recebe várias concessões fiscais da prefeitura/PT e de Cid/PSB, como o não pagamento do ICMS e do ISS. Ele é na verdade um importante investidor nas campanhas eleitorais e representa um verdadeiro ultra-monopólio com influência política no Estado. Os empresários Chiquinho Feitosa e Jacó Barata possuem juntos mais da metade do controle sobre os ônibus da cidade. Por isso é necessário unificar campanhas estudantis contra o aumento da passagem e pelo passe-livre, com campanhas de rodoviários por reajuste salarial e contra o Sindiônibus/Luizianne/CID, tendo como mote geral a campanha: Todos contra o Sindiônibus.

A prefeita Luiziani/PT diz que a passagem em Fortaleza é a mais barata das capitais do Brasil. O que é uma mentira, pois mesmo Salvador e São Paulo, que possuem passagens mais caras, tem o PIB muito maior do que o nosso. Resumindo, em termos relativos a passagem de ônibus em Fortaleza é a mais cara do país.

Diante dessa situação, um conjunto de militantes formou em novembro de 2010 o Fórum de Luta pelo Passe Livre (FLPL). A primeira pauta foi a batalha contra a intensificação da bilhetagem eletrônica através da implantação do chip da "Libercard" nas carteiras de estudantes. Essa empresa de cartão de crédito é de um dos diretores do Sindiônibus, o que possibilita o controle da meia e sua limitação pelos empresários.

Iniciou-se assim um debate com os trabalhadores rodoviários para organizarmos uma luta em conjunto, na construção de uma verdadeira unidade proletária-estudantil, com estudantes da UECE e UFC, secundaristas e movimento popular através dos atingidos pela Copa. Tirou-se como mote geral Todos Contra o Sindiônibus e a luta pelo Passe-Livre para estudantes e desempregados e a chamada para o primeiro ato contra o aumento de passagem em Fortaleza para 24 de fevereiro, no possível dia de anúncio de reajuste da passagem.

Sobre divisionismos e boicotes

Diante disso o governismo e o para-governismo, inicialmente através do DCE da UFC (PSOL/PSTU) mostrou-se cambeleante perante aos fatos. A ala Psol/Toda Voz ora participava das reuniões, para falar que não havia sentido no espaço do Fórum, ora boicotava o espaço. Mas quando sua base de apoio começou a participar mais organicamente do Fórum estes se viram obrigados a participarem, mesmo que aparelhando-o. A ala PCR/UJR, governista, chamou outro espaço de luta contra o aumento da passagem. E a posição mais burocrática de todas foi a da ANEL/PSTU de tentar convocar outro espaço e recomendado a direção do SINTRO, que estava participando conosco do Fórum, de não participar pois este seria um espaço "anti-PSTU". Não queriam que seus militantes mais sinceros se distanciassem de sua burocracia, mesmo que para isso boicotasse a luta.
O divisionismo provocado pela burocracia para-governista do PSTU, na direção do Sintro e dos DCEs UECE-UFC, convocou até mesmo outro ato no dia da manifestação convocada pelo Fórum. Na clara tentativa de dividir o movimento. Várias reuniões de cúpulas foram convocada pelas burocracias para-governistas através do DCE-UECE e da Conlutas para conter o desenvolvimento autônomo do Fórum. O resultado foi a convocatória para outro ato no dia da manifestação convocada pelo Fórum, mas como estes iam ficar isolados, entraram no Fórum para fazer propagando do seu ato. Posição semelhante foi do PCR, que convocou um ato no mesmo horário do ato do Fórum, divulgando nos mesmos locais que havíamos passado, em uma clara tentativa de confundir os estudantes.

Os boicotes de todos os gêneros, seja o passivo como do PSOL ou ativo como do PSTU, chegando ao aprofundamento do divisionismo, e o paralelismo executado pela UJR, foram faces da mesma moeda, o DCE-UFC. Isso demonstra que a desculpa utilizada para se formar uma chapa de frente de esquerda ao DCE com o intuito de "tocar" as lutas se mostra inválida, pois quando se chega a uma situação real, como a luta contra o aumento da passagem, cada burocracia atua por si.

Desde o começo de novembro de 2010 a tática da Rede Estundatil Classista e Combativa (RECC) foi a de convocar e fomentar comitês de base em cada curso universitário, escola e local de trabalho, para dar caráter real de base ao Fórum e se opor a metodologia de cúpula engendrada pelas burocracias para-governistas ao longo de quase uma década de construção de frentes unitárias sobre a questão do transporte em Fortaleza.

O ato de 24 de fevereiro: entre a ação direta e o parlamentarismo

Luizianne, quando foi eleita em seu primeiro mandato, teve como principais eleitores os estudantes combativos que lutaram contra o aumento da passagem em 2004 e contra as propostas abusivas de Juraci-PMDB. Sabendo disso, em 2011 anunciou o aumento de passagem justamente no período de férias das escolas públicas, neutralizando os estudantes secundaristas que são os principais sujeitos das lutas contra o aumento de passagem.

A Manifestação do dia 24 de fevereiro teve um número expressivo de estudantes, entre 150 e 200, mas obviamente todo as diferentes matizes de divisionismo e boicote, anunciados acima, influênciou quantitativamente na manifestação. Como já foi dito, mesmo os setores hegemônicos do DCE-UFC (Toda Voz-PSOL) tendo aparecido de última hora para participar do ato contra o aumento da passagem, conseguiram expressar nitidamente as as suas táticas recuadas para os movimentos de massa. Tendo como principal propósito a aparição de figuras públicas, como o vereador pelego-mor João Alfredo/PSOL, que enquanto PT não se opôs a Reforma da Previdência, o parlamentarismo estudantil tem como estratégia o apoio ao parlamentarismo burguês e rejeita vilmente as táticas da ação direta estudantil, a única que nos poderá levar a vitória.

E a tendência é que isso se aprofunde, pois está marcada para a Câmara Municipal uma audiência pública, sobre "mobilidade urbana", aproveitando também o principal mote da campanha de João Alfredo, que é a bandeira pequena-burguesa do uso de bicicletas, bandeira essa que o DCE-UFC também se utiliza.

Veremos então, possivelmente, a tentativa de que o Fórum de Luta Pelo Passe-Livre venha a ter mais orgânicamente uma postura parlamentarista, no qual nossa principal atuação será a partipação em audiências públicas e demais táticas legalistas que retiram como central o protagonismo estudantil e a ação direta das massas.

Por isso convocamos todos os estudantes sinceros do povo a construirem pela base, comitês de luta pelo passe-livre nas escolas universidades e locais de trabalho. Convocamos estes estudantes que se opõem ao parlamentarismo estudantil a construirem conosco a REDE ESTUDANTIL CLASSISTA E COMBATIVA.

Venha construir a RECC

A Rede Estudantil Classista e Combativa (RECC) nasceu em 2009 durante o Congresso Nacional de Estudantes numa plenária que reuniu militantes do movimento estudantil de vários lugares do Brasil (RJ, DF, CE, SP, RS, GO). Atualmente possui uma atuação organizada nos movimentos de curso (Ciências Sociais, Geografia, Serviço Social, Pedagogia), universidades e escolas secundaristas. Durante esse pouco tempo de existência, a RECC construiu uma rede de oposições estudantis para combater o governismo, representado pelas entidades pelegas UNE e UBES. Acreditamos que é fundamental reorganizar o movimento estudanil sob um programa anti-governista (contra as políticas neo-liberais do Governo Lula-Dilma), classista (a luta dos estudantes deve estar relacionada as demais lutas da classe trabalhadora) e combativo (somente a ação direta poderá conquistar nossas reivindicações).


2,00 reais é roubo!

Passe livre ou rebelião!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Comunicado da RECC-DF nº03 - A Luta contra o aumento salarial dos parlamentares


OCUPAÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO (01/02): AVALIAÇÕES PARA PROSSEGUIR A LUTA!

No último dia primeiro de fevereiro, ocorreu uma manifestação, organizada e composta por estudantes e trabalhadores, contra o aumento dos salários dos parlamentares e de demais cargos do executivo aprovado a toque de caixa no final do ano passado com apoio massivo dos parlamentares. Nos preparativos do ato do dia primeiro, foi decidido pelo fórum de estudantes e trabalhadores que compõe o movimento, entre eles membros da própria RECC, que o objetivo da manifestação não se resumiria a ser mais uma ocupação de vias, partindo da rodoviária do plano piloto, como foram os demais atos, mas sim incluiria uma ação direta mais combativa. Desse modo, a comissão de organização do ato, eleita na assembléia do movimento, decidiu por ocupar o Ministério do Trabalho e lá permanecer até que duas pautas do movimento fossem atendidas: 1) entrega e leitura da carta de reivindicação para o ministro/burocrata de plantão Carlos Lupi, e 2) leitura da mesma carta na Voz do Brasil, conclamando a classe trabalhadora brasileira para aderir aos protestos e barrar o absurdo aumento salarial dos parlamentares assim como lutar por melhores salários e condições vida.


Ainda que com um desvio de percurso devido à presença inesperada da polícia na frente do ministério, o ato do dia primeiro conseguiu parcialmente concluir seus objetivos, ocupando o hall de entrada do ministério e fazendo o ministro receber e escutar a leitura da carta de reivindicações. No entanto, ao longo do ato, o movimento e a ocupação incorreram em diversos erros que, na nossa concepção de luta classista, minaram a força do ato e acabaram por levá-lo ao espontaneísmo e à perda de foco. É importante salientar que em manifesto da RECC distribuído no próprio ato já alertávamos quanto ao problema do espontaneísmo pequeno-burguês defendido por indivíduos e grupos, principalmente o MPL. [1]


A MÍDIA BURGUESA E OS PARTIDOS REFORMISTAS


Durante a ocupação ocorreu um debate sobre a mídia que é importante que seja aprofundado pelas organizações classistas. Primeiramente, a mídia corporativa e burguesa é um instrumento dentro da sociedade capitalista para a manutenção da exploração que sofre as massas proletárias, e isso ocorre pelo fato dela ter o monopólio das informações transmitidas em tempo integral a todos os lares, locais de trabalho e de lazer e ser financiada e sustentada por grandes capitalistas (banqueiros, latifundiários, políticos, industriais etc), fazendo com que o seu conteúdo criminalize as lutas populares, distorça e/ou omita informações destas.

Alguns manifestantes entendem a luta a partir de uma perspectiva “midiática” semelhante ao dos partidos reformistas (PT, PCdoB, PSTU, PSOL). No primeiro caso, a confiança na mídia muitas vezes é advinda da possibilidade de que a mídia possa “trabalhar conjuntamente ao movimento”, dando uma publicidade nacional a ele, e servindo inclusive como instrumento de pressão sobre a burguesia e sobre o governo. No segundo caso, dos partidos reformistas propriamente ditos, tal apego pela mídia é advindo de uma prática oportunista que objetiva capitalizar eleitoralmente as lutas populares para sua legenda eleitoral. No entanto, ambas as perspectivas deixam as lutas submetidas aos desmandos da mídia burguesa, pois, para fazer a mídia “ficar do nosso lado” (sic) vale tudo: não pode utilizar máscaras, não pode fazer ação direta, não pode transigir os limites dessa legalidade burguesa.

Não estamos querendo dizer com isso que nunca se possa utilizar da mídia burguesa para publicizar determinada causa, o que estamos querendo dizer é: esta não deve ser a base de sustentação da luta, a base de sustentação deve ser as massas estudantis organizadas, e estas organizações devem criar seus próprios veículos de propaganda: jornais, cartazes, panfletos, pintura em muros, páginas na internet etc.


A OCUPAÇÃO DO MINISTÉRIO


Em primeiro lugar, houve uma imensa confusão no modo como foram conduzidas as assembléias dentro do ministério, em especial a que determinou a permanência da ocupação após a entrega da carta ao ministro. Nós da RECC entendemos que foi um modo errado de se fazer a votação entre permanecer ou não sem que houvesse uma reivindicação condicionante de nossa saída. Desse modo, votamos em favor de se manter a ocupação, mas reconhecemos que lá permanecer sem termos bem definido a pauta de luta foi um erro responsável pela relativa desmobilização do movimento. Acreditamos, portanto, que a ocupação deveria ter mantido sua pauta original e ter exigido do ministro a leitura da carta na Voz do Brasil. Em face da confusão das assembléias, muitos estudantes (alguns manifestantes sinceros, outros notórios oportunistas) acusaram a RECC de aparelhamento do ato. Nós da RECC respondemos: lutamos para que todas as decisões do movimento sejam tomadas em assembléias democráticas e abertas para todos os participantes, sejam elas as que precedem o ato ou aquelas que ocorrem durante ele. Todos os posicionamentos de membros da RECC foram submetidos às assembléias, ora sendo acolhidos, ora não. É esse o método de democracia de base que acreditamos e defendemos como parte da luta classista e combativa. Em nenhum momento a RECC assumiu a liderança do ato em detrimento da vontade da massa de estudantes.

Em segundo lugar, houve um mal-estar, expresso em falas durante a ocupação, com uso de máscaras por alguns manifestantes. Nesse caso, é preciso justificar o uso de máscaras como medida de segurança. Ao fazer uma ação direta, como uma ocupação, é necessário que nós nos protejamos contra as possíveis retaliações das forças policiais e da justiça burguesa. A experiência nos ensinou de qual modo os fiéis cães da burguesia defendem seus patrões. A utilização de máscaras não deve ser entendida como um mero fetiche, ou um adereço estético. Precisamos encarar a dura realidade da luta de classes e nos precaver contra nossos inimigos. A identidade que devemos preservar não é a dos indivíduos em si, mas a da justa luta das massa.

Por fim, é preciso reconhecer que o movimento perdeu-se em discussões subjetivas e pouco práticas, querendo justificar posições com base na história individual de alguns manifestantes e não na realidade objetiva do ato e na sua correlação de forças. Isso se deu em alguns momentos através do discurso do "apartidarismo", segundo o qual correntes organizadas não poderiam intervir na condução do ato com o objetivo de disputá-lo politicamente. Nesse caso, precisamos responder: o "apartidarismo" é um engodo pequeno-burguês sustentado por pseudo-anarquistas que buscam despolitizar o movimento e basear suas decisões não mais nas deliberações coletiva dos estudantes e trabalhadores, mas sim nas relações de amizade e/ou na busca de "consensos" inexistentes. Defendemos, isso sim, a organização (sindical, popular e estudantil) e a democracia de base, a ação direta como método privilegiado de luta e o classismo como elemento unificador das nossas pautas. Por isso, acreditamos que a RECC seja o instrumento adequado para a reorganização do movimento estudantil anti-governista que combata os putefrados fóruns de UNE e UBES e o eleitoralismo reinante; que permita a autonomia do movimento estudantil em relação aos patrões e governos e que seja capaz de conduzir a luta para obtenção de reais vitórias. Fazemos, assim, um chamados aos estudantes que percebem que a luta contra o aumento dos parlamentares é apenas um evento numa longa cadeia de lutas e que, para fazer face às exigências históricas de nossa classe, é necessário construir organizações capazes de conduzir nosssas lutas.


POR ISSO FAZEMOS O CHAMADO: VENHA CONSTRUIR A RECC!
FORA TODOS: SALÁRIO PARA O POVO, NÃO PARA OS PARLAMENTARES!
FORA UNE E UBES PELEGAS!




____________________________
Notas:

[1] Ler o Comunicado nº2 da RECC-DF, A Luta contra o aumento dos parlamentares: entre o reformismo parlamentar e a luta classista e combativa

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Fotos da ocupação contra o aumento do salário dos parlamentares! (01/02/2011)

No dia 1º de fevereiro de 2011, cerca de 200 estudantes e trabalhadores, ocuparam o Ministério do Trabalho reivindicando 62% de aumento para o salário mínimo, 10% do PIB para a educação e revogação imediata do aumento dos parlamentares. A ocupação se iniciou as 13h e terminou as 18h, no qual foi entregue a carta de reivindicações ao Ministro do Trabalho Carlos Lupi. A RECC esteve presente no ato disputando uma linha classista e combativa para a luta dos estudantes e trabalhadores brasileiros.

AVANTE A REDE ESTUDANTIL CLASSISTA E COMBATIVA!

CONSTRUIR E FORTALECER AS OPOSIÇÕES ESTUDANTIS ANTI-GOVERNISTAS PELO BRASIL INTEIRO!

"Fora Todos! Fora Já! Salário para o Povo, e Nao para os Parlamentares!"


[manifestantes ocupando as quatro faixas do eixo monumental]


[manifestantes garantem as faixas ocupadas a revelia da polícia/repressão]


[Manifestantes com bandeira da Oposição CCI ao DCE-UnB e segurando faixa da RECC: "Salário para o Povo e não para Parlamentar!"]


[Bandeiras da RECC e Oposições filiadas levantadas na linha de frente]


[manifestantes com máscaras e bandeiras fechando as ruas do eixo monumental]

[Estudantes e Trabalhadores ocupam o Ministério do Trabalho!]




[Assembléia na ocupação do Ministério do Trabalho]

[Ministro/burocrata Carlos Lupi recebe e ouve a leitura da carta de reivindicações por parte dos estudantes]



[Manifestantes após a tomada do hall de entrada do prédio controlam a porta de entrada]


- FOTOS DE OUTROS ATOS CONTRA O AUMENTO SARIAL DOS PARLAMENTARES ANTERIORES A OCUPAÇÃO DO DIA 01/02:

[TODO PODER AO POVO!]

[Bandeira da RECC tremula junto a luta dos estudantes]


Ousar Lutar, Ousar Vencer!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Manifesto do Coletivo Território Livre (CTL) ao XIX ENEG


19º Encontro Nacional dos Estudantes de Geografia – Brasil

Aos camaradas reunidos em Vitória/ES;
A todos/as estudantes de geografia do Brasil.


UFES, 6 a 12 de fevereiro de 2011.



Duas causas, um efeito: o esvaziamento político e a esterilidade prática.

Há algum tempo o movimento estudantil de geografia nacional sofre de um duplo mal. Por um lado uma grande parte dos nossos colegas sequer reconhece os fundamentos básicos dos espaços estudantis, como os CA’s e encontros nacionais e regionais. Sua função mínima e imediata é de organizarmo-nos para intervir na realidade de nosso curso assim como intervir no papel que exerce a educação como um todo na sociedade. Esta incompreensão, que deve ter suas causas apuradas, reproduz uma prática nestes espaços que troca, em geral, o dever coletivo pelo coleguismo festivo, cujo resultado é o notável esvaziamento político. Nossos ENEG’s se tornam, para muitos, mero pretexto para mais uma viagem turística de curtição.

Por outro lado, vemos a tentativa frustrada de organização destes espaços, levada a cabo principalmente pelo setor autodenominado “apartidário”. Não seria exagero dizermos, primeiro, que o direcionamento que este setor dá aos ENEG’s e à CONEEG (Confederação Nacional de Entidades de Estudantes de Geografia) os faz correr em círculo, “atrás do próprio rabo”. Quer dizer, tais espaços existem quase que em função de si mesmos, sem nunca avançar para as tarefas exteriores aos de sua própria “organização” e aos temas que se discute de forma vazia, sem nunca sair deste plano discursivo, diga-se de passagem. Segundo, sua própria “organização” possui debilidades graves. Fantasiados atrás dos discursos de “gestão participativa”, “espaço autônomo”, “autogestão” e etc, realizam na essência uma prática da tirania pela falta de estrutura democrática. Em diversos momentos buscam contrapor aos modelos burocratizados dos partidos eleitoreiros o seu também nefasto individualismo e o espontaneísmo. Esta é uma falsa oposição: o burocratismo dos partidos reformistas só poderá ser vencido por um programa muito bem definido e uma estrutura organizativa que coloque definitivamente o poder nas bases estudantis.

Acreditamos que um problema está intimamente ligado ao outro. O esvaziamento dos debates pode ser gerado pela falta de capacidade que um Encontro Nacional, um CA ou a CONEEG possuem para atrair e agregar as demandas mais sentidas pelos estudantes em uma organização democrática que lute para resolvê-los, assim como o esvaziamento político destes espaços faz reproduzir tal desorganização. Uma solução, no entanto, não virá da noite para o dia, baixando uma série de decretos e resoluções, muito menos por um tipo de organização caricatamente presidencialista, antes que o sugiram.


Movimento Estudantil de Geografia: romper com os apartidários, romper com os governistas e reformistas: uma só tarefa para a reorganização pela base.

Apontados os males acima, não devemos fechar os olhos para outros cânceres no movimento estudantil. O pior e mais corrosivo se chama UNE – União Nacional dos Estudantes. Tal entidade, que em sua história respirou pouco tempo de combatividade durante a ditadura civil-militar, encontra-se hoje completamente burocratizada e atolada na dependência política e econômica dos Governos do PT (Lula-Dilma) e com grandes capitalistas (Petrobras, Fundação Roberto Marinho, Banco do Brasil etc). A UNE não passa de uma tropa de choque submissa ao governo em meio aos estudantes, uma mera correia de transmissão dos programas de seus chefes de Estado e por isso deve ser prontamente rechaçada.¹

Em suposta alternativa, vemos por aí uma outra entidade, a ANEL – Assembléia Nacional dos Estudantes Livres. A ANEL, entretanto, é apenas o resultado de uma política frustrada do PSTU para aliar-se ao PSOL no plano eleitoral burguês via “frente de esquerda”. Esta eterna paquera trouxe como conseqüência o desligamento orgânico do movimento estudantil com o movimento dos trabalhadores na então CONLUTAS, sendo necessário a criação da ANEL como um refúgio consolativo. Para piorar, esta entidade não rompe definitivamente com o governismo, estando ligada a setores que inclusive possuem cargos de direção na UNE, e nem rompe com métodos burocráticos e legalistas de luta, se ridicularizando nas “lutas” via twiter, projetos de lei, plebiscitos etc.²


Construir um Movimento Nacional de Oposição: pela aliança dos estudantes antigovernistas e combativos

Compreendemos que a tarefa de recolocar o Movimento Estudantil de Geografia no caminho das lutas passará necessariamente pela atuação coordenada de estudantes e coletivos em nível inter-escolar. Chamaremos isso de reorganização pela base. Não estamos nos referindo a uma coordenação qualquer, nem a mais um GT que se perde em terapia coletiva ou divagações idealistas. Estamos propondo aqui um espaço nacional que sirva para debater e articular a atuação daqueles estudantes e coletivos sinceros que se oponham a atual direção que vem tomando nosso movimento. Para tanto, propomos aos camaradas comprometidos com a tarefa da reorganização uma unidade mínima em torno da seguinte linha:

  • a) antigovernista: romper com a UNE e lutar contra as políticas neoliberais do Governo Lula-Dilma/PT para a educação (Corte Orçamentário, REUNI, ProUNI, Lei de Inovação Tecnológica, Fundações Privadas, Cursos Pagos etc);
  • b) classista: que estabeleça um programa claro aos estudantes proletários e se organize ao lado da classe trabalhadora, seja dentro da universidade, com professores, servidores e terceirizados, ou fora dela, com desempregados, camponeses, secundaristas etc;
  • c) combativa: que eleja a ação direta como a forma central de luta para conquistar nossas reivindicações, rechaçando a via estéril das eleições burguesas e os meios legalistas e burocráticos tais como petições e audiências públicas, projetos de lei e abaixo-assinados, participação em conselhos universitários e etc;
  • d) democracia de base: que reconheça a necessidade da base estudantil ser o agente protagonista das decisões e lutas, rejeitando os velhos acordos entre cúpulas, a nova tendência desorganizadora “autonomista/apartidária” que dá a direção pelo coleguismo e as disputas oportunistas e aparatistas para se tornar uma “direção sem base”.

O Coletivo Território Livre acredita que tal Oposição Nacional deve canalizar os esforços por enquanto dispersos dos estudantes e demais coletivos a fim de (1) impulsionarmos em todos os níveis (local, regional e nacional – em especial o local) discussões que superem a apatia desorganizadora que nos encontramos, (2) que façamos ser cumpridas as deliberações acertadas tomadas neste espaços e que, (3) mantendo uma independência necessária,btoquemos atividades de agitação, propaganda e organização pela própria Oposição.


Construir um Congresso Nacional de Base

A participação nos espaços do ENEG atualmente não esta pautada por nenhum critério e orientação política que venha das bases. Esta lógica da participação individual e sem compromisso deve ser alterada. Um encontro deve servir para ter representado todas as posições políticas dos estudantes de cada escola deste país e o direcionamento eleito democraticamente pela vontade da maioria. Tal espaço não cabe neste atual modelo de ENEG. Por isso devemos construir um Congresso Nacional de Base dos Estudantes de Geografia, que sirva como órgão regular máximo de deliberação, colocando o poder nas bases organizadas, que elegem delegados ao Congresso de acordo com programas e teses defendidas e aprovadas em cada escola.


Participe da Plenária Pró-Encontro Regional dos Estudantes de Geografia do Centro Oeste

Convocamos todos os estudantes das escolas do Centro Oeste para participarem no dia 7 de fevereiro às 20h (local a definir!) da Plenária Pró-EREGEO/CO. O Centro Oeste não possui um espaço próprio. Aderimos ao chamado desta Plenária por entendermos que nossa proximidade física deve favorecer as lutas e a solidariedade com as demandas comuns que temos em defesa da educação. Compareça!


Nem um passo atrás!

Já é hora de superar o discurso da neutralidade: tomemos nossos postos diante da luta de classes. Querer ser neutro é um posicionamento reacionário que só serve para manter as coisas tal como estão. Não permaneceremos parados diante do nosso povo que morre todos os anos nos deslizamentos de encosta, soterramentos, enchentes e nas chacinas policiais. Utilizemos a ciência geográfica como arma dos trabalhadores na luta contra o capitalismo.


CONSTRUIR UMA OPOSIÇÃO NACIONAL NO MOVIMENTO ESTUDANTIL DE GEOGRAFIA!
POR UMA CIÊNCIA GEOGRÁFICA CRÍTICA E A SERVIÇO DA CAUSA DO POVO!
VIVA A AÇÃO DIRETA DOS ESTUDANTES E TRABALHADORES!



WWW.REDECLASSISTA.BLOGSPOT.COM
REDE.MECC@GMAIL.COM


___________
¹ - Ver Comunicado da RECC-Brasil Nº 03, janeiro de 2011: UNE recebe presente de natal milionário do Papai
² - Ver Boletim AVANTE! Nº01, setembro de 2009: Análise do Congresso Nacional dos Estudantes: Um congresso a serviço de uma nova entidade. Uma nova entidade a serviço do oportunismo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Movimento Estudantil de Geografia - MEGEO

Plenária Pró-Encontro Regional de Estudantes de Geografia/Centro Oeste

Existe uma necessidade política de nós, estudantes de Geografia, nos organizarmos não só em nossos locais de estudo, mas também a nível regional e nacional. Sob risco de não conseguirmos responder a altura as lutas e demandas coletivas dos estudantes que muitas vezes (principalmente nas IFES) dizem respeitos à políticas do Governo Federal que precarizam a educação, a organização nacional e regional se torna não um "capricho", mas realmente uma necessidade!

O fato de a região Centro-Oeste ser uma das únicas do Brasil que não possui uma coordenação estudantil que possa estar dando unidade, definindo linha política às lutas, discutindo sobre a educação (em geral) e ao ensino de geografia (especificamente) e muitos outros objetivos que possam contemplar os anseios dos estudantes de geografia da região, o Coletivo de estudantes de geografia Território Livre (CTL) da UnB com o apoio de mais estudantes do Centro-Oeste convoca todos/as os/as estudantes para a Plenária Pró-Encontro Regional de Estudantes de Geografia do Centro-Oeste (Pró-EREGEO-CO), que ocorrerá durante o XIX Encontro Nacional de Estudantes de Geografia (XIX ENEG), no dia 07/02, às 20h, - local a definir! - .

PARTICIPE E CHAME OS COLEGAS DE SUA ESCOLA!


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

RECC Ceará convida:


O Maio de 68 na França e a importância das organizações de base


A RECC chama os estudantes cearenses para vídeo-debate sobre o Maio de 68 francês com foco na questão das organizações de base, elemento de suma importância que permitiu que a luta do povo francês ganhasse as dimensões que teve.

Essa atividade de formação é um desdobramento da avaliação feita durante a Semana Nacional Classista e Combativa em 2010, onde foi feita uma retrospectiva das lutas estudantis em Fortaleza no período 2004-2010 e analisada suas formas de luta e organização.

Chegou-se a conclusão que as formas cupulistas de luta, que em Fortaleza ganharam o caráter de Frentes amplas, levavam as lutas para derrotas sucessivas e anulavam o protagonismo da base, potencializavam a burocracia estudantil e o parlamentarismo.

Retomar a luta de base no ME é fundamental para devolvermos o protagonismo aos estudantes a partir dos seus locais de estudo, combatendo assim a burocracia governista da UNE e o parlamentarismo estudantil.

AVANTE!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Luta contra o aumento salarial de parlamentares


Aumento salarial dos parlamentares:

entre a miséria do povo e a repressão polcial.


Ocorreu nesta segunda-feira, dia 27 de dezembro (2010), uma segunda manifestação em Brasília cuja finalidade é questionar e barrar o aumento salarial de deputados, senadores, ministros, presidente e vice-presidente da República. Tal medida (PDC 3036/2010), aprovada em regime de urgência pelos próprios parlamentares dia 15 de dezembro em demorados 10 minutos, elevará todos seus salários para R$ 26.723,13, fora os mil e um auxílios que já possuem. Praticamente todos os partidos tiveram orientação favorável ao aumento, entre eles PT, PSDB, PCdoB, PMDB, PV, DEM, PDT¹. Para deputados e senadores, tal reajuste significa aumento em nada mais que 61,8% em sua folha de pagamento e para presidente e vice, somente 133,9%. No entanto, a piada só foi concluída no dia 22, quando o Congresso Nacional aprovou o aumento do salário mínimo dos trabalhadores em "elevadíssimos" 5,9%, 30 reais a mais na miséria que antes era de R$510.

O primeiro ato em Brasília ocorreu no dia 21 de dezembro, contando com cerca de 200 manifestantes, em sua maioria estudantes secundaristas e universitários. Encaminhando-se da Rodoviária do Plano Piloto ocupando as ruas da Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional, os manifestantes foram impedidos pelas polícias federal, civil e militar de entrar no covil dos ratos, demonstrando apenas que "a casa do povo" não passa de um simbolismo barato e falso para esconder a verdade que o Congresso é, isso sim: a casa do poderosos.

No segundo ato, dia 27, ultrapassando uma centena de manifestantes, o destino permaneceu sendo o Congresso. Impedidos novamente de entrar na casa dos poderosos pelos cães de guarda da burguesia, a polícia, os manifestantes encaminharam-se para o Palácio do Planalto, conseguindo ocupar sua rampa através do enfrentamento contra a guarda presidencial do Lula e alguns soldados. Vale lembrar que o acesso a tal rampa é terminantemente proibido e sua ocupação, apesar de não ter se efetivado até o fim, demonstra que uma boa correlação de forças de estudantes e trabalhadores organizados pode realizar maior pressão através de ações combativas.

Apesar do clima neste ato ter sido marcado pela legítima indignação e revolta espontânea dos manifestantes ali presentes perante as injustiças vividas neste país em contradição direta com a ira das forças repressivas, a polícia, a realização completa dos deveres desta só foi concluída quando o ato já se encaminhava para ser finalizado na Rodoviária. Foi no momento em que os manifestantes ocupavam as ruas da Esplanada, entre tentativas de fechamento das vias e impedimento desta tática pela polícia, que os cães latiram: houveram alguns princípios de confusão até que sprays de pimenta, botas, cacetetes e violência gratuita entraram em cena para fazer cumprir seus deveres de manter a ordem burguesa tal como é. Os manifestantes, bravamente, voltaram a seus postos nas ruas, entoando alto seus gritos de ordem.


Os aprendizados da luta: qual rumo seguir?


Militantes da RECC-DF estiveram presentes em ambos os atos e puderam tirar vários ensinamentos de erros e acertos deste Movimento contra o aumento dos parlamentares. Seu tipo de organização, por exemplo, característicamente por meios virtuais, apesar de louvável, carece completamente de uma preparação e direcionamento prévio das rotas e objetivos do ato. Como consequência, ficamos por vezes sem rumo em cada empecílio que encontrávamos já durante os atos, deixando este ser levado pela total espontaneidade. Os atos necessitam não somente de uma rota prévia, mas também deve ter pensado em medidas de comunicação e segurança e, principalmente, qual política carrega em seu meio. Por isso a RECC acredita que se faz necessário uma articulação presencial, um espaço democrático convocado para se pensar, entre outras coisas, estas medidas organizativas básicas. Como as injustiças e a exploração não se encerrarão num curto período, a organização daqueles estudantes e tabalhadores sinceros presentes nestes atos, também não deverá se encerrar. Por isso este espaço de articulaçao deve ser construido, fundamentalmente, a partir de nossas bases, ou seja, nossas escolas, universidades, locais de trabalho e comunidades, visando mesmo nos prepararmos para as lutas a médio e longo prazo que teremos. Nossa luta contra o parlamento burguês e suas injustiças, pelo aumento do salário mínimo dos trabalhadores, pela educação universal e de qualidade, pela moradia etc, só terá um peso maior quando de fato sair dos meios virtuais e souber acumular pela experiência e organização real nos espaços de base de nossa classe. Só terá avanços quando sair do espontaneísmo, quando politizar as reinvindicações econômicas e sociais e quando o próprio povo tomar em suas mãos a responsabilidade geral das lutas e não delegá-las aos partidos eleitoreiros e reformistas.

Em termos políticos, devemos compreender que a luta contra o aumento salarial dos parasitas, os parlamentares, deve ser a mesma luta dos estudantes pelo aumento da destinação do PIB para a educação, que hoje não passa de 4%, e também pelo aumento real do salário mínimo, que de acordo com estimativas do DIEESE para novembro deste ano, para cumprir a função a que se propõe, deveria ser de R$ 2.222,99². Nossos aliados são, portanto, estudantes e todas as frações da classe trabalhadora, do campo e da cidade. Como podemos ver na prática, os nossos inimigos são exatamente as classes políticas que, às nossas custas, possuem uma vida destoante da realidade de nosso povo e se encastelam nas burocracias e gabinetes do Estado-capitalista para propiciar as condições de reprodução do capital, e portanto a exploração, e de "gerenciar" as crises sociais além de serem responsáveis por demais injustiças. Dessa forma, o Estado-capitalista é uma instituição, por princípio, impossível de se moralizar e nós não devemos cair no pântano das falsas disputas eleitoreiras ou de exigir "ética" na exploração para onde tentam nos jogar os partidos reformistas, oportunistas de direita ou de esquerda (PV, PT, PSOL etc). Sempre aliados ao Estado está, por sua vez, as forças repressivas policiais, que possuem pela legalidade o monopólio de utilização da violência e que o exerce sem meias palavras, sempre que julgar necessário - como foi neste últimos atos. A polícia é, portanto, nossa inimiga direta e contra ela devemos organizar nossa auto-defesa para não sermos meramente vítimas e conseguirmos efetuar as ações táticas que consideramos importantes, como ocupações de órgãos públicos e de ruas. O segredo da vitória está na organização do povo. Temos que manter firme o entusiasmo e a rebeldia como força motora de nossa lutas! Avante os que lutam!


Fora todos! Fora já! Salário para o povo e não para parlamentar!
Barrar este injusto aumento pela ação direta combativa!
Organizar a luta dos estudantes e trabalhadores pela justiça popular!


¹ - www.camara.gov.br
² - www.dieese.org.br