quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

18º Encontro Nacional dos Estudantes de Geografia

Manifesto da Rede Estudantil Classista e Combativa ao XVIII ENEG



Entre os dias 12 a 18 de Janeiro, ocorrerá, na UFAL (Maceió/AL), o XVIII Encontro Nacional de Estudantes de Geografia – ENEG. É necessário que nós estudantes de geografia façamos uma breve análise da conjuntura na qual está inserido tal encontro para assim vislumbrar as tarefas necessárias para reorganizar o Movimento Estudantil (ME).

O quadro atual do ensino superior brasileiro é alarmante. A Reforma Universitária demonstra que mesmo sendo aplicada de forma fragmentada (dificultando a resistência a tal programa) faz parte de um todo articulado, aprofundando o processo de apropriação capitalista das Instituições de Ensino Superior. Tal afirmação tem sua comprovação no caráter de programas como o Prouni, que transfere as riquezas dos trabalhadores para o empresariado das faculdades privadas; o recente repasse de $ 1 bi do BNDES para as “privadas”; a Lei de Inovação Tecnológica que transforma a universidade em espaço de produção de ciência tecnologia para empresas; a proliferação das fundações privadas e cursos pagos; o REUNI, decreto presidencial que visa a precarização da educação e do trabalho nas Universidades Públicas. A Luta em Defesa dos Trabalhos de Campo na geografia deve se inserir, portanto, dentro de uma luta maior contra precarização da educação e CONTRA O REUNI.

As reformas neoliberais implementadas no Governo Lula aprofundaram um processo de crise de legitimidade da União Nacional dos Estudantes -UNE e dos partidos governistas PT e PCdoB/UJS. O ataque contra os trabalhadores e estudantes, as políticas de privatização e precarização da educação e das relações de trabalho ajudaram a desmascarar o caráter de classe do Governo Lula e da UNE para parcelas significativas de estudantes, abrindo assim um processo de ruptura com o governismo.


(RE)ORGANIZAR O MOVIMENTO ESTUDANTIL DE GEOGRAFIA!

Atualmente no ME brasileiro existe o que se chama de “movimentos de área”, que agrupam os estudantes de determinado curso, no caso o de Geografia. Mas o que se vê é que, longe de serem espaços para organizar as lutas dos estudantes, tais espaços dos Movimentos de Área como os Encontros Nacionais são verdadeiras colônias de férias pequeno-burguesas, onde desde a base se cria um clima festivo, de esvaziamento dos debates e das disputas políticas, onde os que participantes não estão representando as bases organizadas e sim participam aqueles com tempo, dinheiro e vontade de “curtir a viagem”. O ENEG e o ME de Geografia se inserem em tais críticas, e a burocratização e a desorganização vão se aprofundando sob uma defesa pseudo-participativa (contra o voto e representatividade). Se lançar na tarefa de reorganizar a luta é analisar concretamente o que deve ser modificado.

Se beneficiando diretamente das práticas despolitizantes e “fanfarristas”, está a burocracia governista do movimento estudantil, PT e UJS/PCdoB, que visa matar a capacidade política de luta e combate, construir uma “direção sem base” e sem mobilização. A UNE que esta comprometida até o último fio de cabelo (politicamente e financeiramente) com o Governo Lula e com grandes capitalistas, se coloca então na outra trincheira da luta de classes, como inimiga dos estudantes e dos trabalhadores. Portanto, é necessário compreender que a luta contra os ataques do Governo, será também a luta contra o governismo no ME, ou seja, contra a UNE.

Se apresentando como uma alternativa para o ME, a Assembléia Nacional dos Estudantes Livre – ANEL, nasce como a concretização da política liquidacionista da direção da CONLUTAS (PSTU), que diante ao processo de rompimento com o governismo demonstrou sua incapacidade política de reorganização das lutas em seu sentido anti-governistas. Portanto, a ANEL não rompe definitivamente com a UNE, podendo participar setores de dentro da UNE, tal como o oportunista PSOL; em nome de uma abstrata “unidade”, aplica uma política a reboque do governismo; reafirmando também o reformismo e o legalismo, aprovando no CNE o “apoio a candidaturas” e tendo como estratégia “de luta” pedir medidas provisórias de Lula, entregar abaixo assinados e Projetos de Lei.

Também há no ME de Geografia aqueles setores que se auto-intitulam como “apartidários”, “autonomistas”, “horizontalistas”. Não menos reformistas, burocráticos e liberais, tais setores são característicos por sua defesa anti-organizativa, sendo assim, nocivos a luta dos estudantes. Reivindicam o atual modo de organização (ou seria desorganização?) da CONEEG, defendendo uma pseudo “participação de todos”, onde aqueles que participam dos espaços de deliberação central do movimento (ENEGs e CONEGEOs) não tem responsabilidade perante a base de centenas de estudantes, o que claramente burocratiza o ME.


CONSTRUIR UM MOVIMENTO NACIONAL DE OPOSIÇÃO

Nós da Rede Estudantil Classista e Combativa – RECC, que estamos organizados em outras universidades e cursos, acreditamos que é necessário retomar desde já a tarefa de reorganizar o movimento estudantil, como um todo, e o ME de Geografia, em particular. Para tal acreditamos ser necessária a construção de uma oposição nacional de Geografia, organizada pela RECC, que tenha claramente uma linha: a) anti-governista: Contra a UNE, o PT, UJS e as políticas neoliberais do Governo Lula para Educação; b) combativa: que só através da ação direta dos estudantes e trabalhadores se conseguirá avançar nas conquistas; c) classista: onde devemos ligar um movimento estudantil proletário a construção de um movimento nacional de oposição sindical e popular.

Tal oposição deve estar atuando nos CA’s/DA’s com uma linha que garanta o poder das bases estudantis e que dispute as entidades de base levando nossa política combativa. Defendemos como estrutura organizativa para os CA’s/DA’s: direção colegiada (com revogabilidade de mandatos) + GT´s abertos, assembléia geral do curso como órgão deliberativo regular.

Para a construção de um ME de Geografia classista e combativo, acreditamos ser necessário quebrar com o caráter pequeno-burguês e anti-democrático dos “Encontros Nacionais”, para tal, nós da RECC propomos para a organização do movimento de área: 1) Congresso Nacional - delegados eleitos por assembléia geral dos cursos, órgão deliberativo nacional máximo; 2) Plenária Nacional de Delegados de Base – órgão deliberativo regular intermediário composto por membros eleitos nas assembléias geral dos cursos; 3) Executiva Nacional: órgão de direção e encaminhamento político, eleito nos Congressos e subordinado a PLENÁria e Congresso.

Acreditamos que a luta por um Universidade Popular e a serviço da classe trabalhadora, do campo e da cidade, essencialmente perpassa também pela luta acadêmica por uma ciência também a serviço do trabalhadores, e enquanto Geógrafos, por uma Ciência Geográfica Crítica e Revolucionária, que esteja lado a lado nos enfrentamentos do proletariado, produzindo uma Geografia verdadeiramente comprometida com a causa do povo.

Diante de todas essas tarefas, e em um momento tão difícil para aqueles que não se venderam e capitularam ao reformismo e ao capitalismo, nesse atual momento de refluxo da política combativa, nós estudantes proletários, acreditamos ser nossa tarefa desde já iniciar esse processo de reorganização do Movimento Estudantil com uma linha Classista e Combativa, e dizemos a todos os oportunistas e burocratas de plantão: Não nos envergaremos como uma vara verde! Permanecermos confiantes e intransigentes nas trincheiras de nossa classe!


POR UM CONGRESSO DE BASE!

CONSTRUIR UMA OPOSIÇÃO NACIONAL NA GEOGRAFIA!

COMBATER A UNE E AS REFORMAS NEOLIBERAIS!



Rede Estudantil Classista e Combativa, Janeiro de 2010.

- Entre em contato com a RECC:

domingo, 24 de janeiro de 2010

CONVOCATÓRIA para o debate do Movimento Estudantil Classista e Combativo em Porto Alegre!

Participe do debate organizado paralelo ao FSM:


“As tarefas da Luta Estudantil Combativa para 2010.”


Local: Escola Técnica Parobé, Avenida José Loureiro da Silva, 945 Porto Alegre-RS

Hora:14h

Dia: Quinta-Feira (28/01/10)




As tarefas dos estudantes combativos para o início de 2010 os chamam a analisar dois eventos de grande importância no encadeamento das políticas da burguesia brasileira para a contenção das massas trabalhadoras no país: 1)As Eleições e 2) o Fórum Social Mundial. A primeira tem importância vital na manutenção do Estado Burguês e suas instituições corruptas e assassinas, ditas democráticas. Os escândalos de corrupção em Brasília (Arruda – DEM), no Rio grande do Sul (Yeda - PSDB), no Senado Federal (Sarney – PMDB), ou os massacres no campo e nas favelas, são apenas alguns indícios de uma estrutura e de um jogo de cartas marcadas que deve ser combatida e não disputada pelos estudantes e trabalhadores. Já o FSM, se apresenta como uma grande nova artimanha burguesa, que tem a fachada das ONG’s e partidos como o PT, PC do B e etc, objetivando a construção de um suposto capitalismo humano, tem o papel de acorrentar os trabalhadores nas dinâmicas assistencialistas e parlamentares, impedindo assim o avanço da luta independente e classista.


Enquanto isso nas universidades e escolas brasileiras, os filhos da classe trabalhadora continuam suportando os ataques neoliberais e sendo ensinados a esperar as migalhas de uma cidadania falida. Projetos como o Movimento Todos Pela Educação, que reune grandes empresas, multinacionais e o governo federal avançam a todo vapor, concedendo direitos e verbas a iniciativa privada para atuar no ensino médio público, como foi o Tele Curso da Fundação Roberto Marinho criado nas escolas do DF, MT(dentre outros). Nas universidades a adequação aos novos modelo de acumulação burguesa se dão com aumento e a regularização das fundações de direito privado (afundadas em corrupção), as metas de precarização do REUNI , as empresas junior’s, a terceirização e outros exemplos que não faltam. Mas que não foram suficientes para organizar um processo de resistência nacional com ação direta como foi visto no Chile em 2006.


Ao final de 8 anos de Governo Lula grande parte destes pacotes neoliberais foram implementados ou estão em andamento. A UNE e as correntes governistas que a dominam a 2 décadas, PC do B, PT, PDT etc tiveram função central na fragmentação da resistência dos estudantes, cumprindo papel de braço do governo e serviçais da aliança com a burguesia brasileira realizada por seus partidos. Já o PSOL, que a muito demonstrou seu oportunismo na sabotagem da CONLUTAS através da construção da Intersindical e na defesa da FOE/UNE, nestas eleições sai do armário de vez e anuncia uma possível aliança com o burguês Partido Verde. O PSTU que se auto-anuncia na sua candidatura independente, não pode esconder que durante esses anos subordinou as únicas iniciativas anti-governistas e independentes a uma suposta infalível unidade e consenso com o mesmo PSOL e com a burocracia sindical e estudantil da UNE, CUT, CTB, Força Sindical e etc, nos atos e frentes unificadas.


Portanto, a reconstrução de um movimento estudantil classista e combativo no Brasil não pode estar a reboque e sob a direção dos partidos governistas e para-governistas. A estratégia do movimento estudantil de uma reconstrução desde a base, deve estar pautada na construção de oposições que defendam de forma intransigente um programa classista, combativo e anti-governista. Da mesma forma que a ação direta estudantil proletária e a democracia operária devam se tornar elementos centrais de nossa estratégia e organização. Só a partir daí poderemos reconstruir nossas entidades de base. Desta forma, não podemos esperar muita coisa da recém criada ANEL, do seu apoio a parlamentares, de seus acordos rebaixados de cúpulas com a FOE/UNE e da sua estratégia central para o próximo período que é a defesa de projetos de lei.


Por isso, a Rede Estudantil Classista e Combativa, o Grêmio Parobé e demais organizações políticas, fazem um chamado aos estudantes sinceros que estão insatisfeitos com o quadro atual do Movimento Estudantil, a virem se organizar conosco e discutir a construção do embrião que vise culminar na edificação de um movimento nacional de oposição sindical, popular e estudantil.

Em defesa da Ação Direta Estudantil Proletária!

Conquistar na Luta o Passe Livre e a Assistência Estudantil!

Nem ENEM nem vestibular, Livre Acesso Já!

Convocam:

Rede Estudantil Classista e Combativa

Grêmio Parobé

União Popular Anarquista

Luta Marxista

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Oposição ao DCE-UFC

DIANTE DE UM DCE INCAPAZ DE ARMAR OS ESTUDANTES PARA AS LUTAS, CONSTRUIR A OPOSIÇÃO CLASSISTA E COMBATIVA!

No dia 03 de outubro foi anunciado o fim do processo eleitoral para o DCE da UFC com a vitória da Chapa 1 (PSOL/PSTU/Consulta Popular/Independentes) com um total de 3.370 votos, acabando assim com a hegemonia dos governistas da Chapa 2 (PDT/PT/PC do B/independentes) , com 3.016, na direção do aparato há quase 3 anos. A Chapa 3 (UJR/independentes) conseguiu 330 votos e se limitou a usar o processo eleitoral do DCE para fazer campanha para o C.A de pedagogia onde têm inserção.

Com o resultado das eleições altera-se o quadro das forças políticas no ME da UFC, com uma parte da dita esquerda agora ocupando a situação. Cabe então analisar esse novo equilíbrio político que se estabelece com a chegada da Chapa 1 ao DCE e seus possíveis desdobramentos.

Para isso é preciso a) enxergar para além do discurso triunfalista da “vitória da esquerda” nas eleições. b) É preciso também ter clareza se a nova composição do DCE pode oferecer uma linha política capaz de orientar os estudantes no combate a privatização e precarização crescentes do ensino público em nossa universidade. É imprescindível então uma análise objetiva da nova composição do DCE que c) rompa com o “coleguismo” tão alardeado por alguns setores do ME que não toleram a necessária crítica política.

Isso exige também uma breve caracterização da ofensiva governista à educação pública nos últimos anos e do comportamento político exercido pelas principais entidades estudantis nacionais frente a ofensiva governista-neoliberal.

1. Diante da ofensiva governista-neoliberal contra a educação pública a UNE se alia aos inimigos dos estudantes

Na UFC hoje, assim como nas demais universidades públicas brasileiras, percebemos um aprofundamento das diretrizes da política neoliberal na educação, expresso nos planos de precarização e privatização, como o REUNI, que aumenta o numero de vagas sem dar o devido aumento de verbas, e as Fundações Privadas, que permite a entrada de capital privado na universidade publica, e na crescente superexploração dos professores e funcionários, em sua maioria terceirizados.

As medidas neoliberais na educação iniciadas na década de 1990 no governo Collor, que encontraram um forte desenvolvimento no governo FHC/PSDB, são agora aprofundadas no governo populista de Lula/PT e também potencializadas pela cooptação das entidades estudantis, como a UNE e a UBES, à esfera dos interesses governistas e anti-estudantis.

Essas entidades que dizem representar os interesses dos estudantes são hoje um mero instrumento à serviço do governo e do capital dentro das universidades e escolas, garantindo a implementação das reformas privatizantes e sucateadoras na educação pública, através de sua estratégia de desmobilização permanente do estudantado em troca de cargos no ministério da educação e de milhões em repasses que recebem do governo.

2. O que não avança, retrocede: a incapacidade política do para-governismo de encaminhar a luta

Mas as entidades pelegas e suas direções não são as únicas a facilitarem que os interesses neoliberais do governo e da acumulação capitalista sejam garantidos através do ensino público.

Muitas vezes os grupos políticos da esquerda reformista facilitam a implementação das diretrizes governistas na educação, através de suas linhas políticas de atuação dentro dos aparatos burocráticos e autoritários da universidade, o que caracteriza uma linha de intervenção para-governista. É preciso deixar claro que nestes aparatos o estudante é sempre uma minoria em desvantagem, ficando a reboque das decisões dos caciques da burocracia universitária.

Sabemos como vêm ocorrendo de maneira nacional as gestões de DCEs com composição orgânica entre PSOL e PSTU. Os DCEs, que deveriam reforçar as lutas diretas dos estudantes nos seus interesses diários contra a precarização e sucateamento das universidades públicas, têm se tornado na verdade úteis instrumentos de campanha eleitoral para a Frente de Esquerda (PSOL/PCB/PSTU) , que ao contrário de educar os estudantes para a luta, acaba por iludi-los à farsa da democracia burguesa representativa, transformando os DCEs em meros espaços de ação do parlamentarismo estudantil.

Apesar da Chapa 1 apontar para uma crítica ao REUNI e as privatizações dentro da universidade, a) ela não consegue romper de fato com os instrumentos que facilitam a efetivação destas mesmas reformas sucateadoras, como a degenerada UNE e os burocráticos Conselhos Universitários. Ao não romper com esses instrumentos a Chapa 1 b) dificultará o avanço das lutas. Pois c) ao encarar esses espaços burocráticos como espaços de disputa política (sic), acabam legitimando- os e fazendo o jogo que o governo quer que os estudantes joguem. Um jogo dentro dos limites autoritários dos Conselhos Universitários, fomentando a disputa legalista dentro dos aparatos burocráticos da universidade.

Isso revela as debilidades políticas da nova direção do DCE e sua confusão em identificar qual é de fato a estratégia principal de luta dos estudantes, que é a ação direta e também de onde se faz a verdadeira política estudantil, que é nas ruas.

O processo de escolha para reitor hoje também reflete a inviabilidade prática de uma estratégia estudantil nos marcos da via legalista e burocrática. A escolha de reitor é completamente artificial, cabendo de fato aos governos escolherem seus representantes. Assim os reitores são escolhidos pelo governo federal para aplicarem suas reformas neoliberais através de conselhos burocráticos como o CONSUNI e o CEPE, onde os estudantes são sempre a minoria em desvantagem. Os chefes de departamento, que na maioria dos casos são escolhidos pela reitoria, garantem a aplicação da política governista-neoliber al nestes conselhos.

3. A Frente Contra o Aumento da Passagem mostrou na prática os limites e equívocos da política para-governista

Um dos carros-chefes da campanha da Chapa 1 foi a propaganda da sua participação na Frente Contra o Aumento da Passagem e Limitação da Meia no 1º semestre de 2009 em Fortaleza. De um ponto de vista materialista a prática é o critério da verdade, então é preciso a) caracterizar como se deu a atuação dos grupos políticos que hoje integram a direção do DCE no período de lutas da Frente para b) visualizarmos as possíveis linhas políticas por onde se moverá sua atuação.

De fato um setor da chapa contribuiu para a Frente, apesar de um amplo setor dessa mesma chapa preferir fazer campanha para a ADUFC, ao invés de construir a Frente em um decisivo momento das lutas estudantis em Fortaleza. E destes que contribuíram para a Frente, em sua maioria, levantaram uma política recuada e burocrática, onde a estratégia da ação direta dos estudantes era trocada pela disputa nos marcos da justiça burguesa, como nas audiências públicas, atos de frente única com os governistas da CUT ,e na defesa da “exigência e denúncia”, onde o objetivo final que se almejava era sempre uma mera negociação de gabinete, através de bandeiras rebaixadas, com a prefeita Luizianne Lins/PT.

O pior é que essas táticas de “luta” recuadas foram defendidas quando o movimento ainda estava em ascensão, quando houve a criação de ativos comitês de base capazes de desenvolver a luta e garantir acumulação de forças a partir de cada escola, quando a Frente apresentava então potencialidade para a efetivação de uma linha de luta combativa e direta dos estudantes para além das tímidas “exigências e denúncias”.

Que pese os problemas conjunturais enfrentados pela Frente em seu período de existência, a adoção de práticas para-governistas por grupos como PSTU e PSOL (hoje na direção do DCE) não contribuiu para a consolidação da Frente enquanto instrumento de luta e organização. Pois a) fez recuar os métodos de luta direta da juventude indignada com o aumento da passagem e limitação da meia. b) Restando assim uma Frente esvaziada, incapaz de encaminhar a luta, despossuída de qualquer linha política combativa, que c) se deteve em seus últimos dias em defender o planejamento de um seminário para discutir o transporte público com vistas a criação de um projeto para ser levado a câmara municipal de Fortaleza (mandato “popular” (sic) de João Alfredo/PSOL).

Os limites dessa prática burocrática e ilusória são os limites do próprio para-governismo, incapaz de consolidar uma política de massas (estudantil/ proletária/ popular) para além da via legalista imposta pelo Estado e sua justiça burguesa. Ficam assim o para-governismo, e os setores da classe trabalhadora hegemonizados por essa política, reféns do jogo de cartas marcadas da burguesia. Pois no espaço político burguês (justiça, parlamento, câmaras) se joga com as regras ditadas pela classe dominante sempre em detrimento dos interesses do proletariado.

É mais claro do que nunca que devemos superar as práticas do parlamentarismo estudantil no ME. O que debilitou a Frente foi a adoção progressiva de uma linha política para-governista. Que os resultados políticos da Frente nos sirvam de lição para enxergarmos no que deságua, na prática, a adoção dessa política.

4. Construir a Oposição Classista e Combativa para armar os estudantes nas lutas do dia-a-dia no embate ao governismo e o neoliberalismo

É diante deste lastimável quadro, onde a nova direção do DCE demonstra sua debilidade política em oferecer meios efetivos para armar os estudantes para a luta do dia-a-dia contra o governismo e suas diretrizes neoliberais, que a RECC convoca a todos os estudantes proletários da UFC comprometidos com uma política classista e combativa, que se opõe aos planos privatizantes e sucateadores dos governistas e da reitoria e não legitimam seus instrumentos (UNE e CONSUNI), a vir a construir uma Oposição pela esquerda classista e combativa ao DCE UFC, onde a ação direta seja a estratégia principal de luta na busca de nossas conquistas.

Somente a luta direta e organizada dos estudantes pode torná-los sujeitos ativos dentro do Movimento Estudantil, desenvolvendo seu protagonismo de luta e sua autodeterminaçã o política para além dos limites impostos pela dinâmica pelega do da luta legalista e dos espaços burocráticos de decisão da Universidade.

VOTO UNIVERSAL EM TODAS AS INSTÂNCIAS! PELA DISSOUÇÃO DOS CONSELHOS UNIVERSITÁRIOS!

DERROTAR AS REFORMAS NEOLIBERAIS DE LULA/HADDAD/ PT!

NEM ENEM, NEM VESTIBULAR, LIVRE ACESSO JÁ!

DERROTAR O GOVERNISMO E O PARA-GOVERNISMO NO MOVIMENTO ESTUDANTIL!

NENHUMA ILUSÂO NA PELEGA UNE E NA OPORTUNISTA ANEL!

CONSOLIDAR A REDE ESTUDANTIL CLASSISTA E COMBATIVA!

PELA CONSTRUÇÃO DA UNIVERSIDADE POPULAR!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

RECC-DF FAZ ATIVIDADE AGITAÇÃO E PROPAGANDA NA RODOVIÁRIA!

No dia 30 de setembro (quarta-feira), às 12:30h, ocorreu na Rodoviária do Plano Piloto (Distrito Federal), um ato de agitação e propaganda da Rede Estudantil Classista e Combativa – RECC, onde fizemos distribuição de panfletos, falas em megafone e exposição de faixas/cartazes chamando a atenção dos trabalhadores e estudantes para as pautas de reivindicações da RECC.

Esse foi um ato de agitação da vanguarda que constrói a RECC e teve dois objetivos principais: 1)Denunciar os programas do Governo Arruda/Lula de precarização e privatização do ensino público fundamental, médio e superior, levantando as pautas de reivindicações estudantis; 2)Propagandear e convocar os estudantes a se organizarem sob o programa classista, combativo e anti-governista da RECC, combatendo a UNE e a UBES, visando a reorganização do ME e do movimento de massas.

Na próxima reunião da coordenação da RECC-DF, será definido um calendário de atividades de “agitação e propaganda”, atividades de formação política, etc.
PARTICPE!


Panfleto distribuido no ato :



quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ceará: Uma análise das eleições para o DCE/UFC: chapas, programas, processos e conjuntura


Os Sujos e Os Mal-Lavados.


(Uma análise das eleições para o DCE/UFC: chapas, programas, processos e conjuntura)

O processo eleitoral para a nova dreção do DCE/UFC, após longos e conturbados dois anos de gestão governista da chapa “Agora Só Falta Você” (Mudança/PT e Conscência/PDT) . Momentos como estes são, no mínimo, pedagógico pois arem oportunidades para discussões sobre a Universidade que queremos (que nos, da RECC, já deixamos claro que defendemos uma Universidade pública, gratuita, laica, de qualidade e a serviço da classe trabalhadora. ), mas o caráter mais pedagógico deste momento é revelar ao conjunto dos estudantes quem é quem dentro do movimento estudantil, desmascara os setores realmente combativos e de luta e tamém revela quem são os setores oportunistas e aparatistas.

Antes de mais nada, é preciso uma caracterização teórica da Universidade brasileira hoje: O ensino superior brasileiro (e a UFC não foge a regra) é, ao mesmo tempo, policlassita e elitista, ou seja, agrega setores de todas as classes sociais, porém as camadas populares só possuem uma maior parcela em poucos cursos, quase todos licenciaturas, enquanto os ditos cursos “de ponta” mostram-se hegemonizados pelos filhos da burguesia, a classe a quem, históricamente, serve a universidade. Logo, é preciso entender que “estudante” é uma categoria social de transição. A condição de estudante implica a transição entre uma origem de classe herdada e sua inserção numa futura atividade ou processo de trabalho. A educação não garante mobilidade social ascendente expressiva, de maneira a mudar a condição de classe.

As eleições para DCE deste ano contam com três chapas que, de fato, possuem suas diferenças, mas possum um ponto em comum: nenhuma delas rompe com o Ministério da Juventude do Governo Lula/PT, a União Nacional dos Estudantes (UNE), apoiadora e co-autora do projeto neoliberal de Reforma Universitária, a mesma UNE que chamou de “reacionários” os estudantes que ocuparam as reitorias de suas Universidades contra o REUNI e a mesma UNE que hoje negocia direitos históricos dos estudantes, como o direito à meia-entrada ilimitada, em troca da transformação dos grande cartel de carteiras de estudantes que existem hoje no Brasil em um monopólio da UNE. Nenhuma das chapas foi capaz de colocar-se, no âmbito nacional do ME, de enconro à este câncer governista que devora e mata por dentro o movimento estudantil brasileiro.


CHAPA I: DA LUTA NÃO ME RETIRO – OPOSIÇÃO.

A composição desta chapa é bastante heterogênea, aglutinando tanto setores burocratas como setores combativos. Porém, em virtude deste último setor compor-se como mínoria, acaba sendo levado a reboque dos setor paragovernistas e burocráticos. As três principais forças dentro desta chapa são os 'anelistas' da juventude do PSTU, o Movimento Toda Voz e o coletivo Levante, merecendo uma caracterização a parte cada um destas agremiações.

Tanto o coletivo Levante quanto o Movimento Toda Voz são oriundos da cisão que ocorreu no antigo coletivo 'Amar e Mudar as Coisas', o mesmo coletivo que, quando a última eleição não alcançou o quorum necessário, foi contra a criação de uma comissão gestora do DCE, pois achava que podia trazer o Mudança/PT para o seu lado após o racha interno que ouve na gestão. Foi este também o coletivo que abandonou a ocupação da reitoria na luta contra o REUNI em 2007, sendo bastante contraditório estarem em uma chapa chamada 'Da Luta Não me Retiro'.

Coletivo Levante: O Levante é um coletivo nacional ligado ao ENLACE/PSOL e forma o principal setor da finada Frente de Oposição de Esquerda da UNE (FOE-UNE), grupo que surgi com a odiosa missão de barrar a ruptura do movimento que esta estrutura do governismo que é a UNE.. Na UFC, passaram a reivindicar- se nos espaço como tal após a isão de seu antigo coletivo. São o setor mais claramente aparatista, buscando conquistar o aparalhe do DCE não importa a que custo, deixando isso bem claro em suas politicas (“Eu tô aqui pra ganhar!”). Desde o início da ofrmação da chapa, colocaram o debate de cargos acima do debate político e programático (“quatro cargos para o Toda Voz, três para o Levante, dois para o PSTU...”), afirmando que havia uma “convergência de análises”. Chegaram ao cúmulo de propor unidade com o PCR, em nome de uma unidade dos setores de oposição ao DCE.

Movimento Toda Voz: Grupo recém-criado e a maior força dentro da Chapa I. Ligados à Consulta Popular, são defensores de um movimento estudantil artístico, já que o principal problema do ME é que ele é muito zangado! Este grupo faz nascer a iusão no seio do ME de que cirandas vão transformar a Universidade e que a reitoria fica amedrontada com um poema. Provavelmente por influência deste grupo é que o primeiro material da chpa defendesse um ME 'irreverente' (sic).

Politicamente, este é talvez o grupo mais burocrático, defendendo transformar o 'velho movimento estudantil' (gíria para movimento combativo), pois este não dialoga com os estudantes. Em nome deste suposto diálogo, foi contra que o moterial da chapa sobre o REUNI fizesse a denúncia do Governo Lula/PT (“isso não dialoga!”). A política deste grupo em nada nos faz avançar em combatividade e não supera as etruturas burocráticas da Universidade, na verdade, as reivindica.

Juventude do PSTU: O PSTU merece uma atenção especial, pois de maneira geral vem dando uma guinada a direita nas sua politica nos ultimos anos e isso se expressa em varios setores inclusive estudantil,uma prova disso é a defesa de uma linha de liquidação da Conlutas em favor da fusão com a para-governista Intersindical. A fusão destas duas centrais representa o projeto de aliança eleitoral PSTU/PSOL/PCB para 2010. Essa politica está expressa também nas alianças como estas em chapas de DCE mesmo que com o programa rebaixado.

É importante perceber a propria criação da ANEL, em um congresso oportunista que visava algo duplo a aproximação com os setores da FOE/UNE e a liquidação da conlutas criando um organismo estritamente estudantil. Esta entidade, que nasceu de maneira atropelada, não rompeu com a UNE e demonstrou logo de inicio sua politica para-governista de medidas provisorias.

Na UFC são um grupo pequeno,mas significativo, mas por sua minoria os tornam submissos mediante as posições das correntes ligadas ao Psol, sempre cristalizando a unidade da esquerda, isso se deve muito em parte do ano passado eles terem feito a proposta de unidade para o DCE e o Psol não aceitou.Isso faz como que hoje estajam dispostos a terem uma chapa que nem sequer cita o governo Lula em nome da unidade.


CHAPA II – Por Amor à UFC.


Esta chapa é composta por três grupos que em nada diferenciam- se um do outro: UJS/PCdoB, Consciência/PDT e Mudança/PT. Os três grupos são ferrenhos defensores das reformas privatizantes de Lula/PT e aliados dos ataques da reitoria contra os estudantes filhos da classe trabalhadora. Este grupo em nada soma ao movimento estudantil da UFC. Seu debate é puramente aparatista, sendo mais adequado um nome do tipo “Por Amor ao DCE”.

Consciência/PDT e Mudança/PT já compõe a atual gestão governista do DCE que apoiou o REUNI, foi contra o V Congresso de Estudantes da UFC, em nada apoiou a luta estudantil contra o aumento de passagem e, de cabeça baixa, assistiu a reitoria transformar a Concha Acústica no seu quintal particular, proibindo o uso deste para as tradicionais calouradas. A UJS/PCdoB, por incorporar a mesma política governista/pelega/ burocrática, entrou para compor o blocão governista. Fica tão claro o apoio desta chapa ao governo em todas assuas esferas que o próprio nome é uma cópia deslavada do slogan da Prefeitura, “Por Amor à Fortaleza”.

Sua principal força sçao os cursos do interior, onde o REUNI de maneira geral, ainda é entendido como algo positivo, pois em seu primeiro momento pode se observar uma série de obras, sem no caso entender a falta de autonomia de recursos e a expansão sem qualidade, com intereses voltados unicamente ao mercado.


CHAPA III – Rebele-se!


O próprio nome já declara quem é o grupo que controla esta chapa: PCR. Este grupo, históricamente, caracteriza- se pelo discurso revolucionário e uma prática reformista. São famosos por sua política aparatista e aparelhista.

Já fora, anteriormente, gestão do DCE/UFC, em uma aliança stalinista com a UJS/PC do B. São atualmente gestão do CA Paulo Freire (Pedagogia/UFC) e do DCE do IFET. Em todos os locais onde passaram, foram acusados de fraudes e desvios de verba. Vale ressaltar a política oportunista deste setor durante sua curta e patética atuação contra o aumento da passagem, o qual tentaram claramente aparelhar e colocar a serviço de sua entidade fantasma: a UESM.

Sua força é exclusivamente no Nordeste, em especial no estado de Pernambuco, que costumam ser deslocados para cá nos momentos de luta pelo aparato..

Neste sentido entendemos que todas as chapas inscritas para esse processo, salientando suas distinções, mantêm uma política de parlamentarismo estudantil, onde o principal é a busca pela manutenção de aparatos onde as lutas estudantis são secundarizadas ou até mesmo dispensadas.

Em virtude disso, convocamos todos os estudantes da UFC a votarem nulo nesta eleição para DCE. Nosso chamado ao boicote eleitoral deve ser entendido não como algo principista, mas conjutural, pois nenhuma das chapas se dispõem a efetuar uma política combativa, em defesa dos filhos da classe trabalhadora, para o DCE/UFC.

É importante lembrar que as eleições passadas para o DCE/UFC , não deu quorum eleitoral, isso se deve porque as superestruturas como DCE estão completamente desviculados da realidade da base do conjunto dos estudantes, muito porque as lutas setoriais se dão de maneira mínima.

Materializando nossa critica, convocamos todos os lutadores do povo que atuam dentro da UFC, nas bases de seus cursos, a construir um movimento de oposição classista e combativa ao DCE/UFC , que estenda sua luta para muito além do processo eleitoral alienado, a partir de uma política classista que rompa com o legalismo dos setores governistas e paragovernistas, fortalecendos as lutas e entidades de base e convocando a unidade com a classe trabalhadora a partir de métodos de ação direta, sendo um germe das reivindicações dos estudantes proletários da UFC.


FORA GOVERNISTAS E PARAGOVENISTAS!

FORTALECER AS OPOSIÇÕES DE BASE CLASSISTAS E COMBATIVAS!

CONSTRUIR A UNIVERSIDADE POPULAR!

AVANTE RECC!


Rede Estudantil Classista e Combativa.

sábado, 12 de setembro de 2009

Comunicado da RECC-UFF, N° 1, ano-1, setembro/2009


O BALANÇO DAS ÚLTIMAS LUTAS ESTUDANTIS E A ATUAL CONJUNTURA


O movimento estudantil no Brasil e aqui na UFF se encontra em declínio no que diz respeito as lutas e mobilizações, já que as poucas realizadas não conseguem ter uma continuidade. Esse cenário é resultado da prática política vigente dos setores majoritários do movimento estudantil (PT/PC do B) representando a ala governista, isto é, estão ao lado do governo Lula, empresários e do Estado e (PSOL/PSTU) representando o para-governismo, isto é, falam em nome dos estudantes como seus representantes através de discursos demagogos, levantam algumas poucas bandeiras históricas, mas na prática reforçam a prática governista. Assim nos últimos anos poucas foram as mobilizações que alcançaram alguma vitória, pois como falamos anteriormente não houve uma continuidade. Apresentaremos neste texto as lutas combativas que ocorreram nos últimos dois anos e o porque de essas não ter avançado, para depois falarmos da atual conjuntura, especificamente o atual cenário da UFF.

No ano de 2007, ocorreram duas lutas significativas do movimento estudantil: o ato combativo pelo passe livre no Rio de Janeiro, que contou com a presença de cerca de 5.000 estudantes universitários e secundaristas; e a ocupação da USP. No primeiro caso, uma possível continuidade de mobilizações e lutas radicalizadas foi abandonada, devido a prática dos setores dominantes do movimento estudantil que a privilegiaram a burocracia em detrimento da ação direta. Essa política afastou os estudantes da luta, o que favoreceu o enfraquecimento da mobilização, além da possibilidade avançar para outras pautas específicas. No caso da USP, que foi iniciada por estudantes combativos independentes e de outras organizações menores, os setores para-governistas boicotaram a ocupação. Esse boicote foi visto em duas assembleias da ocupação que o PSOL e PSTU votaram pelo fim da mesma. Esse fato comprova a nossa tese: o para-governismo faz a política que o governismo quer, sem precisar deste ao seu lado.

O ano de 2008 a ocupação da UNB que se iniciou com caráter combativo, classista e independente, tinha como pauta de luta não somente as questão das fundações privadas, mas também a luta contra a burocracia dos conselhos universitários1, etc. Esta ocupação também foi capitulada pelos setores governistas e para-governistas, além de ter tido a ajuda direta da mídia e alguns políticos de Brasília dando ênfase na questão da corrupção, camuflando o verdadeiro sentido e objetivo da ocupação. No ano passado (2008) no 2° semestre, ocorreu na UFF a continuidade da luta contra o REUNI, através dos piquetes e assembléias comunitárias realizadas contra a estrutura autoritária, burocrática e elitista dos colegiados, principalmente no Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF), com as assembléias foi possível se organizar contra o curso de segurança pública para graduação (que foi barrado graças aos piquetes), a fragmentação do curso de ciências sociais, etc. Após a realização de uma Assembléia Comunitária com cerca de 300 estudantes, onde foi aprovado a revogação do projeto de expansão do ICHF (projeto este que caracterizava a fase de implantação do REUNI localmente, assim como objetivos pessoais da própria direção do Instituto), estava mais do que claro que a organização coletiva dos estudantes aliada ao método da ação direta, quebravam a lógica burocrática de negociação, nos possibilitando o caminho para vitórias mesmo que parciais. Mas o que vimos foi a atuação de forças do movimento estudantil, então encabeçado pelo PSOL(campo majoritário no DCE), que capitularam novamente, levando a luta para a burocracia, privilegiando o acordo de cúpula em detrimento da ação direta dos estudantes. Isso permitiu que fosse realizado um seminário sobre o projeto de expansão, onde os professores e diretoria do Instituto, favoráveis ao próprio projeto ganhassem espaço e legitimidade, deslegitimando assim as assembléias comunitárias e toda mobilização estudantil. Esta atuação do campo para-governista mostra como estes servem de blindagem protetora para as propostas governistas ao agirem covardemente de forma legalista e pacifista. Como resultado deste processo: enfraquecimento e desmobilização das lutas estudantis.

Sendo assim, a conjuntura do movimento estudantil atualmente na UFF aprofunda o retrocesso do ano anterior: pouca luta, pouca mobilização e principalmente quase nenhuma vitória do movimento. Isso se verifica atualmente pelo modo como o DCE está encaminhando e apresentando as lutas. Neste 2° semestre (2009) a “bandeira da vez” é a luta contra os cursos pagos através de plebiscitos e abaixo-assinados. Explicaremos alguns motivos que tal política poderá levar os estudantes a uma nova derrota: 1) o plebiscito que o DCE está chamando, é apenas um modo de consultar os estudantes acerca de uma determinada questão, e que mesmo todos sejam contra os cursos pagos, isso não levará ao fim dos cursos pagos, uma vez que tal resultado passará pelo CUV (conselho universitário) que só aprova os projetos de interesses do capital e do Estado, produzindo e reproduzindo a lógica excludente e elitista da universidade; 2) Mesmo o CUV votando a favor do fim dos cursos pagos, estes continuarão a existir, pois essa aprovação pode ser meramente simbólica. Como exemplo de tal situação, temos a moradia estudantil aprovada há mais de 6 anos e até hoje nunca saiu do papel. Isso demonstra que só conseguiremos nossos direitos com muita luta; 3) a luta contra os cursos pagos não pode ser separada das outras lutas estudantis e sindicais, como a luta pela moradia estudantil, contratação de professores e técnicos administrativos, fim do vestibular, etc. Essa luta isolada é utilizada de forma oportunista “camuflando” as outras demandas que estão relacionadas entre si. O oportunismo se dá principalmente pela aproximação das eleições para o DCE e este que desde a capitulação no ano passado não se apresenta nas lutas, chama plebiscitos. Esta prática serve para a manutenção da universidade como é e não rumo a uma universidade popular que seja construída pelo povo e a serviço do mesmo; 4) Por último, para que essas lutas estejam mobilizadas, é preciso levá-las para as bases, isto é, para os DA's ,CA's e oposições, para que haja um acúmulo de discussão e apontamentos práticos para o combate aos cursos pagos e outras demandas. Não podemos esperar que o DCE de cima para baixo consiga organizar os estudantes.

Assim, a RECC (Rede Estudantil Classista e Combativa) chama todos os estudantes insatisfeitos com o atual movimento estudantil a participar das reuniões da rede, para que possamos fortalecer os DA´s combativos e oposições aos DA's e DCE's pelegos que desmobilizam os estudantes e reproduzem a exploração de classes.

É necessário construir debates que apontem para uma reflexão e chamem para a luta real, onde o estudante pobre se torna protagonista da transformação social em seu local de estudo, portanto não podemos nos perder em frases ou palavras de ordem vazias, mas pelo contrário nos organizar dentro de nossas capacidades e utilizar os meios necessários para combater o avanço liberal que privatiza e elitiza a educação. A luta contra os cursos pagos é a luta contra a mercantilização da educação, mas não podemos de forma alguma nutrir esperanças naqueles que outrora traíram o movimento. Não podemos nos enganar, mas sim lançar-se a luta com unhas e dentes! Por isso estamos construindo e convocamos todos ao debate:


“O RESGATE DAS LUTAS ESTUDANTIS E A ATUAL CONJUNTURA”

Exibição de documentário sobre mov. Estudantil em 68 e filme “O que é isso companheiro”, em seguida debate com prof. Haroldo de Abreu.

DIA: 16/09/2009 ÀS 18:00 HS
LOCAL: UFF- Bloco – E, sala 405
(Niterói- RJ)

Este debate é organizado pelo SERVIÇO SOCIAL EM LUTA, que integra a RECC.


AVANTE A RECC!!!
AVANTE O MOVIMENTO ESTUDANTIL CLASSISTA E COMBATIVO!!!



A próxima reunião da RECC- UFF, ocorrerá dia 21/09/09, no 2° andar do bloco E sala 204 (ao lado do DAMK) , às 19:30. Outras informações com os integrantes do Serviço Social em Luta.

domingo, 30 de agosto de 2009

Por um Movimento Nacional de Estudantes de Ciências Sociais Classista, Combativo e Independente!



Entre os dias 29 de agosto e 4 de setembro ocorrerá na em João Pessoa – Paraíba ( na UFPB) o XXIV ENECS (Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Sociais) com o tema: “Movimentos Sociais e Poder”. É necessário começarmos, antes de qualquer coisa, fazendo uma séria avaliação do Encontro sob uma perspectiva de luta para barrar o processo de burocratização que assola nosso movimento.

Não nos estenderemos a pequenas críticas, como o fato da data de realização do encontro ser durante as aulas e a própria organização que dificultou participação de muitos estudantes. Mas sim ao fato de que o ENECS se tornou uma grande colônia de férias pequeno-burguesa, onde os debates nas bases são quase inexistentes, no qual não vai aquele que leva a discussão coletiva dos estudantes e sim a de quem tem tempo, dinheiro e quer curtir a viagem. Enquanto isso o atual quadro do ensino superior no Brasil se caracteriza por um avançado processo de privatização, os números falam por si só, em 2007 já eram 4.880 milhões de estudantes nas universidades, 1.240 na rede pública e já 3.600 na iniciativa privada.

Os projetos governistas neoliberais como o ProUni são responsáveis por esse aumento da rede de ensino privado. Já nas universidades públicas temos o avanço da precarização com o REUNI, que para tal “ampliação” será auxiliado pelas Fundações de Direito Privado, que é acompanhado pela terceirização crescente do quadro de funcionários dividindo categorias e precarizando condições de trabalho, temos também a perseguição política perpetrada nacionalmente a estudantes e trabalhadores que participaram das ocupações de reitoria em todo Brasil, são alguns exemplos como Brandão (servidor demitido) na USP e o estudante Zanatha(processo judicial da PF) na UNB.

Por trás disso, se beneficiando de toda esta política ardilosa e despolitizante está a burocracia governista do movimento de curso como o PT,UJS/PC do B, que visa criar um movimento fantoche, uma diretoria sem base, sem luta e mobilização, buscando arrecadar e aparelhar politicamente/ financeiramente o nosso movimento pelo Governo Lula ao governo estadual como está fazendo neste ENECS.Por outro lado temos o PSTU com a proposta da recém surgida mais já abortada ANEL, que com todo propagado alarde não rompe definitivamente com a UNE e com a estratégia eleitoreira e legalista(Aprovando apoio a candidaturas eleitorais e tendo como estratégia “de luta” pedir medidas provisórias de Lula e entregar abaixo assinados).

Nós da Rede Estudantil Classista e Combativa, que estamos organizados em outras universidades do Brasil e em outros Cursos também, convocamos todos os estudantes a estarem construindo conosco um coletivo nacional de oposição em Ciências Sociais que tenha claramente uma linha: a) antigovernista (Contra a UNE, o PT, UJS e as políticas neoliberais do Governo Lula para Educação), b) Uma política Combativa (que só através da ação direta dos estudantes e trabalhadores se conseguirá avançar nas conquistas), c) Classista (Onde devemos ligar um movimento estudantil proletário a construção de um movimento nacional de oposição sindical e popular), Desde já nas bases devemos organizar coletivos de curso para disputar os CA´s para uma linha que garanta o poder das bases estudantis e leve nosso programa combativo: 1) Diretórios/Centros Acadêmicos: direção colegiada(com revogabilidade de mandatos) + GT´s abertos, assembléia geral do curso com órgão deliberativo regular.

Assim defendemos a realização de um congresso estudantil de ciências sociais para 2010, feito pela base, com tiragem de delegados em assembléias por curso, que seja o caminho para uma maior mobilização e discussão dos estudantes. Deste modo apontamos que o congresso deve ter como pauta 4 pontos de discussão: 1) organização e concepção do Movimento Estudantil de Área; 2) universidade e conjuntura; 3) formação em ciências sociais, onde estaria em discussão o currículo e o projeto político-pedagó gico do curso; 4) sociologia no ensino médio. Propomos para a organização do movimento de área: 1) Congresso Nacional: delegados eleitos por assembléia geral dos cursos, órgão deliberativo nacional máximo; 2) Plenária Nacional de Delegados de Base – órgão deliberativo regular intermediário composto por membros eleitos nas assembléias geral dos cursos; 3) Executiva Nacional: órgão de direção e encaminhamento político, subordinado a PLENÁRIA e Congresso.

Reconstruir o movimento de área de Ciências Sociais é Combater a Burocracia Estudantil e as Reformas Neoliberais!
Por um Congresso de Base!
Viva a ação direta de estudantes e trabalhadores!
Construa com sua entidade a Rede Estudantil Classista e Combativa!


51° CONUNE: Mais uma Micarê governista da UJS/PC do B!


Entre os dias 15 e 19 de julho de 2009, celebrado de 2 em 2 anos, ocorreu em Brasília mais um Congresso Micarê da UNE (União “Neoliberal”do Estudantes). Esta entidade que e desde o início dos anos 90 é controlada pela burocracia estudantil mais ardilosa deste país, a UJS (União da Juventude Socialista) a “mulecada” do PC do B, vem a público mais uma vez neste evento constatar a falência desta mesma entidade para a luta combativa dos estudantes brasileiros e demonstrar para os ingênuos por que uma suposta “mudança por dentro” ou “esperança numa entidade tão antiga” é extremamente longínqua e falaciosa.

Um congresso de cartas marcadas para uma burocracia podre:

O congresso deste ano como não poderia deixar de ser, elegeu mais uma vez a chapa da coalizão encabeçada pela UJS, composta também por PT (Democracia Socialista, que ficou com a vice-presidência, e Campo Majoritário), Movimento Mutirão (MR-8/PMDB e juventude do PP), PDT, PPS, PL e PSB sendo eleita com 72% dos votos (2018 do total de 2809). 11% dos votos foram para correntes petistas (OT e Articulação de Esquerda). É importante lembrar que o novo presidente da UNE, Augusto Chagas da UJS, é conhecido por seu passado de traição e burocratismo quando esteve à frente do DCE da UNESP/FATEC em SP.

Marcado pela presença do Presidente Lula em sua abertura, o CONUNE demonstra o grau de aparelhamento governista sobre a entidade. Sua gorda burocracia já recebeu desde 2004 cerca de 10 milhões do governo Lula, além de receber para esse congresso 1 milhão de reais de empresas “estatais”, sendo 100 mil da Petrobras entregue pelos favores no apoio nas campanhas como o “pré-sal é nosso” e contra a CPI da Petrobrás (lembrando que o PC do B está na direção da Agência Nacional do Petróleo - ANP). Os frutos plantados pelo governo federal e empresários do ensino estão sendo colhidos em todos esses anos de entreguismo, sendo que a nova gestão da entidade já anuncia como maior meta dar amplo apoio no projetos governistas como ProUni (Programa que sob demagógico discurso social financia o aumento das universidade particulares) e o ReUni(programa que sobre o discurso de “democratização” do ensino, precariza as universidades e abre brecha pra fundações privadas).

Outros exemplos desta política de aparelhamento eleitoreiro e pelo estado burguês, pode ser percebida em 2007 onde a empresa STB que emite carteirinha da UNE doou 602 mil para a construção da Sede do PC do B no Centro de São Paulo. Mas atualmente a burocracia da UJS está de olho mesmo é na bolada de 27 milhões que o governo Lula dará para a construção da nova sede da UNE na praia do flamengo.

Um congresso marcado pelo aumento da burocratização com a redução da discussão na base com delegados não mais eleitos por Curso e sim por Universidade e onde em meio a estudantes embriagados a “descontraída” burocracia aprova sua política neoliberal sob a máscara de “desenvolvimento nacional” é necessário traçar uma séria análise para a construção de um verdadeiro movimento estudantil classista, combativo e independente que combata a privatização do ensino e lute por uma universidade popular dos trabalhadores.

Romper com a UNE e Construir uma alternativa Classista Combativa!

O congresso da UNE termina com o governismo fortalecido mais do que nunca, já o eleitoreiro PSOL aliado ao PCB seguindo sua linha oportunista de abocanhar cargos na entidade ,conseguiu apenas 9% de votos sendo a maior chapa de “oposição”. Isto demonstra que a via da “mudança por dentro” é inviável e indesejável, relegada aos partidos e grupos cada vez mais burocratizados.

Já o PSTU no Congresso Nacional de Estudantes – CNE, realizado na UFRJ, que fundou a ANEL (Assembléia Nacional de Estudantes – Livre).Traçou neste linhas políticas que não trazem nada de concreto para o rompimento com o velho movimento estudantil: a) Não rompe definitivamente com a UNE, b) Aprova apoio a candidaturas parlamentares, c) Traça como metodologia legalista “de luta” exigências de medidas provisórias e abaixo assinados para o Governo Lula (como por passe livre), d)Funda uma entidade estudantil na busca de efetivar a manobra política com setores do PSOL (Intersindical) que querem construir um central apenas sindical.

Por isso neste mesmo CNE nós estudantes proletários, cientes da necessidade de nos articularmos coordenadamente a nível nacional puxamos uma Rede Estudantil Classista e Combativa, que rompe definitivamente com a UNE, e que busque dialogar com os setores verdadeiramente combativos da ANEL e da CONLUTAS, visando a construção de um movimento de oposição nacional, baseado na construção de oposições estudantis para disputar uma linha antigovernista, combativa e democrática para os C.As e DCE’s e através da ação direta proletária avançar nas conquistas dos estudantes e dos trabalhadores.


Fora UNE e Ubes Pelegas!

Avante a RECC, nenhuma ilusão na ANEL!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Análise da criação da ANEL e o CNE



Análise do Congresso Nacional dos Estudantes:
Um congresso a serviço de uma nova entidade,
Uma nova entidade a serviço do oportunismo.


Entre os dias 11 e 14 de junho de 2009, ocorreu no Rio de Janeiro o Congresso Nacional de Estudantes. Este congresso foi parte de um processo de reorganização que o movimento estudantil nacional vinha passando, desde que sua principal entidade, a União Nacional dos Estudantes (UNE), tornou-se uma importante aliada do governo na implementação das reformas neoliberais que destroem a educação pública.


Embora o Congresso tenha sido puxado inicialmente pelo PSTU, uma parcela significativa do movimento estudantil independente, juntamente com outras correntes políticas, como correntes do PSOL, CM, LM, CEPOACE, LER, LBI, ADE, CCI, também aderiram à construção deste congresso, com o objetivo de rearticular nacionalmente o novo movimento estudantil. Havia o intuito de se discutir a crise econômica e seus reflexos na educação, os projetos de reestruturação do ensino, o novo vestibular, as opressões. Enfim, esperava-se debater os problemas que afligem os estudantes em cada localidade, fazer um balanço dos últimos processos do ME (Frente de Luta Contra a Reforma Universitária, CONLUTE, ocupações e greves) e, a partir disso, unificar as lutas com um programa comum em um calendário de lutas real que pudesse garantir as lutas do próximo período e preparar os estudantes frente aos constantes ataques do governo a educação.

Mas desde seu início o PSTU dava sinais bem claros de que seu grande objetivo neste congresso era fundar uma nova entidade. Seus militantes defendiam que apenas a criação desta entidade poderia garantir as lutas estudantis. Não importando o fato de não ter havido nenhuma discussão com a base dos estudantes. Foi por isso que no CNE o PSTU utilizou toda sua hegemonia e seu maior número de militantes para tratorar as discussões, ou seja, para passar por cima do debate como um rolo compressor.

Como o PSTU era irredutível em sua proposta e representava mais de 70% do Congresso, todos os GDs acabaram se resumindo a discussão sobre criar ou não a nova entidade, inviabilizando a discussão dos outros temas, importantíssimos para armar os estudantes para as lutas. Toda e qualquer intervenção que tentasse fazer um balanço do modo como se estava criando esta nova entidade era sucedida por uma dezena de intervenções histéricas e repetitivas de militantes do PSTU a favor de sua criação.

Embora o PSTU tenha conseguido ser maioria numérica no congresso, nas teses inscritas (por correntes, movimentos, coletivos, Ca’s e grêmios) a situação era outra. Das 16 teses, apenas 2 defendiam a fundação de uma nova entidade neste congresso. Talvez por isso o tempo de apresentação das teses foi diminuído de 15 para 8 minutos e os painéis de apresentações de teses foram suprimidos, enquanto grandes debates de intelectuais do PSTU eram garantidos paralelamente ao congresso. Num congresso de estudantes, foram os professores que falaram.
Por fim, na plenária final uma grande manobra da comissão organizadora fez com que os dissensos fossem votados antes dos consensos e que o primeiro dissenso votado fosse a criação da nova entidade. Assim, a Assembléia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL), é fundada antes mesmo de se discutir sua estrutura e sua base programática, provando que o importante mesmo era sua fundação e não seu conteúdo.

Dessa forma, esta nova entidade é fundada sem representar os verdadeiros anseios dos estudantes. Ela não cumpre seu propósito de polarizar com o governismo, pois ela já nasce com um pé na UNE. Na verdade, a eterna tentativa de aproximar os integrantes da FOE-UNE com a ANEL tem o fim eleitoreiro de fortalecer a Frente de Esquerda. E também a linha de liquidação do projeto inicial da CONLUTAS, buscando a fusão com a INTERSINDICAL, que projeta uma central estritamente sindical, acatando a proposta do PSOL de eliminar a presença estudantil. O que é bem diferente do projeto inicial da CONLUTAS de ser uma central sindical-popular- estudantil.


UMA REDE ESTUDANTIL CLASSISTA E COMBATIVA QUE SE ORGANIZA PELA BASE NASCE EM RESPOSTA A DÉBIL POLÍTICA DA ANEL.

Paralelamente ao CNE foi convocada uma Plenária dos Estudantes Classistas e Combativos. A idéia desta plenária era articular através de entidades e oposições de base, como CA’s e grêmios, um movimento estudantil combativo que realmente polarizasse com o governo, sempre ressaltando os métodos de ação direta em detrimento da via burocrática e legalista. Buscando a articulação das lutas em âmbito nacional pela base, fazendo as críticas aos setores carreiristas que utilizam os organismos de base dos estudantes como palanque eleitoral.

Ao contrário do que ocorreu no CNE, na plenária houve um amplo e riquíssimo debate. Foi discutida a situação da educação nacional de um ponto de vista classista, baseada em uma concepção de classe para o ME e a educação brasileira. Se contrapondo assim a perspectiva policlassista adota por setores do ME, que alegam não ser possível tirar uma política de classe para nosso movimento.

Assim foram relatadas as lutas locais que estavam sendo travadas e suas características comuns. Um consenso entre todas as delegações foi de que as lutas normalmente eram “freadas” pelo paragovernismo do PSOL, que legitima as propostas do governo, ao sentar em mesa de negociação com a reitoria, se mostrando como representantes do movimento, em uma política de parlamentarismo estudantil. E pelo oportunismo do PSTU que sempre fecha com os paragovernistas em uma política aparatista/cupulist a. É nesse contexto que surge a necessidade de se organizar uma alternativa pela base, claramente classista e combativa.

Com a crise econômica os ataques à educação só aumentaram. A começar com o corte de verbas para a educação em 10 milhões do orçamento do governo e das recentes reformas do ministro Haddad, como o novo ENEM e a reforma do ensino médio, que precarizam ainda mais a educação pública. Acabando com o ensino da História e da Geografia, dentre outras matérias, e criando grandes blocos de ensino através das mobilidades. Ou seja, se caminha para uma educação pública cada vez mais sucateada. Isto sem contar na limitação da meia estudantil.

O CNE foi incapaz de dar respostas a estes recentes ataques, pois se fundamentava apenas em criar uma nova entidade, sem se deter em sua base programática.

Na Plenária de Estudantes Classistas e Combativos, depois de longos relatos, ficaram ainda mais claros os efeitos desmobilizadores das políticas de CONSUNI, audiências públicas e os métodos aparelhistas dos setores oportunistas. Pois a partir dessas práticas, a burocratização e desmobilização de nosso movimento só tendem a crescer. A Plenária reivindicou assim o protagonismo estudantil e o método da ação direta como sendo a maneira de se obter reais vitórias e colocar o estudante como sujeito da luta. Desses debates foi criada a RECC- Rede de Estudantes Classistas e Combativos.

A RECC se organiza por entidades de base e oposições, através de uma lista de email nacional, um jornal impresso, um blog e reuniões das seções regionais. Sem o objetivo de ser uma “nova entidade estudantil”, ela é um instrumento nacional de organização entre os estudantes pobres e lutadores que assumem uma política anti-governista e criticam o papel do paragovernismo. Assim a RECC nasce como uma crítica propositiva ao CNE, armando os estudantes para o próximo período.

Avante a Luta Combativa dos estudantes proletários!
Avante RECC!