quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ato - Publicação do AVANTE! Nº 2 de Março de 2010

Ato contra Novo ENEM mobiliza secundaristas e universitários no Ceará

No dia 26 de Fevereiro em Fortaleza, cerca de 200 estudantes universitários (UECE e UFC) e secundaristas de cursos pré-vestibulares e escolas públicas, organizados no Comitê de luta contra o Novo Enem e pelo Livre Acesso, ocuparam o CONSUNI (Conselho Universitário) da UFC, impedindo a votação que aprovaria o Novo Enem como forma única de acesso a universidade.

Entretanto o reitor, de forma autoritária e antidemocrática, aprovou o novo Enem via Ad Referendum, um mecanismo previsto na estrutura da universidade onde ele pode aprovar projetos apenas com sua assinatura. Se os conselhos universitários já são espaços burocratizados, pois a representação estudantil é mínima e impotente nesses, aceitar o mecanismo do Ad Referendum é legitimar que o REItor decida todos os caminhos da universidade sozinho.

A RECC teve um papel fundamental na construção e impulsionamento desse comitê, participando ativamente de suas comissões e de mobilizações em debates na UECE, UFC escolas e cursinhos, hasteando sempre as bandeiras da ação direta e do protagonismo estudantil. Desde ano passado já construímos debates sobre o Novo Enem.

Já os para-governistas do DCE-UFC (Psol/PSTU) defenderam inicialmente a bandeira recuada de “por mais debates”, alterando de opinião somente após pressão da base estudantil, ainda que de forma oportunista. Ainda assim, a maior parte do DCE fez claramente “corpo mole” nos processos de mobilização, reocupando-se mais em aparecer na mídia burguesa em detrimento dos debates na base estudantil. E mesmo afirmando o CONSUNI como espaços burocratizados, continuam a legitimá-lo.

Por sua vez, a mafiosa corja governista da UNE (PT/PDT/PCdoB), articulou um golpe que aprovou o ENEM em CEB (Conselho de Entidades de Base). Isso só ocorreu porque tiveram a ajuda da debilidade organizativa do DCE-UFC, cedendo à pressão do governismo que remarcou um CEB no horário da plenária do Comitê contra o novo ENEM, em uma clara tentativa de boicotar nossa atividade.

Depois do AD Referendum a luta contra o novo Enem e pelo Livre Acesso ganhou novas proporções, sendo incorporado a bandeira de democracia universitária, que passa necessariamente pela destruição dos CONSUNI, e pela defesa do voto universal em todas as instâncias. O comitê juntamente com a RECC segue na luta, novas manifestações já foram marcadas e novas lutas poderão vim! ■

Derrotar as reformas educacionais neoliberais de LULA/PT com ação direta estudantil!

Abaixo o Semi-Governismo (PSOL/PSTU) Eleitoreiro, Burocrata e Oportunista, do M.E!





Análise - Publicação do AVANTE! Nº 2 Março de 2010

XVIII ENEG: PRIMEIROS PASSOS PARA A RECONSTRUÇÃO DA LUTA E ORGANIZAÇÃO NA GEOGRAFIA



O último Encontro Nacional de Estudantes de Geografia, ocorrido em Janeiro na cidade de Maceió – AL, teve importantes embates políticos. A RECC esteve presente defendendo a necessidade de organizar e armar politicamente o Movimento Estudantil de Geografia (MEGEO) para os desafios e lutas os quais teremos que enfrentar nesse próximo período.

O MEGEO, como analisamos em nosso Manifesto ao ENEG[1], atualmente se encontra desorganizado e burocratizado, pois não existem instrumentos organizativos internos para garantir a democracia de base nem os debates políticos essenciais para avançarmos na luta. O “apartidarismo” direitista, defendido pela atual “gestão participativa” da Confederação Nacional das Entidades dos Estudantes de Geografia (CONEEG), é uma camisa-de-força para perpetuar a despolitização e a apatia que dominam o movimento. Isto ficou claro no último ENEG. De 2.000 estudantes presentes, cerca de apenas 100 participaram das atividades e, no próprio calendário do Encontro, simplesmente não foi garantido espaços para o acúmulo político. Tal fato é resultado de uma concepção errada de Movimento Estudantil, que deve ser combatida de forma veemente pelos lutadores sinceros, pois a desorganização e despolitização servem apenas para facilitar a implementação das políticas neoliberais do Governo Lula contra trabalhadores e estudantes, uma vez que não é capaz de opor resistência!

Mesmo numa conjuntura tão desfavorável, a RECC desde o início do ENEG fez o combate a atual linha da CONEEG, propondo a construção de um Congresso de Base dos Estudantes de Geografia, com eleição de delegados e apresentação de teses. A intenção seria modificar o caráter da participação de hoje que é dominada pelo clima festivo e que em geral só vai quem tem condições financeiras e vontade de curtição, para um caráter de representatividade das bases organizadas. Tal proposta foi defendida também pela Regional Nordeste e deu a tônica da polarização na Plenária Final contra os “apartidários”, que foram contra o congresso, claro. A proposta do Congresso perdeu por menos de 10 votos e representou um primeiro passo na polarização nacional no MEGEO. Na Plenária Final se deliberou também a construção de uma Semana Nacional em Defesa dos Trabalhos de Campo, entre os dias 24 e 28 de maio, momento importante para a mobilização e discussões desde a base.

Nós da RECC acreditamos que desde já se faz necessário constituir uma oposição nacional no MEGEO, com uma linha verdadeiramente anti-governista, combativa e classista, que combata a UNE e os governistas sob todas as suas roupagens (inclusive a “apartidária”!), que denuncie o oportunismo da ANEL/Pstu que reproduz o reformismo/parlamentarismo da UNE e que dispute politicamente a direção do MEGEO no sentido de colocá-lo a serviço das lutas. Por isso fazemos um chamado a todas as entidades e coletivos/oposições de geografia pelo Brasil para organizarem-se na RECC, enquanto pólo de oposição e reorganização do Movimento Estudantil brasileiro. ■
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[1] Disponível no sítio da RECC.

Pelo Congresso Nacional de Base! Construir a Semana Nacional em Defesa dos Trabalhos de Campo! Por uma Ciência Geográfica crítica e a serviço da causa do povo!

Publicação do AVANTE! Nº 2 Março de 2010


Debate em Porto Alegre:

Mais um passo na consolidação nacional da RECC.

No dia 28 de Janeiro de 2010, na cidade de Porto Alegre - RS, a Rede Estudantil Classista e Combativa organizou, juntamente com o Grêmio Estudantil Parobé-RS e as organizações Luta Marxista e União Popular Anarquista, um debate ampliado com o tema: “As Tarefas da Luta Estudantil Combativa para 2010”. A reunião, realizada de forma paralela e independente ao fórum social mundial, então em ocorrência, tinha como principal objetivo analisar a conjuntura e avançar o debate para consolidação de uma alternativa anti-governista, classista e combativa para o Movimento Estudantil, assim como apontar atividades e campanhas a serem encaminhadas nacionalmente.

Desta forma, foram deliberadas atividades de agitação e propaganda no que chamamos de “Semana Estudantil Classista e Combativa”, a ser realizada na semana do Dia Nacional de Luta dos Estudantes, 28 de março. Esta data é marcada pela morte do estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto, assassinado a balas em 1968 pela repressão policial da ditadura quando este participava da ocupação do Restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro. Foi encaminhado ainda que as entidades de base filiadas a RECC façam debates e mobilizações pela pauta do Fim do Vestibular, além da importância de levantarmos alta a bandeira da aliança operária-camponesa-estudantil, em especial no 1º de Maio, Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores, convergindo na construção de um Movimento Nacional de Oposição, que combata o governismo e o reformismo e sirva de ferramenta para a luta de nossa classe. ■


Construir a Semana Nacional Estudantil Classista e Combativa!

Semana Nacional Estudantil Classista e Combativa


Seminário RECC - CE


A Rede Estudantil Classista e Combativa convida a todos os estudantes e militantes para o video-debate: "Balanço das lutas estudantis em Fortaleza e as tarefas para oste período"

Data: 09/04
Local: sala 16 (FACED-UFC)
Horário: 17h

Edson Luís Vive!
Viva o movimento estudantil proletário!


quinta-feira, 1 de abril de 2010

Semana Nacional Estudantil Classista e Combativa

Seminário da RECC-DF


Em um momento de refluxo das lutas, resgatarmos a memória do Movimento Estudantil (ME) se faz importantíssimo para aprendermos com os erros e acertos daqueles que lutaram e derramaram o sangue na luta. Em 28 de março de 1968, no Rio de Janeiro, morreu em confronto coma polícia o estudante secundarista Édson Luís, no auge da radicalidade e organização do ME. No dia seguinte a morte de Édson Luís, em Brasília, centenas de secundaristas fecharam a W3 Norte entrando em confronto e queimando carros da polícia.

Atualmente, sob as mesmas siglas de organizações que foram algo no passado - UNE, UBES e UMESB -, o que vemos são entidades totalmente falidas para as lutas, burocratizadas e atuando como correia de transmissão do Governo Lula e da classe dominante para dentro do ME. Para seguir um caminho de luta é necessário romper com a UNE e com o Governismo, sendo esta atitude central para a reorganização do ME.

Neste início de abril, exaltando o camarada Édson Luís e tantos outros que tombaram na luta contra o capitalismo, a Rede Estudantil Classista e Combativa – RECC convoca todos os estudantes a participarem de um seminário onde discutiremos os atuais projetos neoliberais na educação, e que nos afetam diretamente, tais como o Sisu/Novo ENEM, o Ensino Médio Inovador, o REUNI, PROUNI etc. Discutiremos também a necessária reorganização do ME e da classe trabalhadora em geral. Una-se a essa luta! Ousar lutar, ousar vencer!


EDSON LUÍS: PRESENTE!!! NÃO ESQUECEMOS NEM PERDOAMOS!!!
OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!!!

domingo, 21 de março de 2010

Carta da RECC - publicação do AVANTE! nº02 - Março de 2010

Carta aos Estudantes do Brasil:
Só a luta Combativa e Anti-governista nos levará à vitória!




O ano de 2010 se inicia e traz à tona uma série de embates para os estudantes brasileiros. É nesse sentido que a RECC - Rede Estudantil Classista e Combativa faz um chamado a todos os estudantes proletários a cerrarem fileiras conosco para dar prosseguimento na luta contra as reformas neoliberais na educação. Por isso, na atual conjuntura, é de extrema importância apontar claramente os caminhos para a construção de um movimento estudantil independente e combativo e prosseguir a discussão da criação de um instrumento de luta para a classe trabalhadora.


Crise do Capitalismo

A partir da crise econômica mundial que se instalou em 2008, resultado da quebra da bolsa de valores e da explosão da bolha imobiliária norte-americana, foram implementadas pela burguesia mundial uma série de ataques e corte de direitos aos trabalhadores de todo o globo (demissões em massa, arrocho salarial etc.), visando recompor seus lucros sobre as costas do proletariado, aumentando a exploração, e buscando gerar uma nova concentração de capital, através das mega-fusões, fortalecendo o capitalismo ultra-monopolista.

Os governos de todo o mundo, tendo a frente a política de Obama, saíram em defesa dos bancos e das transnacionais, com planos de desvios milionários de dinheiro público para a iniciativa privada, na política de salvação do capitalismo. Apesar da crise não atingir intensamente o Brasil, aqui não foi diferente. Lula concedeu isenção de impostos ao patronato do setor industrial, repasses via BNDES, ao mesmo tempo em que realizou corte de mais de 1 bilhão na educação.

Os partidos do bloco governista, através de suas centrais sindicais burocratizadas (CUT, CTB, Força Sindical), se alçaram numa verdadeira campanha de salvação da ordem vigente, com a promoção de campanhas nacional-desenvolvimentistas, sabotagem das lutas locais e de reforço do Estado Burguês como resposta a crise. Já os setores para-governistas (PSTU/PSOL) da CONLUTAS e da Intersindical, se mostraram débeis e ficaram a reboque da política do governismo “sob os gritos de unidade” com a burocracia. Deste modo, ao contrário de impulsionar uma luta combativa e independente dos trabalhadores, dissolveram seu programa e se imobilizaram nas grandes frentes legalistas e atos unificados com o governismo (Ato pela Redução da Taxa de Juros, A Vale é Nossa, Comitê pela Reestatização da Embraer, Pre-sal tem que ser nosso etc.).


Ataques à educação e o Movimento Estudanil

Mas os ataques não param por aí. A reestruturação produtiva, visando avançar no aprofundamento da formação de mão-de-obra para empresas e privatização da educação, caminha a todo vapor, perpetrada pela burguesia brasileira e o Governo do PT. A Reforma Universitária e as reformulações nacionais feitas no ensino médio através do PDE (Programa de Desenvolvimento da Educação), Movimento Todos Pela Educação e as políticas tiradas na CNE (Conferência Nacional de Educação), apontam para toda uma reformulação acadêmica que tem no novo ENEM e no Ensino Médio Inovador sua mais nova face da adequação do ensino a política do empresariado brasileiro. Reformas estas que analisaremos nesta edição.

Todos estes ataques não poderiam estar se realizando sem o braço do Governo Lula/PT no movimento estudantil: a UNE (União Nacional dos Estudantes), que durante os últimos 8 anos demonstrou todo o seu caráter reacionário e burocrático para o movimento. Defendeu as principais políticas neoliberais do governo, travestidas de populistas, tanto na educação (via Reforma Universitária: ProUni, ENEM, Reuni, Fundações), como no mercado de trabalho (Super Simples, Reforma Sindical, Reforma da previdência), e não pode esconder as gordas verbas que recebeu para tal serviço sujo (mais de 10 milhões). Por isso, a RECC compreende que a ruptura e o combate às entidades governistas (UNE, CUT, CTB) é um passo essencial para o desenvolvimento de qualquer luta no atual momento, ainda mais com uma possível vitória de Dilma Roussef (PT) nas eleições burguesas.

Ao mesmo tempo, se faz necessário analisar a recém criada ANEL - Assembleia Nacional de Estudantes Livre, que surge como resultado do recuo na linha do PSTU de rompimento com a UNE e com governismo. A dissolução da CONLUTE e da Conlutas (via fusão com a Intersindical), e a fundação da ANEL e da Nova Central, é uma declarada adequação a linha para-governista do PSOL. Basta ver que este último ainda possui todas as suas correntes estudantis dentro da UNE e que suas correntes sindicais induziram a adequação completa da Conlutas nas últimas lutas para a fundação da nova central, em três pontos: 1) Participação ativa na política de unidade com os governistas, já que Intersindical nunca se separou definitivamente da burocracia da CUT; 2) Corte na participação estudantil e de setores do movimento popular na nova entidade, e; 3) Adequação a Reforma Sindical do Governo Lula, para angariar o aparato do imposto sindical.

Este desvio político também conduziu ao oportunismo e a debilidades práticas. Em sua última plenária nacional realizada no dia 30 de janeiro, em Salvador, a ANEL não apresentou nenhuma política concreta para as reformulações e ataques da burguesia brasileira na educação, não debatendo nada sobre a luta contra o novo ENEM e as reformulações feitas pelo Ensino Médio Inovador, deixando um vácuo para a luta dos estudantes. Ao mesmo tempo, a ANEL já expressa em suas resoluções do CNE (Congresso Nacional de Estudantes) sua estratégia legalista para o próximo período, que consistirá em apoiar PL’s (Projetos de Lei), Plebiscitos, abaixo assinados e candidaturas parlamentares para implementá-los, pois, na prática, a ação direta e as ocupações ficam relegadas a segundo plano; esta resolução fica clara na passagem: “ somente (sic) com um projeto como o PL podemos alcançar a universidade que queremos”.


Eleições do regime democrático-burguês

2010 enquanto ano eleitoral prepara mais uma farsa da democracia burguesa para os trabalhadores. Os partidos reformistas e eleitoreiros, a qual condicionam boa parte de sua existência a participação na democracia burguesa, preparam mais uma vez o reforço das estruturas do Estado Burguês e as ilusões legalistas no seio do proletariado. O PT, da Dilma Roussef, abre sua frente eleitoral de colaboração de classe com apoio da burguesia brasileira organizada no PMDB e demais siglas governistas (PDT, PPS etc.) e organiza seu apoio nas organizações de trabalhadores capitaneadas pela CMS (MST, CUT, UNE). Oura sigla tradicional da burguesia, o PSDB, que se diferencia apenas em grau do PT, aposta na eficácia de Serra para dar continuidade às políticas de reestruturação neoliberal no país conduzida por Lula até agora. O PSOL veio a público nestas eleições apenas mostrar o quão longe pode chegar seu oportunismo eleitoreiro, chamando uma aliança com o burguês PV, cujo aborto deste casamento nada muda o caráter reformista de sua política. Já o PSTU revela sua política também eleitoreira, anunciando ser as eleições o maior embate dos trabalhadores para o próximo período.


Conclusão e alternativas

A crise econômica mundial ainda não possui futuro certo, podendo se agravar e gerando condições para uma quebra no consenso governista, da mesma forma que não. Ainda assim, não podemos ficar reféns da política catastrofista das entidades e partidos reformistas que esperam sentados o desmoronamento do capitalismo, enquanto ao mesmo tempo submetem as organizações de luta dos trabalhadores ao legalismo, ao eleitoralismo e ao governismo no Brasil. Essa política nos conduzirá a derrota.

Por isso a RECC entende que se faz urgente e necessária para os estudantes e trabalhadores do Brasil a reorganização de um verdadeiro pólo anti-governista para as lutas contra os ataques que se esboçam para o próximo período, sejam pelo imperialismo ou pela burguesia nacional. Dessa forma, a Nova Central e sua linha para-governista representará um retrocesso para a luta dos trabalhadores. Então, é imprescindível que se avance nesse momento na construção de plenárias de oposições e entidades de base pró-movimento nacional de oposição sindical, popular e estudantil, espaço que possa discutir a construção de uma verdadeira Central de Classe, capaz de conduzir a luta do proletariado através da ação direta de massas e independência do sindicalismo de estado e das burocracias governistas. ■


Reorganizar o pólo anti-governista sindical, popular e estudantil!

Derrotar pela ação direta as reformas privatizantes na educação!



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

18º Encontro Nacional dos Estudantes de Geografia

Manifesto da Rede Estudantil Classista e Combativa ao XVIII ENEG



Entre os dias 12 a 18 de Janeiro, ocorrerá, na UFAL (Maceió/AL), o XVIII Encontro Nacional de Estudantes de Geografia – ENEG. É necessário que nós estudantes de geografia façamos uma breve análise da conjuntura na qual está inserido tal encontro para assim vislumbrar as tarefas necessárias para reorganizar o Movimento Estudantil (ME).

O quadro atual do ensino superior brasileiro é alarmante. A Reforma Universitária demonstra que mesmo sendo aplicada de forma fragmentada (dificultando a resistência a tal programa) faz parte de um todo articulado, aprofundando o processo de apropriação capitalista das Instituições de Ensino Superior. Tal afirmação tem sua comprovação no caráter de programas como o Prouni, que transfere as riquezas dos trabalhadores para o empresariado das faculdades privadas; o recente repasse de $ 1 bi do BNDES para as “privadas”; a Lei de Inovação Tecnológica que transforma a universidade em espaço de produção de ciência tecnologia para empresas; a proliferação das fundações privadas e cursos pagos; o REUNI, decreto presidencial que visa a precarização da educação e do trabalho nas Universidades Públicas. A Luta em Defesa dos Trabalhos de Campo na geografia deve se inserir, portanto, dentro de uma luta maior contra precarização da educação e CONTRA O REUNI.

As reformas neoliberais implementadas no Governo Lula aprofundaram um processo de crise de legitimidade da União Nacional dos Estudantes -UNE e dos partidos governistas PT e PCdoB/UJS. O ataque contra os trabalhadores e estudantes, as políticas de privatização e precarização da educação e das relações de trabalho ajudaram a desmascarar o caráter de classe do Governo Lula e da UNE para parcelas significativas de estudantes, abrindo assim um processo de ruptura com o governismo.


(RE)ORGANIZAR O MOVIMENTO ESTUDANTIL DE GEOGRAFIA!

Atualmente no ME brasileiro existe o que se chama de “movimentos de área”, que agrupam os estudantes de determinado curso, no caso o de Geografia. Mas o que se vê é que, longe de serem espaços para organizar as lutas dos estudantes, tais espaços dos Movimentos de Área como os Encontros Nacionais são verdadeiras colônias de férias pequeno-burguesas, onde desde a base se cria um clima festivo, de esvaziamento dos debates e das disputas políticas, onde os que participantes não estão representando as bases organizadas e sim participam aqueles com tempo, dinheiro e vontade de “curtir a viagem”. O ENEG e o ME de Geografia se inserem em tais críticas, e a burocratização e a desorganização vão se aprofundando sob uma defesa pseudo-participativa (contra o voto e representatividade). Se lançar na tarefa de reorganizar a luta é analisar concretamente o que deve ser modificado.

Se beneficiando diretamente das práticas despolitizantes e “fanfarristas”, está a burocracia governista do movimento estudantil, PT e UJS/PCdoB, que visa matar a capacidade política de luta e combate, construir uma “direção sem base” e sem mobilização. A UNE que esta comprometida até o último fio de cabelo (politicamente e financeiramente) com o Governo Lula e com grandes capitalistas, se coloca então na outra trincheira da luta de classes, como inimiga dos estudantes e dos trabalhadores. Portanto, é necessário compreender que a luta contra os ataques do Governo, será também a luta contra o governismo no ME, ou seja, contra a UNE.

Se apresentando como uma alternativa para o ME, a Assembléia Nacional dos Estudantes Livre – ANEL, nasce como a concretização da política liquidacionista da direção da CONLUTAS (PSTU), que diante ao processo de rompimento com o governismo demonstrou sua incapacidade política de reorganização das lutas em seu sentido anti-governistas. Portanto, a ANEL não rompe definitivamente com a UNE, podendo participar setores de dentro da UNE, tal como o oportunista PSOL; em nome de uma abstrata “unidade”, aplica uma política a reboque do governismo; reafirmando também o reformismo e o legalismo, aprovando no CNE o “apoio a candidaturas” e tendo como estratégia “de luta” pedir medidas provisórias de Lula, entregar abaixo assinados e Projetos de Lei.

Também há no ME de Geografia aqueles setores que se auto-intitulam como “apartidários”, “autonomistas”, “horizontalistas”. Não menos reformistas, burocráticos e liberais, tais setores são característicos por sua defesa anti-organizativa, sendo assim, nocivos a luta dos estudantes. Reivindicam o atual modo de organização (ou seria desorganização?) da CONEEG, defendendo uma pseudo “participação de todos”, onde aqueles que participam dos espaços de deliberação central do movimento (ENEGs e CONEGEOs) não tem responsabilidade perante a base de centenas de estudantes, o que claramente burocratiza o ME.


CONSTRUIR UM MOVIMENTO NACIONAL DE OPOSIÇÃO

Nós da Rede Estudantil Classista e Combativa – RECC, que estamos organizados em outras universidades e cursos, acreditamos que é necessário retomar desde já a tarefa de reorganizar o movimento estudantil, como um todo, e o ME de Geografia, em particular. Para tal acreditamos ser necessária a construção de uma oposição nacional de Geografia, organizada pela RECC, que tenha claramente uma linha: a) anti-governista: Contra a UNE, o PT, UJS e as políticas neoliberais do Governo Lula para Educação; b) combativa: que só através da ação direta dos estudantes e trabalhadores se conseguirá avançar nas conquistas; c) classista: onde devemos ligar um movimento estudantil proletário a construção de um movimento nacional de oposição sindical e popular.

Tal oposição deve estar atuando nos CA’s/DA’s com uma linha que garanta o poder das bases estudantis e que dispute as entidades de base levando nossa política combativa. Defendemos como estrutura organizativa para os CA’s/DA’s: direção colegiada (com revogabilidade de mandatos) + GT´s abertos, assembléia geral do curso como órgão deliberativo regular.

Para a construção de um ME de Geografia classista e combativo, acreditamos ser necessário quebrar com o caráter pequeno-burguês e anti-democrático dos “Encontros Nacionais”, para tal, nós da RECC propomos para a organização do movimento de área: 1) Congresso Nacional - delegados eleitos por assembléia geral dos cursos, órgão deliberativo nacional máximo; 2) Plenária Nacional de Delegados de Base – órgão deliberativo regular intermediário composto por membros eleitos nas assembléias geral dos cursos; 3) Executiva Nacional: órgão de direção e encaminhamento político, eleito nos Congressos e subordinado a PLENÁria e Congresso.

Acreditamos que a luta por um Universidade Popular e a serviço da classe trabalhadora, do campo e da cidade, essencialmente perpassa também pela luta acadêmica por uma ciência também a serviço do trabalhadores, e enquanto Geógrafos, por uma Ciência Geográfica Crítica e Revolucionária, que esteja lado a lado nos enfrentamentos do proletariado, produzindo uma Geografia verdadeiramente comprometida com a causa do povo.

Diante de todas essas tarefas, e em um momento tão difícil para aqueles que não se venderam e capitularam ao reformismo e ao capitalismo, nesse atual momento de refluxo da política combativa, nós estudantes proletários, acreditamos ser nossa tarefa desde já iniciar esse processo de reorganização do Movimento Estudantil com uma linha Classista e Combativa, e dizemos a todos os oportunistas e burocratas de plantão: Não nos envergaremos como uma vara verde! Permanecermos confiantes e intransigentes nas trincheiras de nossa classe!


POR UM CONGRESSO DE BASE!

CONSTRUIR UMA OPOSIÇÃO NACIONAL NA GEOGRAFIA!

COMBATER A UNE E AS REFORMAS NEOLIBERAIS!



Rede Estudantil Classista e Combativa, Janeiro de 2010.

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