quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Luta contra o aumento salarial de parlamentares


Aumento salarial dos parlamentares:

entre a miséria do povo e a repressão polcial.


Ocorreu nesta segunda-feira, dia 27 de dezembro (2010), uma segunda manifestação em Brasília cuja finalidade é questionar e barrar o aumento salarial de deputados, senadores, ministros, presidente e vice-presidente da República. Tal medida (PDC 3036/2010), aprovada em regime de urgência pelos próprios parlamentares dia 15 de dezembro em demorados 10 minutos, elevará todos seus salários para R$ 26.723,13, fora os mil e um auxílios que já possuem. Praticamente todos os partidos tiveram orientação favorável ao aumento, entre eles PT, PSDB, PCdoB, PMDB, PV, DEM, PDT¹. Para deputados e senadores, tal reajuste significa aumento em nada mais que 61,8% em sua folha de pagamento e para presidente e vice, somente 133,9%. No entanto, a piada só foi concluída no dia 22, quando o Congresso Nacional aprovou o aumento do salário mínimo dos trabalhadores em "elevadíssimos" 5,9%, 30 reais a mais na miséria que antes era de R$510.

O primeiro ato em Brasília ocorreu no dia 21 de dezembro, contando com cerca de 200 manifestantes, em sua maioria estudantes secundaristas e universitários. Encaminhando-se da Rodoviária do Plano Piloto ocupando as ruas da Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional, os manifestantes foram impedidos pelas polícias federal, civil e militar de entrar no covil dos ratos, demonstrando apenas que "a casa do povo" não passa de um simbolismo barato e falso para esconder a verdade que o Congresso é, isso sim: a casa do poderosos.

No segundo ato, dia 27, ultrapassando uma centena de manifestantes, o destino permaneceu sendo o Congresso. Impedidos novamente de entrar na casa dos poderosos pelos cães de guarda da burguesia, a polícia, os manifestantes encaminharam-se para o Palácio do Planalto, conseguindo ocupar sua rampa através do enfrentamento contra a guarda presidencial do Lula e alguns soldados. Vale lembrar que o acesso a tal rampa é terminantemente proibido e sua ocupação, apesar de não ter se efetivado até o fim, demonstra que uma boa correlação de forças de estudantes e trabalhadores organizados pode realizar maior pressão através de ações combativas.

Apesar do clima neste ato ter sido marcado pela legítima indignação e revolta espontânea dos manifestantes ali presentes perante as injustiças vividas neste país em contradição direta com a ira das forças repressivas, a polícia, a realização completa dos deveres desta só foi concluída quando o ato já se encaminhava para ser finalizado na Rodoviária. Foi no momento em que os manifestantes ocupavam as ruas da Esplanada, entre tentativas de fechamento das vias e impedimento desta tática pela polícia, que os cães latiram: houveram alguns princípios de confusão até que sprays de pimenta, botas, cacetetes e violência gratuita entraram em cena para fazer cumprir seus deveres de manter a ordem burguesa tal como é. Os manifestantes, bravamente, voltaram a seus postos nas ruas, entoando alto seus gritos de ordem.


Os aprendizados da luta: qual rumo seguir?


Militantes da RECC-DF estiveram presentes em ambos os atos e puderam tirar vários ensinamentos de erros e acertos deste Movimento contra o aumento dos parlamentares. Seu tipo de organização, por exemplo, característicamente por meios virtuais, apesar de louvável, carece completamente de uma preparação e direcionamento prévio das rotas e objetivos do ato. Como consequência, ficamos por vezes sem rumo em cada empecílio que encontrávamos já durante os atos, deixando este ser levado pela total espontaneidade. Os atos necessitam não somente de uma rota prévia, mas também deve ter pensado em medidas de comunicação e segurança e, principalmente, qual política carrega em seu meio. Por isso a RECC acredita que se faz necessário uma articulação presencial, um espaço democrático convocado para se pensar, entre outras coisas, estas medidas organizativas básicas. Como as injustiças e a exploração não se encerrarão num curto período, a organização daqueles estudantes e tabalhadores sinceros presentes nestes atos, também não deverá se encerrar. Por isso este espaço de articulaçao deve ser construido, fundamentalmente, a partir de nossas bases, ou seja, nossas escolas, universidades, locais de trabalho e comunidades, visando mesmo nos prepararmos para as lutas a médio e longo prazo que teremos. Nossa luta contra o parlamento burguês e suas injustiças, pelo aumento do salário mínimo dos trabalhadores, pela educação universal e de qualidade, pela moradia etc, só terá um peso maior quando de fato sair dos meios virtuais e souber acumular pela experiência e organização real nos espaços de base de nossa classe. Só terá avanços quando sair do espontaneísmo, quando politizar as reinvindicações econômicas e sociais e quando o próprio povo tomar em suas mãos a responsabilidade geral das lutas e não delegá-las aos partidos eleitoreiros e reformistas.

Em termos políticos, devemos compreender que a luta contra o aumento salarial dos parasitas, os parlamentares, deve ser a mesma luta dos estudantes pelo aumento da destinação do PIB para a educação, que hoje não passa de 4%, e também pelo aumento real do salário mínimo, que de acordo com estimativas do DIEESE para novembro deste ano, para cumprir a função a que se propõe, deveria ser de R$ 2.222,99². Nossos aliados são, portanto, estudantes e todas as frações da classe trabalhadora, do campo e da cidade. Como podemos ver na prática, os nossos inimigos são exatamente as classes políticas que, às nossas custas, possuem uma vida destoante da realidade de nosso povo e se encastelam nas burocracias e gabinetes do Estado-capitalista para propiciar as condições de reprodução do capital, e portanto a exploração, e de "gerenciar" as crises sociais além de serem responsáveis por demais injustiças. Dessa forma, o Estado-capitalista é uma instituição, por princípio, impossível de se moralizar e nós não devemos cair no pântano das falsas disputas eleitoreiras ou de exigir "ética" na exploração para onde tentam nos jogar os partidos reformistas, oportunistas de direita ou de esquerda (PV, PT, PSOL etc). Sempre aliados ao Estado está, por sua vez, as forças repressivas policiais, que possuem pela legalidade o monopólio de utilização da violência e que o exerce sem meias palavras, sempre que julgar necessário - como foi neste últimos atos. A polícia é, portanto, nossa inimiga direta e contra ela devemos organizar nossa auto-defesa para não sermos meramente vítimas e conseguirmos efetuar as ações táticas que consideramos importantes, como ocupações de órgãos públicos e de ruas. O segredo da vitória está na organização do povo. Temos que manter firme o entusiasmo e a rebeldia como força motora de nossa lutas! Avante os que lutam!


Fora todos! Fora já! Salário para o povo e não para parlamentar!
Barrar este injusto aumento pela ação direta combativa!
Organizar a luta dos estudantes e trabalhadores pela justiça popular!


¹ - www.camara.gov.br
² - www.dieese.org.br

2 comentários:

max arcano33 disse...

IX ELAOPA, Encontro Latino Americano de Organizações Populares Autônomas


Este encontro surge no ano de 2003, como um espaço alternativo ao Fórum Social Mundial (FSM), onde não participam partidos políticos, ONG’s e nem representantes de governos; entidades estas, que diferem de nossa realidade e das intenções de nossas organizações. O ELAOPA pretende então, juntar, encontrar e articular a luta de organizações populares da América Latina, colocando- as como atoras à partir das suas necessidades, realidades, e anseios.

O ELAOPA pretende ser um encontro catalisador da luta popular, com real independência de classe e, com objetivo de maior integração dos movimentos sociais nos diversos lugares da América Latina.

Assim, os encontros já foram realizados no Brasil (2003), Bolívia (2004), Argentina (2005), Uruguai (2006), Chile (2007), Brasil (2008), Argentina (2009) e Uruguai (2010), participando organizações das mais diversas atividades: agrupações sindicais e sindicatos, coletivos culturais, muralistas, grupos de teatro, movimento de piqueteiros, desempregados/as, movimentos de luta pela terra, coletivos feministas, centros sociais, ateneus, organizações camponesas, ecologistas, coletivos em defesa dos direitos humanos, entidades estudantis.

Um dos principais eixos que sempre estão em nossos encontros tem sido a construção do poder popular, por uma perspectiva autônoma e de base, ou seja, desde baixo, capaz de resistir à opressão capitalista e criar alternativas de luta conjuntas, a partir da solidariedade entre os/as companheiros/as agredidos.

A coordenação e articulação dos movimentos sociais se fazem necessárias para que seja possível fortalecer a construção do poder popular à partir da participação de todas e todos, e desenvolver reflexões e análises coletivas que possam fornecer instrumentos e sugerir caminhos para a luta anticapitalista.

Desta forma, lhes convidamos a participar do Encontro.

As inscrições poderão ser realizadas até o dia 10/01/2011, estamos também solicitando uma contribuição de inscrição no valor de 25,00 (vinte e cindo reais) para os custos de alimentação e infraestrutura do lugar.

O local do encontro será no Centro de Formação Campo Cidade do MST/Regional SP na cidade de Jarinú, Grande São Paulo.

Inscrições e dúvidas pelo email: ixelaopa@riseup.net

Contamos com vocês !!!!
Arriba los que luchan!
Comissão de Organização do IX ELAOPA
http://www.elaopa.org

Anônimo disse...

Companheiros, vale salientar o honrado papel que teve o Psol na votação do aumento. Eles temem que o parlamento seja mal visto pela sociedade e que o aumento só iria acrescentar para esse distanciamento entre a população e o parlamento. Coitados, eles tem tão boas intenções. Vejam só, eles achavam que o aumento não deveria ser de 33%, isso é muito, é acima da inflação, não dava... por isso proporam que o aumento fosse só de 20%. Poxa, 20% é tranquilo pros parlamentares que ganhavam 15 mil. Afinal, o aumento do salário mínimo foi de 5%... ah, mas deixa isso pra lá.

Fora oportunistas e reformistas!
Não existe porco limpo no chiqueiro!
Avante a luta do povo!